GPA (PCAR3): Santander vê trimestre misto, mas destaca avanço das margens e desalavancagem; o que fazer com as ações?
O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), ou apenas GPA, apresentou mais um trimestre misto, na avaliação do Santander. As vendas continuaram fracas, no entanto, os analistas ponderam que as margens evoluíram e a alavancagem melhorou significativamente em bases pro forma após a recuperação extrajudicial.
Para a equipe liderada por Lucas Esteves, o trimestre reforça a estratégia da companhia de priorizar rentabilidade e fortalecimento do balanço, em detrimento do crescimento das vendas no curto prazo.
O banco tem recomendação neutra para as ações do GPA — que chegaram a avançar mais de 10% após a divulgação do balanço —, com preço-alvo de R$ 4,60.
O Santander pondera que as receitas seguiram pressionadas, mas o mês de junho mostrou sinais de normalização.
“A receita bruta somou R$ 4,7 bilhões, queda de 7% na comparação anual, enquanto a receita líquida caiu 9,6%, para R$ 4,2 bilhões, refletindo o encerramento do programa Aliados, o fim da operação de fulfillment via centros de distribuição, o rebalanceamento do e-commerce, além de impactos do portfólio de lojas e do calendário. Excluindo esses fatores, as vendas recuaram apenas 0,8%”, diz o banco.
Os analistas o Santander apontam e geração de caixa e desalavancagem como o principal destaque da tese. O fluxo de caixa operacional foi negativo em R$ 116 milhões, pressionado pelo aumento dos pagamentos a fornecedores relacionados ao processo de recuperação extrajudicial.
Como resultado, o fluxo de caixa livre operacional, excluindo a Stix, ficou praticamente estável, em R$ 5 milhões no negativo.
Os investimentos (capex) foram reduzidos para R$ 76 milhões no trimestre, em linha com a orientação da companhia de investir entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões em 2026.
Além disso, os Santander chama atenção os R$ 244 milhões em ganhos de eficiência de despesas no primeiro semestre de 2026, o equivalente a 58,9% da meta estabelecida para o ano.
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Homologação da RE deve ocorrer no 3T26
Em teleconferência de resultados realizada nesta manhã, Alexandre Santoro, CEO da varejista, afirmou que espera a homologação do plano de recuperação extrajudicial no terceiro trimestre deste ano, com efeitos que englobam redução de mais de 50% da dívida.
Além disso, ele destaca o alongamento do prazo médio da dívida de aproximadamente dois anos para cerca de seis anos, redução do custo médio da dívida e queda dos desembolsos previstos entre 2026 e 2028, que passam de cerca de R$ 5,2 bilhões para R$ 400 milhões, considerando principal e juros.
“A recuperação extrajudicial foi um instrumento para fortalecer a companhia. Nosso objetivo sempre foi criar as condições para que o GPA voltasse a concentrar sua energia naquilo que realmente gera valor: o cliente, a operação e a execução da nossa estratégia”, disse.
A homologação do processo representa um passo importante nessa direção, devolvendo flexibilidade financeira e criando condições para acelerar a transformação operacional, segundo Santoro.
2T26 do GPA
O GPA sofreu prejuízo líquido de R$ 204 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 15,5% sobre o resultado negativo de um ano antes.
O resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, porém, subiu 7,3%, para R$ 450 milhões, com a margem passando de 9% para 10,6%.
A companhia afirmou que a linha final do balanço foi pressionada pelo resultado financeiro negativo de R$ 385 milhões, crescimento de 26,4% ante um ano antes. Pesou ainda uma base de comparação mais forte com o segundo trimestre do ano passado.
A receita líquida somou R$ 4,23 bilhões de abril ao final de junho, recuando 9,6% na comparação anual. Em vendas mesmas lojas, houve retração de 0,8% ante o segundo trimestre de 2025.