Ibovespa destoa de Wall Street e encerra em tom positivo; dólar cai a R$ 5,21
O Ibovespa (IBOV), que iniciou a sessão com queda de quase 2%, ganhou fôlego na reta final da sessão e terminou o dia em tom positivo.
Nesta quinta-feira (19), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com alta de 0,35%, aos 180.270,62 pontos.
Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,2156, com queda de 0,59%.
Por aqui, as questões políticas concentraram as atenções dos investidores. No final da tarde, o governo publicou a medida provisória (MP) que endurece as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. As medidas foram anunciadas ontem pelo ministro dos Transportes, Renan Filho.
A decisão de política monetária ficou em segundo plano. Ontem (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano. Essa foi a primeira flexibilização do Banco Central desde julho, em linha com o esperado pelo mercado.
No comunicado, os diretores do Copom afirmaram que o ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Segundo o Comitê, o cenário exige cautela por parte dos países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Os diretores também afirmaram que o BC está dando início a um ciclo de “calibração” da política monetária, mas reforçaram o “forte aumento da incerteza” e o “distanciamento adicional” das projeções de inflação em relação à meta.
Altas e quedas do Ibovespa
Entre os destaques do Ibovespa, as ações da Hapvida (HAPV3) chegaram a despencar 14% nas primeiras horas do pregão e, depois de sucessivos leilões por oscilação máxima permitida na B3, os papéis inverteram o sinal e encerraram o pregão em forte alta.
HAPV3 terminou o dia com ganho de 14,98%, a R$ 9,44. Os investidores reagiram aos números do quarto trimestre (4T25). Para o Safra, o resultado trimestral reforça a narrativa de que os desafios da Hapvida têm componentes tanto transitórios — utilização, inverno prolongado — quanto estruturais — ramp-up custoso da rede própria, concorrência na Região Sudeste.
Eneva (ENEV3) manteve o ritmo de ganhos e encerrou o pregão como a terceira maior alta do Ibovespa, com avanço de 3,90% (R$ 25,30), ainda em reação ao leilão de reserva de capacidade (LRCap).
Já a ponta negativa foi encabeçada do índice por Minerva Foods (BEEF3), que caiu 10,70% (R$ 3,84), também com os investidores repercutindo o balanço do 4T25. O BB Investimentos rebaixou a recomendação das ações de compra para neutra, mantendo o preço-alvo de R$ 8 para o final de 2026.
Entre os pesos-pesados do Ibovespa, as ações da Petrobras (PETR4), um dos pesos-pesados do Ibovespa, acompanharam a virada do petróleo para o tom negativo no final da sessão e fecharam em leve baixa. PETR3 caiu 0,12%, a R$ 51,57, enquanto PETR4 teve recuo de 0,47%, a R$ 46,78.
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Exterior
Os índices de Wall Street encerraram a sessão em queda com o mercado zerando as apostas de corte nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) ao longo de 2026.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,44%, aos 46.021,43 pontos – em novo menor nível do ano;
- S&P 500: -0,27%, aos 6.606,49 pontos;
- Nasdaq: -0,28%, aos 22.090,69 pontos.
Na Europa, os principais índices também encerraram em tom negativo, com decisões de política monetária e as tensões geopolíticas no radar. O Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) manteve os juros em 3,75% ao ano, mas ressaltou que o conflito no Oriente Médio pode causar aumento na inflação no curto prazo – o que seria um novo choque na economia.
Alguns membros do Comitê de Política Monetário britânico já levantaram a possibilidade de um aumento nos juros a frente.
O Banco Central da Europa (BCE), que também manteve os juros em 2% nesta quinta-feira, disse que o salto nos preços da energia elevou sua previsão de inflação para a zona do euro em 2026 a 2,6% – acima de sua meta de 2% – mas disse que o impacto de longo prazo ainda não está claro.
Em reação, o índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com queda de 2,39%, aos 583,64 pontos.
Na Ásia, os índices fecharam em queda, com destaque para a decisão do Banco Central do Japão (BoJ, na sigla em inglês), de manter os juros inalterados em 0,75% e temor de choques inflacionários em razão da guerra no Irã. O índice Nikkei, do Japão, caiu 3,38%, aos 53.372,53 pontos e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve recuo de 2,02%, aos 25.500,58 pontos.