Ibovespa cai quase 10% em outubro e tem pior desempenho mensal desde 2022 com vitória de Lula; veja maiores altas e baixas no mês
O Ibovespa (IBOV) apagou os ganhos do mês anterior e tombou em outubro com as eleições em foco. No mês, o principal índice da bolsa brasileira caiu 9,88% e encerrou o último pregão aos 167.921,80 pontos. a maior queda mensal desde junho de 2022.
Em contrapartida, o dólar à vista acumulou valorização de 5,20% sobre o real no mês e terminou a última sessão cotado a R$ 5,4443.
Por aqui, a vitória surpresa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o mercado reprecificar as posições e resultou em um forte ajuste na Bolsa, câmbio e curva de juros futuros.
No último domingo (25), Lula encerrou o segundo turno à frente com 51,79% dos votos válidos ante 48,21% do adversário Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de mais de 4,3 milhões de votos.
O resultado contrariou as pesquisas eleitorais e a disputa do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro (PL) encerrou com vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o petista e era percebido como mais alinhado ao mercado.
“O descompasso de expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas resultou em um movimento generalizado de liquidação na bolsa, evidenciando a cautela dos investidores em relação às futuras diretrizes econômicas e fiscais do país”, avalia Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Com incertezas sobre ‘Lula 4’ e o time de ministros, a curva de juros também zerou a aposta de continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic. Na última atualização, datada na última quarta-feira (28), as Opções do Copom da B3 precificavam 66,50% de chance de o Comitê manter os juros em 13,75% na decisão da próxima quarta-feira (4).
Antes do segundo turno, a probabilidade majoritária, de 75,9%, era de corte de 0,25 pontos-base da Selic, de 13,75% para 13,50%.
Todos os olhos nos EUA
As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã para pôr fim aos conflitos no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz continuaram em um impasse e sem perspectiva de uma resolução no curto prazo. Com isso, o petróleo Brent manteve-se acima de US$ 100 por barril.
Na política monetária, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) manteve os juros inalterados na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, em uma decisão não unânime. Lisa Cook e Beth Hammack votaram pela alta de 25 pontos-base nos juros na reunião.
Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a inflação nos Estados Unidos continua elevada e que o banco central ainda precisa de mais informações para determinar se o nível atual dos juros será suficiente para levar a alta dos preços à meta de 2%.
Ele também anunciou mudanças no calendário do BC: o Fomc manterá oito encontros em 2027, sendo uma reunião dedicada exclusivamente à discussão da estratégia de política monetária. No ano seguinte, duas reuniões serão voltadas à estratégia e seis para definir a política monetária.
Os índices de Wall Street tiveram um saldo misto em outubro: o Dow Jones subiu 1,7%, o S&P 500 caiu 0,09% e o Nasdaq acumulou recuo de 5,3%.
As maiores altas do Ibovespa em outubro
A ponta positiva do Ibovespa foi liderada por Prio (PRIO), beneficiada pela forte valorização do petróleo no mercado internacional. No mês, o contrato futuro do Brent, referência para o mercado global, saltou 15,7%.
A junior oil é a que tem maior exposição a preços mais altos de petróleo, por ter 100% da produção em óleo e menor nível de hedge, enquanto Petrobras (PETR3;PETR4), Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) apresentam menor sensibilidade devido a refino, hedge e maior participação de gás natural.
As exportadoras também são destaques entre as altas de outubro, beneficiadas pelo desempenho do dólar ante o real.
Confira as maiores altas:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO MENSAL |
| PRIO3 | PRIO ON | 17,39% |
| SUZB3 | Suzano ON | 13,44% |
| PETR3 | Petrobras ON | 11,40% |
| CXSE3 | Caixa Seguridade ON | 7,55% |
| PETR4 | Petrobras PN | 7,31% |
| BBSE3 | BB Seguridade ON | 5,46% |
| TIMS3 | Tim ON | 4,58% |
| GGBR4 | Gerdau PN | 3,54% |
| VIVT3 | Telefônica Brasil ON | 3,37% |
| EMBJ3 | Embraer ON | 2,37% |
As maiores quedas do índice no mês
Na ponta negativa, Vamos (VAMO3) recuou quase 45% em outubro, pressionada pelo cenário mais avesso a risco e estresse no mercado de juros futuros.
Os números do terceiro trimestre (3T26), porém, foram bem-recebidos pelo mercado.
A empresa de aluguel de caminhões controlada pela Simpar registrou lucro líquido de R$ 150,9 milhões entre julho e setembro, alta de 199,1% na base anual. De acordo com a companhia, o resultado se deu pela forte demanda em praticamente todos os setores atendidos e pelo aumento da rentabilidade.
Confira as maiores quedas de outubro no IBOV:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO MENSAL |
| VAMO3 | Vamos ON | -44,65% |
| CSAN3 | Cosan ON | -41,16% |
| CYRE3 | Cyrela ON | -37,12% |
| HAPV3 | Hapvida ON | -37,03% |
| BEEF3 | Minerva ON | -35,28% |
| CEAB3 | C&A Modas ON | -34,70% |
| CSNA3 | CSN ON | -32,76% |
| COGN3 | Cogna ON | -31,90% |
| RENT3 | Localiza ON | -31,23% |
| USIM5 | Usiminas PNA | -28,67% |