Ibovespa (IBOV) realiza ganhos da véspera e cai com as atenções voltadas ao exterior; 5 coisas para saber antes de investir hoje (7)
O Ibovespa (IBOV) fica à mercê do exterior em mais um dia recheado de dados nos Estados Unidos. Por lá, saem os primeiros dados do mercado de trabalho e os indicadores devem balizar as apostas para a decisão do Federal Reserve (Fed) no final deste mês.
Os desdobramentos da ação militar norte-americana na Venezuela seguem no radar.
Por volta de 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira operava com leve queda de 0,20%, aos 163.341,10 pontos.
O dólar à vista opera em alta ante o real, em sintonia com o desempenho da divisa no exterior. No mesmo horário, a moeda norte-americana subia a R$ 5,3907 (+0,20%), na máxima intradia.
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5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta quarta-feira (7)
1 – Balança comercial
O Brasil encerrou 2025 com saldo positivo de US$ 68,293 bilhões na balança comercial, terceiro melhor resultado anual já registrado. O ano contou com um recorde de exportações e um crescimento mais forte das importações, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O superávit ficou acima das previsões do governo. O MDIC previa um saldo positivo de US$ 60,9 bilhões, em estimativa informada em outubro.
O ministério também apresentou sua projeção para o saldo comercial em 2026, estimando um resultado positivo de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões.
Para a economista da XP, Luíza Pinese, o superávit comercial foi ligeiramente menor em 2025. “Os volumes ainda elevados de importações compensaram o forte desempenho das exportações”, afirmou.
Ela ainda considera que a queda dos preços do petróleo adiciona viés baixista à projeção da XP de balança comercial de US$ 69,0 bilhões em 2026.
2 – Salário mínimo e isenção do IR
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou nesta quarta-feira que o reajuste do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil vão injetar R$110 bilhões na economia em 2026.
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, ele afirmou ainda acreditar que seja possível aprovar o fim da escala de trabalho 6 x 1 em um ano eleitoral.
“A soma dos dois, a isenção do Imposto de Renda mais a correção do salário mínimo, injetará no ano R$110 bilhões na economia brasileira”, disse o ministro na entrevista.
No ano passado, o Congresso Nacional aprovou e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a isenção, com vigência já a partir deste mês de janeiro, de IR para pessoas que ganham até R$ 5 mil, e um desconto para aqueles que recebem entre R$ 5 mil e R$ 7.350 por mês. O valor do salário mínimo, por sua vez, foi reajustado em 6,79%, para R$ 1.621.
3 – Carne bovina
O Brasil ultrapassou os Estados Unidos como o maior produtor mundial de carne bovina no ano passado, de acordo com estimativas de mercado.
O Brasil já era o maior exportador de carne bovina, com embarques avaliados em quase US$ 17 bilhões em 2025, de acordo com dados comerciais do governo divulgados na terça-feira. Os números da produção de carne bovina não devem ser divulgados até fevereiro, mas analistas aumentaram recentemente suas estimativas. Fazendeiros têm enviado mais animais para o abate, lucrando com a alta demanda de exportação de países como a China e os EUA, onde a oferta baixa elevou os preços da carne bovina a níveis recordes.
O Rabobank, que esperava que a produção de carne bovina do Brasil diminuísse em 2025, agora vê um crescimento de 0,5% para 12,5 milhões de toneladas de peso equivalente em carcaça. Em dezembro, o Departamento de Agricultura dos EUA aumentou sua estimativa para a produção brasileira de carne bovina em 450.000 toneladas, para 12,35 milhões de toneladas.
Se os números oficiais confirmarem as estimativas do mercado, 2025 será o primeiro ano em que a produção brasileira terá superado a produção dos EUA, que caiu 3,9% para 11,8 milhões de toneladas em 2025, de acordo com as estimativas do USDA, após anos de seca.
4 – EUA na Venezuela
A Venezuela estará “entregando” de 30 a 50 milhões de barris de petróleo sancionado aos Estados Unidos, disse o presidente Donald Trump nesta terça-feira (7), após a derrubada de Nicolás Maduro, retirado de seu país por forças dos EUA no fim de semana.
“Esse petróleo será vendido a seu preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos!”, disse Trump em uma publicação em rede social.
5 – Impacto do petróleo da Venezuela
Durante a coletiva de imprensa sobre a balança comercial, realizada ontem, o ministro do MDIC e vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que, embora a Venezuela tenha uma grande reserva de petróleo, um eventual aumento nas vendas do produto após intervenção dos Estados Unidos no país dependerá de investimento, não sendo algo que pode ser feito “em 24 horas”.
Segundo ele, as exportações de petróleo do Brasil devem crescer neste ano por causa da exploração do pré-sal.
Já em relação ao fluxo comercial entre os dois países, Alckmin disse que a Venezuela hoje responde por apenas 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul, sendo pouco relevante para o comércio exterior do Brasil.
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*Com informações de Reuters