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Ibovespa engata 3ª semana de queda com riscos domésticos e Vale

17/09/2021 - 17:35
B3 Ibovespa 56
O volume negociado no pregão nesta sexta-feira somou 44,58 bilhões de reais (Imagem: Facebook/B3)

O Ibovespa (IBOV) fechou em queda de quase 2% nesta sexta-feira, engatando a terceira perda semanal consecutiva e renovando mínima em seis meses, reflexo do desconforto de agentes financeiros com um combo de questões sem sinais de equacionamento no curto prazo no Brasil..

O risco de desrespeito ao teto dos gastos é um dos problemas que ocupa os holofotes no momento, sem avanço nas negociações envolvendo os precatórios, com uma fatura de quase 90 bilhões de reais a vencer em 2022, enquanto o governo busca um Auxílio Brasil mais robusto.

Na quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro editou um decreto com elevação do IOF para custear o aumento no valor do novo programa social do governo que irá substituir o Bolsa Família.

Essa dúvida tem fomentado preocupações com a situação fiscal no país e a percepção é de que, sem um desfecho, continuará pressionado os ativos brasileiros.

Ao mesmo tempo, há piora nas perspectivas de crescimento da economia brasileira, inflação elevada e juros maiores, bem como uma crise hídrica. Na próxima semana, o Banco Central anuncia decisão de política monetária e a previsão é de que a Selic seja elevada para 6,25% ao ano.

No exterior, o noticiário chinês, principalmente, tem corroborado com as vendas na bolsa paulista, em meio a sinais de desaceleração da segunda maior economia do mundo, bem como medidas regulatórias, o que tem pressionado os mercados de ações e commodities, notadamente os preços do minério de ferro.

“O principal ponto é o desaquecimento econômico do lado chinês, bem como a continuidade nas sanções do lado corporativo, que tem afetado principalmente o preço do minério de ferro”, afirmou Antonio Pedrolin, líder da mesa de renda variável da Blue3, destacando o reflexo em particular nas ações da Vale.

Wall Street pouco ajudou nesta semana, com o S&P 500 também acumulando o segundo declínio semanal consecutivo, em meio a receios sobre o ritmo da atividade econômica norte-americana e o risco de aumento na tributação de empresas, com decisão do Federal Reserve na próxima quarta-feira.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa caiu 2,07%, a 111.439,37 pontos, menor patamar de fechamento desde 9 de março, acumulando perdas de 2,49% na semana e de 6,18% no mês. No ano, a queda agora é de 6,37%.

O índice Small Caps cedeu 1,16%, a 2.742,19 pontos, mas subiu 0,57% na semana, enquanto no mês ainda perde 3,75%, contabilizando declínio de 2,84% em 2021.

O volume negociado no pregão nesta sexta-feira somou 44,58 bilhões de reais, influenciado pelas operações relacionadas ao vencimento de opções sobre ações.

Destaques do Ibovespa do Acumulado do Mês:

Vale (VALE3) perde 12,70%, pressionada pelo declínio nos preços do minério de ferro na China em meio a restrições na produção siderúrgica no país asiático e perspectivas de aumento da oferta da commodity no mundo, além de sinais de desaquecimento da segunda maior economia do mundo.

Nem o anúncio de dividendo de 8,10 reais por ação pela mineradora atenuou as vendas. Apenas nessa semana, a ação acumulou queda de mais de 9%.

No setor, Usiminas (USIM5), CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4) caem 19,97%, 14,52% e 13,14% no mês, respectivamente.

VIA (VVAR3) contabiliza uma perda de 18,58%, entrando no terceiro mês consecutivo de baixa, com o noticiário nas últimas semanas incluindo investimento em startups, enquanto busca ampliar serviços do braço financeiro BanQi.

Outros pares do setor também vêm sofrendo, em meio perspectivas de desaceleração nas vendas no terceiro trimestre.

Magazine Luiza (MGLU3) cai 9,16% e Americanas (AMER3) perde 11,12%.

Cielo (CIEL3) recua 14,29%, no quarto mês seguido de baixa, tendo atingido mínima histórica intradia a 2,35 reais nessa semana, conforme segue castigada por fatores como queda na participação de mercado e ausência de sinais de trégua na concorrência em meios de pagamentos.

Na última segunda-feira, a empresa anunciou a cessão de direitos relacionados à plataforma Bitz.

Minerva (BEEF3) sobe 16,72%, com o setor de proteínas entre os destaques positivos no mês.

Marfrig (MRFG3) avançou 10,28% e JBS (JBSS3) teve alta de 4,59%, resistindo à suspensão de exportações de carne bovina brasileira para a China, bloqueio temporário à Arábia Saudita e maiores restrições nos embarques à Rússia, após registro de dois casos atípicos de vaca louca.

Antes disso, o setor vinha passando por um momento de exportação de carne bovina recorde pelo Brasil, com embarques de frango e suínos também mostrando altas relevantes.

Assaí (ASSI3) valoriza-se 13,03%, reagindo após acumular performance negativa no mês passado. O grupo anunciou nessa semana parceria com a Cornershop, que permitirá que clientes em mais de 25 cidades façam suas compras pelo aplicativo Cornershop by Uber ou por meio da funcionalidade Mercado, disponível no Uber e Uber Eats.

Weg (WEGE3) avança 10,21%, buscando retomar fôlego, após correção desde as máximas históricas no começo do ano, de mais de 20% até o final de agosto.

No começo da semana, a companhia anunciou a aquisição da empresa mineira de transformadores para instrumentos e conjuntos de medição Balteau, aumentando portfólio de produtos complementares.

Veja o comportamento dos principais índices setoriais na B3 no acumulado do mês:

– Índice financeiro: -7,73%

– Índice de consumo: -2,26%

– Índice de Energia Elétrica: -0,21%

– Índice de materiais básicos: -11,74%

– Índice do setor industrial: -4,87%

– Índice imobiliário: -4,36%

– Índice de utilidade pública: +0,34%

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Última atualização por André Luiz - 17/09/2021 - 18:11

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