Inadimplência das empresas bate recorde e supera 9 milhões de CNPJs no Brasil
O número de empresas inadimplentes bateu recorde no Brasil e ultrapassou a marca de 9,1 milhões de CNPJs negativados em junho de 2026, segundo dados da Serasa Experian.
Ao todo, as dívidas em atraso somavam R$ 232,9 bilhões no período, um crescimento de 16,67% em relação ao mesmo mês de 2025 e o maior valor registrado pela série histórica iniciada em 2016.
Cada empresa negativada acumulava, em média, R$ 25.508,96 em débitos. Os atrasos estavam distribuídos em cerca de 7,3 contas por CNPJ.
Além do aumento no valor das dívidas, a quantidade de contas em atraso também avançou. Em junho, as empresas acumulavam 66,2 milhões de débitos vencidos, acima dos 56,2 milhões registrados um ano antes e cerca de 1 milhão a mais do que em maio.
Micro e pequenas empresas concentram a maior parte das dívidas
As pequenas e microempresas (PMEs) continuam representando a maior parcela da inadimplência corporativa brasileira.
Do total de empresas negativadas, 8,6 milhões pertencem a esse segmento. Juntas, elas acumulam R$ 201,4 bilhões em dívidas não pagas, distribuídas em 59,7 milhões de débitos.
Nesse grupo, o valor médio devido por empresa chega a R$ 23.181,56. Cada CNPJ possui, em média, 6,9 contas em atraso, com valor médio de R$ 3.370,47 por débito.
Juros altos seguem pressionando as empresas
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, os juros elevados continuam sendo um dos principais obstáculos para a recuperação financeira das empresas.
Para a especialista, a manutenção da taxa Selic em patamar elevado encarece o crédito e dificulta tanto a reorganização das dívidas quanto a recuperação do caixa das companhias.
Além disso, a desaceleração da atividade econômica reduz o ritmo de crescimento das receitas justamente em um momento em que muitas empresas ainda tentam equilibrar suas contas.
“Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa”, afirmou a economista.
Setor de serviços lidera a inadimplência
Na divisão por atividade econômica, o setor de Serviços concentra a maior parte das empresas negativadas do país, respondendo por 55,7% do total.
Na sequência aparecem:
- Comércio: 32,2%;
- Indústria: 8,0%;
- Setor Primário: 0,9%.
Os dados indicam que os segmentos mais dependentes de capital de giro e financiamento continuam sendo os mais afetados pelo ambiente de crédito restritivo.
Quem são os principais credores
Pelo lado dos credores, o setor de Serviços também responde pela maior fatia das dívidas acumuladas, com participação de 31,6%.
Na sequência aparecem:
- Bancos e cartões: 19,5%;
- Cooperativas de crédito: 8,4%;
- Utilities (água, energia e gás): 6,9%;
- Telefonia: 6,0%.
- Estados com mais empresas negativadas
São Paulo lidera o ranking nacional de inadimplência corporativa, com 3,1 milhões de empresas negativadas.
Confira os estados com o maior número de CNPJs inadimplentes:
- São Paulo: 3.126.658;
- Minas Gerais: 907.558;
- Rio de Janeiro: 874.385;
- Paraná: 601.986;
- Rio Grande do Sul: 527.555.
O levantamento mostra que a inadimplência empresarial continua avançando mesmo entre os maiores centros econômicos do país, refletindo os desafios enfrentados pelas empresas em um cenário de crédito caro e crescimento mais lento da atividade econômica.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.