Inflação de maio deve desacelerar com alívio dos combustíveis, mas deve ficar acima da meta
A inflação oficial deve perder força em maio, mas ainda permanecer em um patamar que mantém o Banco Central em estado de alerta.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (12), deve subir 0,55% em maio, segundo a mediana das projeções coletadas pela Broadcast. As estimativas do mercado variam entre altas de 0,46% e 0,75%.
A desaceleração esperada é atribuída principalmente à queda dos preços dos combustíveis e à perda de força da inflação de alimentos, dois grupos que vinham pressionando o índice nos últimos meses.
Para o ASA, a inflação deve registrar alta de 0,55% no período. “O IPCA de maio deve mostrar uma desaceleração na margem com dissipação do choque recente vindo do conflito no Oriente Médio, especialmente via deflação de combustíveis após pressão nos meses anteriores”, afirma Leonardo Costa, economista do ASA.
Apesar do alívio no índice cheio, o economista alerta que a composição da inflação continua desfavorável.
“Ainda assim, o balanço qualitativo da inflação segue deteriorado, com pressões persistentes em serviços e bens industrializados, reforçando um cenário preocupante para inflação no curto prazo”, diz.
Inflação acumulada deve acelerar
Embora a variação mensal deva perder força, o acumulado em 12 meses tende a mostrar uma aceleração.
A mediana das projeções do mercado aponta para uma inflação de 4,68% em 12 meses até maio, acima dos 4,39% registrados em abril. As estimativas variam entre 4,46% e 4,87%.
Caso a projeção se confirme, o indicador permanecerá acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%.
O movimento reforça a preocupação dos agentes financeiros com a persistência das pressões inflacionárias e ajuda a explicar as recentes revisões para cima das expectativas de inflação e juros observadas no Relatório Focus.
Prévia já acima da meta
Os investidores já tiveram uma amostra do comportamento dos preços em maio com a divulgação do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial.
O indicador avançou 0,62% no mês, desacelerando em relação aos 0,89% registrados em abril. Ainda assim, o resultado ficou acima da expectativa do mercado, cuja mediana apontava para alta de 0,56%.
No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 acelerou para 4,64%, ante 4,37% no mês anterior, ultrapassando o teto da meta de inflação.
Além do número cheio, o mercado estará atento ao comportamento dos núcleos de inflação e dos preços de serviços, componentes considerados mais sensíveis para as decisões de política monetária. Uma eventual resistência desses grupos pode reforçar a percepção de que o processo de desinflação continua lento, mesmo diante do alívio recente observado em combustíveis e alimentos.