Ibovespa avança com IPCA dentro do teto da meta e recordes em Wall Street; dólar cai após payroll
O Ibovespa (IBOV) acompanhou os recordes de Wall Street e a valorização do petróleo e encerrou a última sessão da primeira semana de 2026 em tom positivo.
Nesta sexta-feira (9), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com alta de 0,27%, aos 163.370,31 pontos. Na semana, o Ibovespa acumulou ganho de 1,77%.
Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3658, com queda de 0,43%. No acumulado da semana, a moeda desvalorizou 1,10% ante o real.
No cenário doméstico, os investidores reagiram à inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a acelerar no mês de dezembro, mas fechou o ano de 2025 dentro do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central (BC).
A inflação oficial do Brasil subiu 0,33% em dezembro do ano passado, após alta de 0,18% em novembro, e em linha com a expectativa do mercado.
Apesar da aceleração, o IPCA fechou 2025 em 4,26%, cumprindo com a meta do BC — de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A variação acumulada em 12 meses até dezembro é a menor registrada pela inflação brasileira desde 2018, quando ficou em 3,75%.
O resultado, porém, não alterou a perspectiva do mercado sobre a trajetória da Selic, com aposta majoritária de início de afrouxamento monetário em março.
O acordo entre União Europeia e Mercosul também concentrou as atenções. Após mais de 25 anos de negociações, a UE aprovou o acordo, abrindo caminho para a criação da maior zona de livre comércio do mundo, com várias cláusulas destinadas a acalmar a oposição dos agricultores europeus.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, disse que o governo espera que o acordo entre em vigor ainda em 2026, após aprovação final das partes envolvidas.
Em entrevista a jornalistas, Alckmin afirmou que a assinatura fortalece o multilateralismo e o comércio, além de ampliar o potencial de investimentos entre os dois blocos.
Altas e quedas do Ibovespa
Entre as companhias listadas no Ibovespa (IBOV), as ações da Multiplan (MULT3), Raízen (RAIZ4) e Cury (CURY3) lideraram os ganhos da ponta positiva.
Cogna (COGN3) também manteve o ritmo de alta. Dessa vez, a educacional foi beneficiada pela revisão positiva das estimativas pelo UBS BB.
Os analistas do banco consideram que a melhora dos fundamentos da Cogna pode sustentar os níveis atuais de valuation, mesmo após a alta de 240% em 2025 – “precificando de forma justa a relação risco-retorno da companhia”, afirmaram Andre Salles, Leonardo Olmos e Eduardo Resende.
Na ponta negativa, as ações cíclicas encabeçaram a ponta negativa com a abertura da curva de juros nos vértices de curto e médio prazos. Assaí (ASAI3), Azzas 2154 (AZZA3) e Magazine Luiza (MGLU3) figuraram entre as maiores perdas.
GPA (PCAR3) também foi um dos destaques negativos com a renúncia de Rafael Russowsky aos cargos de diretor financeiro (CFO) e de Relações com Investidores da companhia.
Entre os pesos-pesados, Petrobras (PETR4) acompanhou o desempenho do petróleo e encerrou o dia em tom positivo. O contrato mais líquido do petróleo Brent, para março, encerrou as negociações com salto de 2,28%, a US$ 63,34 o barril, a Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, em meio a tensões geopolíticas.
Já as ações da Vale (VALE3) caíram cerca de 1% e mantiveram a tendência negativa após o Safra rebaixar a recomendação de compra para neutra. Para o banco, a mineradora não deve anunciar novos dividendos extraordinários antes de meados de 2027.
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Exterior
Os índices de Wall Street reagiram a novos dados do mercado de trabalho. Os índices S&P 500 e Dow Jones renovaram os recordes de fechamento.
O payroll, apontou a criação de 50 mil vagas de emprego em dezembro do ano passado, segundo dados do o Departamento do Trabalho do país. O número veio abaixo do esperado.
A ação militar dos Estados Unidos na Venezuela continuou no radar.
Na Europa, os índices encerraram a sessão em forte alta com apoio das ações do setor de defesa, que mantiveram o ritmo de ganhos pela quinto dia consecutivo. O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com avanço de 0,37%, aos 609,67 pontos, em novo recorde nominal histórico.
Na Ásia, os índices fecharam o pregão em tom positivo. O índice Nikkei, do Japão, subiu 1,61%, aos 51.939,89 pontos. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 0,32%, aos 26.231,79 pontos.