Há boas e más distribuidoras, assim como usinas: Brasilcom cobra combate às fraudes no etanol para ampliar consumo
O combate às fraudes no etanol precisa alcançar tanto distribuidoras quanto usinas e fazer parte do esforço para conquistar a confiança do consumidor, afirmou Abel Leitão, presidente da Brasilcom (Associação das Distribuidoras de Combustíveis), durante a 9ª Conferência Nova Cana.
“Como todas as boas famílias, nós temos bons e maus distribuidores, temos boas e más usinas que estão envolvidas nesse conluio”, disse, no painel “Regras do jogo: políticas públicas e estratégias para o próximo ciclo do setor”, que aconteceu nesta segunda-feira (28).
A declaração ocorreu durante uma discussão sobre os obstáculos à expansão do consumo de etanol, um dos principais temas abordados durante o bate-papo. Para Leitão, além de investir em comunicação, o setor precisa reconhecer que parte da resistência ao combustível está ligada a experiências negativas de abastecimento.
“Se o público reclama, não vamos culpar o mensageiro, é porque algo existe”, afirmou.
Segundo o dirigente, as fraudes se concentram no etanol hidratado e alimentam a desconfiança de quem abastece. Em sua avaliação, o mercado irregular prejudica a imagem do produto e pode afastar motoristas de novas compras. “A experiência negativa existe. A gente não pode negar, tem que entender”, disse.
Entidade defende antecipar mudança tributária
Leitão apontou a antecipação da monofasia tributária — modelo que concentra o recolhimento do tributo em uma etapa da cadeia — como uma medida importante para combater o mercado irregular.
O presidente da Brasilcom defendeu acelerar essa mudança, sem aguardar todo o calendário da nova reforma tributária. Para ele, a dimensão das fraudes exige uma resposta mais rápida.
“Nós precisamos combater o mercado irregular”, afirmou.
Na avaliação do dirigente, enfrentar essas práticas também é necessário para melhorar a percepção do consumidor. Ele argumentou que as experiências ruins geram medo de voltar a abastecer com etanol, limitando o resultado dos esforços para promover o combustível.
Oferta precisa considerar diferentes motores
Leitão também defendeu que a oferta de combustíveis considere as necessidades de diferentes veículos e equipamentos. Segundo ele, a discussão deve levar em conta a compatibilidade entre o combustível e o motor para o qual foi projetado.
O dirigente relatou dificuldade para encontrar gasolina premium durante uma viagem pela rodovia Presidente Dutra e defendeu a disponibilidade de uma alternativa com menor teor de etanol para determinados segmentos.
Em sua avaliação, reconhecer essas necessidades faz parte de uma estratégia de segmentação do mercado e ajuda a evitar experiências que prejudiquem a confiança do consumidor.
Leitão ponderou, porém, que essa defesa não significa oferecer um número ilimitado de misturas nos postos. Ao comentar a multiplicação das opções, classificou a possibilidade como um “pesadelo para a distribuição”, diante das dificuldades logísticas.