Ferrovias

Governo e BNDES anunciam financiamento de até 40 anos para ferrovias e estimam R$ 600 bilhões em investimentos

12 jun 2026, 16:14 - atualizado em 12 jun 2026, 16:15
Ferrovias
Governo e BNDES lançam pacote para financiar obras de ferrovias em até 40 anos (REUTERS/Ueslei Marcelino)

O governo federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentaram uma nova linha de financiamento desenhada exclusivamente para o setor ferroviário. O anúncio ocorreu nesta quinta-feira (11), na sede da B3, em São Paulo (SP), durante o evento “Novos Caminhos sobre Trilhos”. A medida estende o prazo de pagamento dos empréstimos para até 40 anos, superando o teto tradicional de 30 anos praticado no mercado de infraestrutura.

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A estratégia busca dar viabilidade financeira a contratos de longo prazo, atrair investidores internacionais e diversificar a matriz de transportes do país, historicamente dependente do transporte rodoviário. O Ministério dos Transportes estima até R$ 600 bilhões em investimentos por meio deste modelo e equipe econômica projeta que a ampliação da malha ferroviária reduzirá despesas com frete e, consequentemente, nos preços de produtos transportados.

Do total estimado para a carteira, cerca de R$ 160 bilhões correspondem a intervenções em trilhos já existentes e novas construções, enquanto outros R$ 160 bilhões devem vir do leilão de 17 terminais de carga na Ferrovia Norte-Sul. O BNDES atuará no repasse de recursos, na estruturação de debêntures incentivadas e na participação acionária via fundos, com previsão de R$ 140 bilhões em suporte público direto para avalizar as operações privadas.

O novo mecanismo de crédito prioriza oito corredores estruturantes espalhados pelo país. Entre os principais destaques está a Ferrogrão (EF-170), que prevê 933 quilômetros de extensão entre Sinop, em Mato Grosso, e Itaituba, no Pará, com o objetivo de escoar a produção de grãos do Centro-Oeste até os portos da Região Norte.

Na Região Sudeste, o foco inicial se volta para a EF-118, o Anel Ferroviário do Sudeste, que ligará Santa Leopoldina, no Espírito Santo, a São João da Barra, no Rio de Janeiro, em uma primeira etapa de 246 quilômetros. A carteira federal inclui ainda os corredores Fico-Fiol na Bahia, a Malha Oeste em Mato Grosso na fronteira com a Bolívia, além dos corredores Minas-Rio, Rio Grande, Mercosul e Paraná-Santa Catarina.

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Calendário, cronograma e chineses

O cronograma de concessões do Ministério dos Transportes prevê uma sequência de disputas ao longo do ano. O Corredor Minas-Rio abriu o calendário no primeiro semestre, seguido pela previsão de leilões da Malha Oeste e do Corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol) no terceiro trimestre.

Para o fim de 2026 estão programadas as concorrências dos corredores da Malha Sul, que abrangem o Rio Grande, o Mercosul e a ligação Paraná-Santa Catarina. Paralelamente, o Tribunal de Contas da União analisa os estudos da EF-118 para liberar a publicação do edital.

A articulação internacional também envolve uma aproximação com o mercado asiático. Em missão oficial na China, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, participou do evento de forma virtual e afirmou que o governo brasileiro estruturou essa carteira de projetos com base em modelos que consideram matrizes de risco inovadoras.

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Além disso, o Brasil assinou um memorando de entendimento com o governo chinês para realizar estudos de viabilidade de um corredor bioceânico. O plano é conectar a malha brasileira ao Porto de Chancay, no Peru, para criar uma rota direta de exportação em direção ao Oceano Pacífico.

*Com supervisão de Gustavo Porto

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Maiara Baloni é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Maiara Baloni é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
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