CSN (CSNA3): venda da divisão de cimentos traz alívio, mas credibilidade depende de novos desinvestimentos
A CSN (CSNA3) anunciou na manhã desta sexta-feira (30) a venda da CSN Cimentos com exclusividade para a chinesa Huaxin por R$ 12,7 bilhões, com prazo de dez dias para o acordo.
A holding encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com dívida de R$ 42,1 bilhões e recentemente havia vendido um ativo de siderurgia na Alemanha por € 500 milhões, o equivalente a R$ 3 bilhões. O movimento foi avaliado positivamente por casas como o BTG Pactual e a XP Investimentos. No entanto, a transação aguardada era a venda da divisão de cimentos.
O negócio foi avaliado positivamente pelos analistas do mercado, visto que isso pode dar um alívio na alavancagem da companhia, melhorar o perfil de crédito e trazer maior visibilidade para os passos de desinvestimento da CSN mais adiante.
Apesar da notícia, a siderúrgica encerrou o pregão desta sexta-feira como a segunda maior queda do Ibovespa, com tombo de 8,49% (R$ 3,88), acompanhando a leitura do resultado negativo do terceiro trimestre de 2026 da Usiminas (USIM5).
Melhora no perfil de crédito
Para a XP Investimentos, o anúncio da venda da CSN Cimentos é positivo para o perfil de crédito da holding, uma vez que representa um avanço relevante na execução do plano de desalavancagem, principal vetor de melhora da estrutura de capital da companhia.
Com base nas estimativas da corretora, a concretização da transação poderia reduzir a alavancagem ajustada de 5,15 vezes para aproximadamente 4,64 vezes, uma queda de 0,5 vez. Isso baseado em uma metodologia que considera, além da dívida financeira tradicional, os passivos de arrendamento, risco sacado e adiantamentos de clientes.
A XP espera a recompra de pelo menos US$ 200 milhões do novo bond com vencimento em 2030, emitido em agosto deste ano, o que permitiria a redução de seu cupom de 11,0% para 10,5% ao ano, conforme cláusula prevista na emissão.
A reação do mercado internacional de bonds, que apresenta maior liquidez em relação ao mercado de crédito local, foi positiva ao anúncio, segundo a corretora. Os títulos mencionados acima chegaram a negociar a cerca de US$ 7 acima dos níveis anteriores à divulgação, movimento parcialmente revertido, mas ainda acumulam valorização de cerca de US$ 5, equivalente a aproximadamente 9%.
Na avaliação da XP, a operação proporciona um alívio importante ao balanço no curto prazo, especialmente diante do elevado custo da dívida e dos desafios operacionais enfrentados pela companhia.
“Apesar da recuperação observada na siderurgia, beneficiada pelas medidas antidumping e pela melhora dos volumes comercializados, a mineração, historicamente um dos principais vetores de geração de caixa do grupo, atravessa um momento mais desafiador”, afirma.
“A forte elevação dos custos de frete marítimo e a pressão sobre as margens levaram à recente revisão negativa das projeções de produção e custos da CSN Mineração, limitando sua contribuição para a desalavancagem consolidada.”
Além do venda da divisão de cimentos e dos ativos da Alemanha, novos desinvestimentos em infraestrutura, a continuidade da recuperaççao da siderurgia e a capacidade de liberar capital de giro, especialmente por meio da redução de estoques são importantes de serem acompanhados.
“Também será fundamental manter a disciplina financeira e converter a melhora operacional em geração consistente de caixa”, diz.
Mesmo com os avanços, a corretora segue cautelosa com o crédito da companhia, considerando o endividamento elevado e a necessidade de continuidade no plano de desalavancagem.
Situação mais confortável para 2027
O Bradesco BBI considera que, embora sejam necessários outros desinvestimentos para levar a alavancagem da companhia a níveis mais saudáveis, uma venda bem-sucedida da CSN Cimentos proporcionaria um alívio significativo ao balanço da siderúrgica.
Isso, segundo o BBI, ajudaria a deixar a CSN em uma posição melhor para 2027 e concederia mais tempo para a execução de sua estratégia mais ampla de desinvestimentos.
O banco de investimentos estima que a transação tenha o potencial de reduzir o encargo anual com juros da CSN em quase R$ 1,5 bilhão.
Problemas de siderurgia persistem
Para o BTG Pactual, a venda da CSN Cimentos representa um avanço importante na estratégia de desalavancagem da companhia, ao dar maior visibilidade ao plano de redução do endividamento e proporcionar um alívio financeiro no curto prazo.
O banco avalia, porém, que a transação, sozinha, não será suficiente para resolver os problemas de estrutura de capital da siderúrgica. “Embora o processo de venda de ativos esteja avançando, os investidores ainda precisam de confirmações para reprecificar o risco do grupo”, avaliam os analistas.
Segundo o BTG, a CSN ainda precisará avançar em novos desinvestimentos para reduzir sua alavancagem a níveis mais saudáveis. O desafio é ainda maior diante de um cenário operacional pressionado, com dificuldades na siderurgia brasileira e margens menores na mineração, afetadas pelos custos elevados de frete e por uma dinâmica de mercado menos favorável.
Assim, embora a venda da unidade de cimentos seja positiva por abrir espaço para a redução da dívida e melhorar a posição financeira da companhia nos próximos trimestres, a recuperação sustentável dependerá da execução de novas vendas de ativos e da melhora na geração operacional de caixa.