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Ibovespa cai quase 10% em outubro e tem pior desempenho mensal desde 2022 com vitória de Lula; veja maiores altas e baixas no mês

30 out 2026, 17:54 - atualizado em 30 out 2026, 18:05
ibovespa
(Imagem: iStock/marketlan)

O Ibovespa (IBOV) apagou os ganhos do mês anterior e tombou em outubro com as eleições em foco. No mês, o principal índice da bolsa brasileira caiu 9,88% e encerrou o último pregão aos 167.921,80 pontos. a maior queda mensal desde junho de 2022.

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Em contrapartida, o dólar à vista acumulou valorização de 5,20% sobre o real no mês e terminou a última sessão cotado a R$ 5,4443.

Por aqui, a vitória surpresa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o mercado reprecificar as posições e resultou em um forte ajuste na Bolsa, câmbio e curva de juros futuros.

No último domingo (25), Lula encerrou o segundo turno à frente com 51,79% dos votos válidos ante 48,21% do adversário Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de mais de 4,3 milhões de votos.

O resultado contrariou as pesquisas eleitorais e a disputa do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro (PL) encerrou com vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o petista e era percebido como mais alinhado ao mercado.

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“O descompasso de expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas resultou em um movimento generalizado de liquidação na bolsa, evidenciando a cautela dos investidores em relação às futuras diretrizes econômicas e fiscais do país”, avalia Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Com incertezas sobre ‘Lula 4’ e o time de ministros, a curva de juros também zerou a aposta de continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic. Na última atualização, datada na última quarta-feira (28), as Opções do Copom da B3 precificavam 66,50% de chance de o Comitê manter os juros em 13,75% na decisão da próxima quarta-feira (4).

Antes do segundo turno, a probabilidade majoritária, de 75,9%, era de corte de 0,25 pontos-base da Selic, de 13,75% para 13,50%.

Todos os olhos nos EUA

As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã para pôr fim aos conflitos no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz continuaram em um impasse e sem perspectiva de uma resolução no curto prazo. Com isso, o petróleo Brent manteve-se acima de US$ 100 por barril.

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Na política monetária, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) manteve os juros inalterados na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, em uma decisão não unânime. Lisa Cook e Beth Hammack votaram pela alta de 25 pontos-base nos juros na reunião.

Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a inflação nos Estados Unidos continua elevada e que o banco central ainda precisa de mais informações para determinar se o nível atual dos juros será suficiente para levar a alta dos preços à meta de 2%.

Ele também anunciou mudanças no calendário do BC: o Fomc manterá oito encontros em 2027, sendo uma reunião dedicada exclusivamente à discussão da estratégia de política monetária. No ano seguinte, duas reuniões serão voltadas à estratégia e seis para definir a política monetária.

Os índices de Wall Street tiveram um saldo misto em outubro: o Dow Jones subiu 1,7%, o S&P 500 caiu 0,09% e o Nasdaq acumulou recuo de 5,3%.

As maiores altas do Ibovespa em outubro

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A ponta positiva do Ibovespa foi liderada por Prio (PRIO), beneficiada pela forte valorização do petróleo no mercado internacional. No mês, o contrato futuro do Brent, referência para o mercado global, saltou 15,7%.

A junior oil é a que tem maior exposição a preços mais altos de petróleo, por ter 100% da produção em óleo e menor nível de hedge, enquanto Petrobras (PETR3;PETR4), Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) apresentam menor sensibilidade devido a refino, hedge e maior participação de gás natural.

As exportadoras também são destaques entre as altas de outubro, beneficiadas pelo desempenho do dólar ante o real.

Confira as maiores altas:

CÓDIGONOMEVARIAÇÃO MENSAL
PRIO3PRIO ON17,39%
SUZB3Suzano ON13,44%
PETR3Petrobras ON11,40%
CXSE3Caixa Seguridade ON7,55%
PETR4Petrobras PN7,31%
BBSE3BB Seguridade ON5,46%
TIMS3Tim ON4,58%
GGBR4Gerdau PN3,54%
VIVT3Telefônica Brasil ON3,37%
EMBJ3Embraer ON2,37%
Fonte: B3

As maiores quedas do índice no mês

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Na ponta negativa, Vamos (VAMO3) recuou quase 45% em outubro, pressionada pelo cenário mais avesso a risco e estresse no mercado de juros futuros.

Os números do terceiro trimestre (3T26), porém, foram bem-recebidos pelo mercado.

A empresa de aluguel de caminhões controlada pela Simpar registrou lucro líquido de R$ 150,9 milhões entre julho e setembro, alta de 199,1% na base anual. De acordo com a companhia, o resultado se deu pela forte demanda em praticamente todos os setores atendidos e pelo aumento da rentabilidade.

Confira as maiores quedas de outubro no IBOV:

CÓDIGONOMEVARIAÇÃO MENSAL
VAMO3Vamos ON-44,65%
CSAN3Cosan ON-41,16%
CYRE3Cyrela ON-37,12%
HAPV3Hapvida ON-37,03%
BEEF3Minerva ON-35,28%
CEAB3C&A Modas ON-34,70%
CSNA3CSN ON-32,76%
COGN3Cogna ON-31,90%
RENT3Localiza ON-31,23%
USIM5Usiminas PNA-28,67%
Fonte: B3
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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
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Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
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