Mercados

Novo ‘tarifaço’ de Trump assusta mercado e Ibovespa recua 1%; dólar sobe a R$ 5,09

16 jul 2026, 17:24 - atualizado em 16 jul 2026, 17:54
Ibovespa queda
(Imagem: iStock/maciek905)

O Ibovespa (IBOV) teve um dia de aversão a risco com novo tarifaço do governo Trump sobre Brasil e escalada das tensões entre EUA e Irã em foco.

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Nesta quinta-feira (16), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 1,24%, aos 173.825,27 pontos.

Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,0990, com alta de 0,40%.

Ontem (15), Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR na sigla em inglês) anunciou uma nova tarifa de 25% sobre certas importações provenientes do Brasil a partir de 22 de julho. As taxas se aplicam a milhares de produtos, incluindo açúcar, maquinário agrícola, vestuário, maquinário elétrico, papel e aço.

“O noticiário envolvendo as tarifas sobre os produtos brasileiros contribuiu para pressionar o Ibovespa, em meio à expectativa em torno da resposta do governo brasileiro”, afirmou Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

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Nos cálculos do Goldman Sachs, a tarifa efetiva média aplicada ao Brasil será de 16,8%, considerando os itens isentos.

Em relatório, o banco ainda considera que as novas isenções à sobretaxa de 25% implementada pelos Estados Unidos abrangem US$ 2,1 bilhões adicionais em importações provenientes do Brasil.

Com isso, a nova tarifa deve incidir sobre 26% dos produtos brasileiros destinados aos EUA (US$ 10,2 bilhões). O número é mais baixo do que os 31% (US$ 12,3 bilhões) previstos inicialmente com a lista preliminar de isenções divulgada em junho.

Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, também destacou que o IBOV ainda sofreu com “ventos contrários” vindos do próprio cenário doméstico. “A divulgação de indicadores frustrantes sobre o desempenho do varejo ajudou a azedar o humor dos investidores”, avaliou. Em destaque, as vendas no varejo avançaram 0,1% em maio na comparação mensal, abaixo do consenso de mercado.

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“Com grandes exportadoras sofrendo com as tarifas e as empresas voltadas ao consumo interno pressionadas pelos dados locais ruins, restaram pouquíssimas alternativas de proteção na bolsa nesta quinta-feira”, acrescentou a analista da Nomad.

Altas e quedas do Ibovespa

Entre as ações negociadas no Ibovespa, os ‘pesos-pesados’ pressionaram o índice. Petrobras (PETR4;PETR3), que detém cerca de 12% de participação da carteira do índice, acompanhou a cautela doméstica e a queda dos preços do petróleo no mercado internacional. PETR3 caiu de 1,95% (R$ 44,64) e PETR4 registrou perda de 1,72% (R$ 39,89.

Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, encerrou o dia com recuo de 2,05% (R$ 72,98). O setor de bancos também recuou em bloco: o Índice Financeiro (IFNC) terminou o pregão com baixa de 0,97%; o Itaú (ITUB4), que detém cerca de 8% da participação na carteira do IBOV, teve queda de 1,37% (R$ 42,55).

Bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.

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A ponta negativa do IBOV foi liderada por Braskem (BRKM5) com possível diluição dos acionistas após propostas de credores da companhia. BRKM5 caiu 4,84% (R$ 6,10).

De acordo com as colunas Radar Econômico da Veja, e Lauro Jardim d’O Globo, um grupo de detentores de títulos da compahia apresentou uma proposta de reestruturação que prevê a diluição dos atuais acionistas da petroquímica.

Na avaliação do Citi, a companhia e seus acionistas não estão em uma posição confortável para negociar e solucionar os problemas financeiros da empresa.

“Também enxergamos outros riscos para a tese de investimento, como as prováveis implicações do evento geológico em Alagoas e a deterioração das perspectivas para os preços e spreads petroquímicos”, afirmou o banco em relatório divulgado a clientes nesta quinta-feira.

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Já a ponta positiva foi liderada por CSN Mineração (CMIN3), com ganho de 4,01% (R$ 5,45).

Exterior

Os índices de Wall Street fecharam em baixa diante da forte queda do segmento de semicondutores após a Taiwan Semiconductor anunciar o aumento dos investimentos ligados à inteligência artificial (IA). Apesar dos dados positivos de empresa, a ação reavivou os temores de uma bolha da IA.

A troca de ataques entre EUA e Irã pelo quinto dia consecutivo também dividiu as atenções.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,20%, aos 52.553,62 pontos;
  • S&P 500: -0,51%, aos 7.533,77 pontos;
  • Nasdaq: -1,47%, aos 25.881,946 pontos.
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Na Europa, os índices fecharam sem direção única com atenções concentradas no cenário geopolítico. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com alta de 0,16%, aos 643,73 pontos.

Na Ásia, os índices terminaram também em tom misto: o índice Nikkei, do Japão, caiu 2,79% os 68.835,54 pontos e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve ganho de 1,33%, aos 24.008,60 pontos pontos.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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