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‘Gasolina sabor etanol’: mistura se aproxima de patamar perigoso, alerta Pecege

28 set 2026, 17:58
etanol gasolina pecege joão rosa
(Foto: Pasquale Augusto/Money Times)

O aumento da mistura de etanol na gasolina gera demanda para o biocombustível, mas se aproxima de um patamar perigoso para a imagem do setor junto ao consumidor. O alerta é de João Rosa, sócio-diretor do Pecege Consultoria e Projetos, que defende mais esforços para convencer o motorista a abastecer com etanol hidratado.

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“Nós estamos muito perto de uma participação de mistura que começa a ser perigosa junto ao consumidor”, afirmou durante o painel “O dilema do etanol no Brasil: sobreoferta ou sobredemanda?”, da 9ª Conferência Nova Cana.

Ao mencionar a mistura de 32% e a discussão sobre uma eventual elevação para 35%, Rosa reconheceu que a medida beneficia o setor ao ampliar o consumo. Sua preocupação, porém, está na reação de quem abastece — e na possibilidade de o avanço provocar resistência ao próprio biocombustível.

Para ilustrar essa percepção, o executivo usou a expressão “gasolina sabor etanol”. Na avaliação dele, o aumento da mistura se aproxima de um limite em que começa a “arranhar a percepção junto ao consumidor”.

O risco apontado por Rosa está relacionado à aceitação do produto e à imagem do setor, e não a uma avaliação técnica sobre o funcionamento dos motores.

Mais mistura ou mais consumo na bomba?

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Para o sócio-diretor do Pecege, o setor precisa avaliar se elevar a parcela obrigatória de etanol na gasolina é o melhor caminho para absorver a oferta crescente. Sua proposta é investir mais em medidas que levem o motorista a escolher o biocombustível na hora de abastecer.

Rosa defendeu maior atenção ao consumo de etanol hidratado, vendido diretamente nas bombas. A avaliação é que existe um mercado a conquistar entre motoristas que possuem veículos flex, mas continuam escolhendo gasolina por hábito.

“Tem muito espaço ainda para a gente (setor) ocupar sem ser necessariamente com o aumento de mistura”, disse.

Durante o painel, o executivo relatou que um amigo passou a abastecer com etanol depois de ouvi-lo falar repetidamente sobre o combustível. O exemplo, segundo ele, mostra como a comunicação pode ajudar a transformar a possibilidade de escolha oferecida pelo carro flex em consumo efetivo.

O preço na bomba também importa

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A conquista do motorista, porém, passa também pelo preço. Filipi Cardoso, especialista de agro do Bradesco — Pesquisa Econômica, afirmou no painel que a decisão de abastecimento não depende apenas da paridade entre etanol e gasolina.

Segundo ele, pesquisas do banco identificam patamares de preço que funcionam como “travas sociais”, capazes de gerar resistência mesmo quando a relação entre os combustíveis favorece determinada escolha.

“Um etanol acima de R$ 4 já gera um certo bloqueio, independente da paridade, assim como uma gasolina acima de R$ 7”, afirmou.

Na avaliação de Cardoso, boa parte dos consumidores observa o valor anunciado na bomba, sem necessariamente calcular a relação percentual entre os dois produtos.

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Alexandre Zebulun, diretor comercial da Evolua Etanol, acrescentou outro desafio: o incentivo de quem comercializa o combustível.

Segundo ele, as margens da gasolina na distribuição e no varejo são superiores às do etanol, o que reduz o interesse comercial em estimular a venda do biocombustível.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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