Transportes

IBGE: motoristas de aplicativo trabalham 5 horas a mais por semana para ganhar o mesmo que outros trabalhadores

21 set 2026, 14:47
(Imagem: Shutterstock/structuresxx)

Quase 2 milhões de brasileiros trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de terem rendimento mensal praticamente igual ao dos demais trabalhadores do setor privado, os motoristas de aplicativo enfrentam jornadas mais longas e recebem menos por hora trabalhada.

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A pesquisa mostra que os trabalhadores de aplicativos receberam, em média, R$ 3.147 por mês no trabalho principal, valor praticamente idêntico aos R$ 3.148 registrados entre os demais ocupados do setor privado.

A diferença aparece quando o rendimento é analisado por hora. Os motorista de aplicativo fazem em média R$ 16,20 por hora. Já os demais trabalhadores ganham R$ 18,40 por hora trabalhada. Trata-se de uma defasagem de 12%.

Parte dessa diferença é explicada pela carga de trabalho.

Os profissionais que atuam por meio de aplicativos declararam jornada média de 44,7 horas semanais, enquanto os demais trabalhadores do setor privado trabalham, em média, 39,3 horas por semana.

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Na prática, eles dedicam 5,4 horas adicionais de trabalho por semana para alcançar renda semelhante.

Trabalho por aplicativo já reúne quase 2 milhões de pessoas

O levantamento identificou 1,96 milhão de pessoas que utilizaram plataformas digitais para trabalhar em 2025. Isso representa 1,9% da população ocupada do país.

Desse total, 1,805 milhão tinham essa atividade como ocupação principal, enquanto cerca de 182 mil utilizavam aplicativos como fonte complementar de renda.

O contingente de trabalhadores que têm as plataformas como atividade principal cresceu 36,8% desde 2022, evidenciando a expansão desse modelo de trabalho no país.

Transporte de passageiros concentra a maior parte dos trabalhadores

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Os aplicativos de transporte individual de passageiros seguem como a principal porta de entrada para o trabalho por plataformas digitais.

Segundo o IBGE, 58,9% dos trabalhadores de aplicativos atuavam no transporte de passageiros em 2025, o equivalente a cerca de 1,2 milhão de pessoas.

Os aplicativos de entrega respondiam por 29,9% do total, enquanto os serviços gerais e profissionais reuniam aproximadamente 313 mil trabalhadores.

O setor de transporte, armazenagem e correios concentrava três quartos de todo o trabalho realizado por meio de plataformas digitais no Brasil.

Dependência das plataformas é elevada

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A pesquisa também investigou o grau de influência dos aplicativos sobre a atividade dos trabalhadores.

Entre os motoristas de transporte por aplicativo, 80,2% afirmaram que o valor cobrado pelas corridas é totalmente definido pela plataforma.

O levantamento mostra ainda que uma parcela significativa dos trabalhadores depende de um número reduzido de aplicativos para obter renda.

Pela primeira vez, o IBGE também perguntou por que as pessoas decidiram trabalhar por meio dessas plataformas.

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Os principais motivos foram a flexibilidade de horários e a dificuldade de encontrar outras oportunidades de trabalho, especialmente entre motoristas e entregadores.

Informalidade continua alta

Outro dado que chama atenção é a baixa proteção previdenciária desses profissionais.

Enquanto 63% dos demais trabalhadores do setor privado contribuem para a Previdência, a cobertura entre os trabalhadores de aplicativos ficou em apenas 34%.

Além disso, o nível de informalidade alcançou 72,1% entre os motorista de aplicativo, ante 42,7% no restante do setor privado.

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*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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