‘Trade eleitoral’ perde força e Ibovespa fecha estável, aos 185 mil pontos; dólar tem leve recuo
O Ibovespa (IBOV) interrompeu a sequência de 11 altas consecutivas e fechou ligeiramente em queda com a realização dos fortes ganhos recentes e o ‘trade eleitoral’ perdendo fôlego.
Nesta quinta-feira (3), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com leve queda de 0,01%, aos 185.188,13 pontos.
Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1045, com leve queda de 0,08%.
Por aqui, os investidores continuaram a acompanhar novas pesquisas eleitorais. Pela manhã, a PoderData/Aya mostrou Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno pela primeira vez. O senador tem 45% das intenções de voto contra 44% do petista. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual.
Já na reta final do dia, a Apex também apontou um empate técnico em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. O atual presidente recuou de 46,3% para 45,6% das intenções de voto entre junho e julho, e o senador caiu de 46,2% para 45,2%.
“Para esse mês de setembro dá para esperar bastante volatilidade. Muitas altas e baixas relevantes como resposta às pesquisas eleitorais. Quanto mais provável que um candidato pró-mercado vença, maior tende a ser a alocação de renda variável no Brasil por conta das expectativas de queda nos juros e melhoria do cenário fiscal”, avalia Lucas Xavier, head de mesa de renda variável e sócio da AW Capital.
Altas e quedas do Ibovespa
As blue chips perderam força e pressionaram o Ibovespa. Petrobras (PETR4;PETR3) fechou em queda, após cinco dias de ganhos consecutivos, em movimento de realização. PETR3 caiu 1,79% (R$ 52,58) e PETR4 recuou 1,33% (R$ 47,56).
Vale (VALE3), que detêm 11% de participação do índice, teve perda de 2,91% (R$ 78,45). Já o setor de bancos manteve o ritmo positivo da véspera: o Índice Financeiro (IFNC) teve alta de 0,87%.
Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
A ponta positiva do IBOV foi liderada por Hapvida (HAPV3), que subiu 6,70%, a R$ 7,33. O destaque, porém, foi CSN (CSNA3), que registrou alta de 6,69% (R$ 6,38), após o anúncio de que Benjamin Steinbruch deixa o comando da companhia como CEO, depois de 24 anos. No lugar dele entra Fabio Schvartsman, que já ocupou a presidência da Vale entre 2017 e 2019.
Já a ponta negativa foi encabeçada por Prio (PRIO3), com baixa de 4,52% (R$ 61,50), em reação a dados operacionais de agosto. A companhia reportou produção consolidada diária de petróleo de 180 mil barris por dia (kbpd), queda de 5% em relação ao mês anterior. Na avaliação do Itaú BBA, o resultado foi levemente negativo.
Exterior
Os índices de Wall Street encerraram em forte alta com recuo nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, após um diretor do Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano) afirmar estar mais propenso a apoiar a manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
O mercado seguiu à espera do relatório oficial de empregos, o payroll, de agosto. O relatório deve ser divulgado amanhã (4).
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: +1,18%, aos 53.686,11 pontos;
- S&P 500: +1,06%, aos 7.747,71 pontos;
- Nasdaq: +1,40%, aos 26.584,06 pontos.
Na Europa, os mercados fecharam em alta com alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro. O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,49%, aos 649,10 pontos.
Na Ásia, os índices terminaram o pregão no negativo: o índice Nikkei, do Japão, caiu 0,17%, aos 64.214,48 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve recuo de 0,39%, aos 25.213,31 pontos.