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Inadimplência das empresas bate recorde e supera 9 milhões de CNPJs no Brasil

18 ago 2026, 10:41
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Micro e pequenas empresas concentram a maior parte das dívidas. (Imagem: Pixabay)

O número de empresas inadimplentes bateu recorde no Brasil e ultrapassou a marca de 9,1 milhões de CNPJs negativados em junho de 2026, segundo dados da Serasa Experian.

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Ao todo, as dívidas em atraso somavam R$ 232,9 bilhões no período, um crescimento de 16,67% em relação ao mesmo mês de 2025 e o maior valor registrado pela série histórica iniciada em 2016.

Cada empresa negativada acumulava, em média, R$ 25.508,96 em débitos. Os atrasos estavam distribuídos em cerca de 7,3 contas por CNPJ.

Além do aumento no valor das dívidas, a quantidade de contas em atraso também avançou. Em junho, as empresas acumulavam 66,2 milhões de débitos vencidos, acima dos 56,2 milhões registrados um ano antes e cerca de 1 milhão a mais do que em maio.

Micro e pequenas empresas concentram a maior parte das dívidas

As pequenas e microempresas (PMEs) continuam representando a maior parcela da inadimplência corporativa brasileira.

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Do total de empresas negativadas, 8,6 milhões pertencem a esse segmento. Juntas, elas acumulam R$ 201,4 bilhões em dívidas não pagas, distribuídas em 59,7 milhões de débitos.

Nesse grupo, o valor médio devido por empresa chega a R$ 23.181,56. Cada CNPJ possui, em média, 6,9 contas em atraso, com valor médio de R$ 3.370,47 por débito.

Juros altos seguem pressionando as empresas

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, os juros elevados continuam sendo um dos principais obstáculos para a recuperação financeira das empresas.

Para a especialista, a manutenção da taxa Selic em patamar elevado encarece o crédito e dificulta tanto a reorganização das dívidas quanto a recuperação do caixa das companhias.

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Além disso, a desaceleração da atividade econômica reduz o ritmo de crescimento das receitas justamente em um momento em que muitas empresas ainda tentam equilibrar suas contas.

“Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa”, afirmou a economista.

Setor de serviços lidera a inadimplência

Na divisão por atividade econômica, o setor de Serviços concentra a maior parte das empresas negativadas do país, respondendo por 55,7% do total.

Na sequência aparecem:

  • Comércio: 32,2%;
  • Indústria: 8,0%;
  • Setor Primário: 0,9%.
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Os dados indicam que os segmentos mais dependentes de capital de giro e financiamento continuam sendo os mais afetados pelo ambiente de crédito restritivo.

Quem são os principais credores

Pelo lado dos credores, o setor de Serviços também responde pela maior fatia das dívidas acumuladas, com participação de 31,6%.

Na sequência aparecem:

  • Bancos e cartões: 19,5%;
  • Cooperativas de crédito: 8,4%;
  • Utilities (água, energia e gás): 6,9%;
  • Telefonia: 6,0%.
  • Estados com mais empresas negativadas

São Paulo lidera o ranking nacional de inadimplência corporativa, com 3,1 milhões de empresas negativadas.

Confira os estados com o maior número de CNPJs inadimplentes:

  • São Paulo: 3.126.658;
  • Minas Gerais: 907.558;
  • Rio de Janeiro: 874.385;
  • Paraná: 601.986;
  • Rio Grande do Sul: 527.555.
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O levantamento mostra que a inadimplência empresarial continua avançando mesmo entre os maiores centros econômicos do país, refletindo os desafios enfrentados pelas empresas em um cenário de crédito caro e crescimento mais lento da atividade econômica.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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Matheus Marques é estudante de jornalismo no IESB. Ele atua como estagiário em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Matheus Marques é estudante de jornalismo no IESB. Ele atua como estagiário em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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