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Ibovespa (IBOV) sofre com Wall Street e queda de braço entre Lula e Campos Neto; BBAS3 fecha no azul

14 fev 2023, 18:14 - atualizado em 14 fev 2023, 18:33
Ibovespa
Ibovespa é pressionado por Wall Street e falas de Lula sobre meta de inflação (Imagem: Patricia Monteiro/Bloomberg)

O Ibovespa (IBOV) teve um pregão pressionado nesta terça-feira (14), com os mercados reagindo aos dados de inflação nos Estados Unidos e a falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a meta de inflação brasileira.

Seguindo a performance morna em Wall Street, o índice de referência da Bolsa brasileira fechou em queda de 0,91%, a 107.848,81 pontos.

Pela manhã, investidores reagiram aos dados do índice de preços ao consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que, em janeiro, subiu 0,5% na base mensal e avançou 6,4% no confronto anual, ficando ligeiramente acima das estimativas do mercado.

Apesar disso, a alta no índice acumulado é o menor aumento de 12 meses desde o período encerrado em outubro de 2021.

O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis, como alimentos e energia, subiu 0,4% no mês e 5,6% na base anual, ante a previsão de aumentos de 0,4% e 5,5%, respectivamente.

Segundo o Departamento do Trabalho dos EUA, que divulgou os dados, o acumulado do núcleo também registrou o seu menor aumento em 12 meses desde dezembro de 2021.

Lula e a meta de inflação

Novas falas de Lula sobre a meta de inflação chacoalharam o cenário local. O presidente da República tem mostrado descontentamento com a atuação do Banco Central contra a pressão inflacionária, gerando ruídos na performance do mercado.

Segundo o Broadcast, Lula teria avisado a equipe econômica que quer um aumento de 1 ponto percentual na meta de inflação de 2023, de 3,25% para 4,25%, com um limite de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Lula avalia que a mudança permitiria reduzir a Selic, taxa básica de juros do Brasil, uma vez que a inflação estaria dentro da meta, um requisito exigido pelo BC para rever a política monetária e futuros cortes na taxa de juros.

Para Lula, a Selic poderia fechar 2023 no patamar de 12% ao ano.

Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos, explica que essa interferência de Lula na autonomia do BC é o que faz com que a Bolsa apresente sessões de instabilidade e caia.

Ao participar do programa Roda Vida da TV Cultura, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que não existe ganho de credibilidade se simplesmente aumentar a meta de inflação.

“No final das contas, você terá uma expectativa de inflação que caminhará para a meta nova, como vai ganhar um prêmio de risco maior ainda. Então, em vez de ganhar flexibilidade [para cortar os juros], você vai perder”, comentou Campos Neto, na entrevista.

Nesta terça, em evento promovido pelo BTG Pactual, Campos Neto disse que a meta de inflação não é um instrumento de política monetária e que esse é um papel da taxa Selic.

BBAS3 é destaque do dia

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) foram destaque de alta do Ibovespa hoje, fechando com ganhos de 2,34%. Investidores e analistas digeriram os resultados do quarto trimestre de 2022 da companhia, que reportou um lucro líquido ajustado de R$ 9 bilhões no período, superando as projeções do consenso.

O Carrefour Brasil (CRFB3) também divulgou seus números trimestrais e viu suas ações subirem quase 3%.

Do lado negativo, os papéis da CVC Brasil (CVCB3) perderam 6,72%. A Raízen (RAIZ4), que divulga seus resultados nesta terça, após o fechamento do mercado, apresentou desvalorização de 7,45%.

A Petrobras (PETR4) mostrou desempenho fraco na Bolsa diante da correção nos preços do petróleo. Já Vale (VALE3) avançou 0,45%, reflexo da alta do minério de ferro nos mercados chineses, apesar da recente sessão volátil.

Editora-assistente
Formada em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atua como editora-assistente do Money Times há pouco mais de três anos cobrindo ações, finanças e investimentos. Antes do Money Times, era colaboradora na revista de Arquitetura, Urbanismo, Construção e Design de interiores Casa & Mercado.
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Formada em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atua como editora-assistente do Money Times há pouco mais de três anos cobrindo ações, finanças e investimentos. Antes do Money Times, era colaboradora na revista de Arquitetura, Urbanismo, Construção e Design de interiores Casa & Mercado.
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