Dólar avança e fecha a R$ 5,09 com novo tarifaço de Trump
O dólar à vista ganhou força ante o real com o novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Dados de varejo e pesquisas eleitorais, além da escalada de tensões no Oriente Médio, ficaram no radar.
Nesta quinta-feira (16), o dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,0990, com alta de 0,40%.
O dólar acompanhou a fraqueza da divisa no exterior e o alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com ganho de 026%, aos 100,742 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio acompanhou os desdobramentos da decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiro a partir do próximo dia 22.
Embora a medida represente uma nova barreira comercial para exportadores nacionais, o impacto tende a ser parcialmente reduzido pela extensa lista de exceções anunciada pelo governo americano.
Mais de 2 mil produtos ficaram de fora da sobretaxa, incluindo itens de grande relevância para a pauta exportadora brasileira, como carne bovina, suco de laranja e componentes para aeronaves.
Em entrevista ao Giro do Mercado, Lúcio Moscarelli, sócio da Voga Investimentos, avaliou que, por não ser a primeira vez que os Estados Unidos decidem impor altas tarifas em produtos brasileiros, é mais fácil prever os impactos econômicos.
“O Brasil é um país muito fechado, e é quem tem mais a perder com essas tarifas. Os principais bens que os próprios americanos importam, não estão na lista do tarifaço”, afirmou Lúcio.
Já na avaliação de Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, o comportamento do dólar refletiu diretamente o prêmio de risco cobrado pelos agentes financeiros com a nova medida dos EUA contra o Brasil.
“A corrida para a segurança da moeda dos EUA evidencia não só o peso financeiro da medida, mas também o receio de uma guerra comercial mais ampla, agravado pelos indicações de que o governo brasileiro planeja retaliar”, afirmou Rebecca.
No cenário externo, Estados Unidos e Irã trocaram ataques pelo quinto dia consecutivo. Além disso, o o grupo extremista Houthis do Iêmen, aliados do Irã, estão se preparando para fechar o estreito de Bab El-Mandeb em nome do país persa, segundo a mídia internacional.
Apesar da escalada das tensões, os preços do petróleo fecharam em queda. Em destaque, o contrato do Brent para setembro, referência para o mercado internacional, terminou o dia com baixa de 0,85%, a US$ 84,23 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
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