Ibovespa cai com nova escalada no conflito no Irã e à espera de decisões de Fed e Copom; 5 coisas para saber antes de investir hoje (18)
O Ibovespa (IBOV) inicia a ‘Super Quarta’ em tom negativa, com a disparada dos preços do petróleo em meio a novos ataques dos Estados Unidos ao Irã. Há a expectativa de novos anúncios do governo sobre os combustíveis diante da ‘ameaça’ de uma greve dos caminhoneiros.
Por volta de 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira operava com queda de 0,43%, aos 179.627,56 pontos.
O dólar à vista opera em alta ante o real, na contramão do desempenho da moeda no exterior. No mesmo horário, a moeda norte-americana subia a R$ 5,2228 (+0,44%).
Day Trade:
5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta quarta-feira (18)
1 – Super Quarta
As decisões de política monetária norteiam os mercados nesta quarta-feira. Por aqui, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, em uma decisão unânime.
De acordo com a última atualizada, de segunda-feira (16), a Opções do Copom aponta 64% de chance de corte de 0,25 ponto percentual na Selic hoje.
O mercado espera alguma menção à escalada dos preços do petróleo recente com o conflito no Oriente Médio no balanço de riscos do comunicado.
Nos Estados Unidos, o mercado espera uma manutenção dos juros pelo Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed), na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Mais uma vez, a decisão deve ser divida com três dissidentes: Stephen Miran, Christopher Waller e Michelle Bowman.
Nesta manhã, o mercado projeta 99% de probabilidade de que o Fed mantenha os juros inalterados hoje e outubro passou a ser o mês mais provável para o início do afrouxmento monetário, em reação a novos dados de inflação.
A inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos subiu 0,7% em fevereiro, após uma alta de 0,5% no mês anterior. Os economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,3% na comparação mensal.
2 – Greve dos caminhoneiros
Caminhoneiros de diferentes setores defenderam uma paralisação nacional da categoria após o aumento no preço do diesel nos postos do país nas últimas semanas, com entidades que representam a categoria buscando que os motoristas cruzem os braços já nesta semana. A articulação do movimento ganhou força ontem (17).
A mobilização ainda envolve empresas transportadoras, que também são afetadas pela alta nos preços do diesel.
Em nota, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) afirmou que irá aguardar o resultado da reunião coletiva dos caminhoneiros autônomos em Santos.
O movimento ocorre após o preço médio do diesel S-10, o tipo mais vendido no Brasil, subir 18,86% no país desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, impactando os mercados globais de petróleo e combustíveis, segundo o painel online ValeCard.
Na semana passada, o governo também anunciou medidas para tentar reduzir o preço do diesel, como a isenção do PIS/Cofins, subvenção ao diesel para produtores e distribuidores, além de imposto sobre a exportação de petróleo. A Petrobras anunciou alta de 11,6% no preço do diesel A (puro) em suas refinarias, que entrou em vigor no último sábado (14).
O preço do diesel comum teve alta ainda maior no mesmo período, de mais de 22%, enquanto a gasolina avançou 10% e o etanol hidratado subiu quase 9%.
Em 2018, uma grande paralisação de caminhoneiros praticamente parou o país por 10 dias, gerando impactos na economia.
3 – Fiscalização do frete
Nesta quarta-feira, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará medidas para endurecer a fiscalização do cumprimento do frete mínimo em entrevista coletiva, em meio a receios de uma greve dos caminhoneiros.
A entrevista será dada pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, e pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio. Segundo aviso enviado pela agência, ela será usada para o anúncio de “um conjunto de medidas para intensificar a fiscalização do cumprimento da tabela do piso mínimo do frete e endurecer a responsabilização de infratores contumazes”.
4 – Mais redução de imposto sobre diesel
Na manhã de hoje, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo fará uma proposta aos governos estaduais sobre o ICMS que incide sobre os combustíveis, em meio às pressões sobre os preços geradas pela guerra no Oriente Médio e à possibilidade de uma greve dos caminhoneiros em reação à alta do diesel.
Haddad disse que a proposta será feita em reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão colegiado presidido pelo titular da Fazenda e composto pelos secretários da Fazenda dos Estados e do Distrito Federal.
“Tem reunião hoje com o Confaz, nós vamos fazer uma proposta para eles. Desenhamos uma proposta e vamos apresentá-la, mas eu não vou antecipar para não ser deselegante com os secretários que estão reunidos para essa finalidade”, disse ele a jornalistas ao chegar ao Ministério da Fazenda.
5 – Conflito no Irã
O chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, foi morto em um ataque aéreo norte-americano-israelense enquanto visitava sua filha na periferia leste de Teerã, informou a agência de notícias semioficial iraniana Fars nesta terça-feira.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, havia dito mais cedo que ele havia sido morto em um ataque israelense.
Após os assassinatos, o Irã não deve mudar sua posição em relação ao desenvolvimento de armas nucleares, segundo o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi.
O conflito no Irã entrou hoje em seu 19º dia e o foco continua sendo a reabertura total do Estreito de Ormuz.
Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou repetidamente os países aliados nos últimos dias por sua resposta fria às suas solicitações de ajuda militar para restaurar a passagem de navios petroleiros pelo Estreito.
Por outro lado, Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo do Irã, rejeitou as propostas transmitidas ao Ministério das Relações Exteriores do Irã para “reduzir as tensões ou cessar-fogo com os Estados Unidos”, de acordo com uma autoridade iraniana sênior à Reuters.
*Com informações de Reuters