Inclusão de BDRs ajudaria Ibovespa a se tornar mais ‘investível’, avalia BofA; veja quais ativos podem entrar no índice
O Bank of America (BofA) avalia que as mudanças metodológicas para incluir os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) na bolsa brasileira, a B3, podem aumentar a atratividade do Ibovespa (IBOV) como um “índice investível”.
Os BDRs são certificados de valores mobiliários negociados no Brasil que representam ações de empresas estrangeiras, permitindo que investidores locais tenham acesso a ações internacionais sem investir diretamente no exterior.
Hoje, existem cerca de 818 BDRs listados na B3, dos quais aproximadamente 55% acompanham empresas americanas que fazem parte do S&P 500.
“No universo restante, identificamos apenas nove BDRs cujo principal país de risco é o Brasil. Em nossa avaliação, esses são os ativos mais relevantes para acompanhar caso os BDRs se tornem elegíveis para inclusão no Ibovespa”, afirma o banco.
As mudanças em estudo pela B3, segundo o Brazil Journal, fariam parte de uma ampla reformulação da metodologia do Ibovespa para torná-lo mais representativo da economia do país e mais alinhado aos critérios utilizados por índices internacionais.
Quais BDRs podem entrar na B3, segundo o BofA?
A metodologia revisada ainda não foi divulgada, contudo, ao analisar as BDRs com base no país de risco para identificar empresas com exposição significativa ao Brasil, o BofA considera que cinco empresas destacam-se como os maiores e mais líquidos nomes.
Elas são: Mercado Livre (MELI), Nubank (NU), XP (XP), Stone (STNE) e Inter (INTR). Além disso, o banco também avalia que JBS (JBS; JBSS32) e Aura Minerals (AUGO;AURA33) poderiam ser considerados para inclusão.
No entanto, o BofA destaca que:
- a JBS gera a maior parte de sua receita nos Estados Unidos e é classificada pela Bloomberg como tendo os Países Baixos como principal país de risco;
- a Aura Minerals obtém uma parcela relevante de sua receita no Canadá, enquanto os Estados Unidos são identificados como seu principal país de risco.
Ibovespa x MSCI
Hoje composto por 78 ações, o Ibovespa utiliza uma metodologia que prioriza a liquidez das empresas como principal critério de inclusão no índice. Além disso, as ações precisam representar pelo menos 0,1% do volume financeiro negociado no mercado à vista durante os três períodos anteriores de revisão do índice.
Já as chamadas penny stocks, as ações negociadas abaixo de R$ 1,00, são excluídas do IBOV.
De acordo com o BofA, essa metodologia é diferente da utilizada pela MSCI, que dá maior peso ao tamanho das empresas e ao free float, aparcela das ações efetivamente disponível para negociação no mercado.
“Caso os BDRs sejam efetivamente incluídos, o Ibovespa poderá se aproximar da metodologia do MSCI Brazil, que desde 2024 permite a inclusão de empresas listadas no exterior e atualmente já contempla nomes como Aura Minerals, JBS, Nubank, Stone e XP“, afirma o banco.