Ações da Eneva (ENEV3) disparam mais de 15% nesta quarta; o que está por trás da alta?
Negociadas dentro do Ibovespa, as ações da Eneva (ENEV3) sobem forte na bolsa de valores (B3) nesta quarta-feira (18) impulsionadas pelo leilão de reserva de capacidade (LRCap), evento aguardado há anos pelo setor de energia.
Os papéis da companhia encerraram o pregão com alta de 15,08%, a R$ 24,35, figurando como a ação com melhor desempenho do índice. Na máxima intradia, a alta foi de 17,44%, a R$ 24,85. Acompanhe o tempo real.
ENEV3 também foi o papel mais negociado da B3 nesta quarta-feira, com 83,6 mil negócios e giro financeiro de 1,412 bilhão.
Leilão de reserva de capacidade
O Brasil realiza entre hoje e a próxima sexta-feira (20) o leilão de contratos para usinas termelétricas e hidrelétricas, com o objetivo de garantir a segurança do fornecimento de energia elétrica.
A expectativa é de negociar pelo menos 20 gigawatts (GW), destravando investimentos de dezenas de bilhões de reais em projetos de geração de energia.
Esta é apenas a segunda edição do certame no país, e, de forma prática, garante a disponibilidade de usinas para acionamento rápido quando necessário pela operação do sistema elétrico.
A maior parte dos contratos negociados nesta quarta-feira deverá ser destinada a usinas termelétricas movidas a gás natural e carvão, segmento no qual a Eneva atua, indicando maior demanda por esse tipo de energia do que por expansões de hidrelétricas.
Os contratos negociados no certame têm prazos de 10 a 15 anos e inícios de suprimento entre 2026 e 2031, a depender do tipo de usina e fonte de energia.
Segundo o BTG Pactual, devido à magnitude do evento, as ações da Eneva podem sofrer grandes oscilações, já que os resultados só serão conhecidos após o fechamento do mercado.
Para o UBS BB, este é um momento muito aguardado para a companhia — e pode ser até transformacional. Isso ocorre porque a empresa possui usinas termelétricas (UTEs) com contratos próximos do vencimento que buscará renovar.
Além disso, a Eneva pretende contratar expansões de novas UTEs, como a Celse 2 (ampliação da Celse 1), de até 1,3 GW, e a Ceiba, de até 750 MW.
Na visão do UBS BB, a companhia se destaca como um dos poucos players capazes de converter preços de capacidade mais altos em megawatts executáveis.
De acordo com o banco, como empresa R2W (ready to work, em inglês, ou pronta para operar, em português), ela apresenta vantagens de custo de transporte de gás em relação à maioria dos concorrentes.
Governo reviu valores
Em 10 de fevereiro, a Aneel aprovou os tetos de preços definidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para o leilão bem abaixo das expectativas do mercado, provocando queda de cerca de 20% nas ações da Eneva durante aquele pregão.
O receio do mercado era de que os valores poderiam comprometer o certame e até inviabilizar a participação da companhia.
Três dias depois, porém, o governo republicou os tetos atualizados, reduzindo os receios de um leilão fracassado.
*Com informações da Reuters