Federal Reserve

Inflação, emprego e PIB: os dados que o Fed terá na mesa para decidir os juros

28 jul 2026, 16:08
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Foto: yalcinsonat1/iStock

O Federal Reserve (Fed) anuncia sua decisão de política monetária nesta quarta-feira (29) com um cenário mais favorável do que o observado nos últimos meses.

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Os dados mais recentes mostram uma inflação em desaceleração, um mercado de trabalho menos aquecido e sinais de perda de fôlego da atividade econômica.

Ainda assim, indicadores de inflação considerados mais importantes pela autoridade monetária continuam acima da meta de 2%. Esse é o principal ponto que deve manter o discurso cauteloso de Kevin Warsh, que tem batido na tecla de que esta é a principal missão do banco central norte-americano.

Inflação surpreende e reforça cenário de desinflação

O principal sinal de alívio veio da inflação ao consumidor. Em junho, o índice de preços ao consumidor (CPI) caiu 0,4% na comparação mensal, registrando a maior queda desde abril de 2020 e surpreendendo positivamente o mercado, que esperava um recuo bem menor. Na comparação anual, a inflação desacelerou para 3,5%, abaixo das projeções.

A queda foi puxada principalmente pelos preços de energia, enquanto o núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês e desacelerou para 2,6% em 12 meses. Apesar da melhora, os níveis seguem acima da meta de inflação perseguida pelo Fed.

Mercado de trabalho perde força

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O mercado de trabalho, outro pilar observado de perto pelo banco central americano, também começou a mostrar sinais mais claros de moderação. A economia dos Estados Unidos criou 57 mil vagas em junho, praticamente metade da expectativa dos economistas. Além disso, os dados de abril e maio foram revisados para baixo em um total de 74 mil postos de trabalho.

Embora a taxa de desemprego tenha recuado de 4,3% para 4,2%, o avanço dos salários permaneceu contido, com alta de 0,3% no mês e de 3,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Indicadores antecedentes caminharam na mesma direção: o relatório ADP mostrou abertura de 98 mil vagas no setor privado, abaixo do esperado, enquanto o Jolts apontou estabilidade das vagas disponíveis.

Atividade segue resiliente, mas desacelera

Na atividade econômica, o quadro continua indicando desaceleração gradual, mas sem apontar para uma contração. A revisão final do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre elevou o crescimento anualizado para 2,1%, acima das leituras anteriores.

O desempenho foi sustentado principalmente pelos investimentos, exportações e gastos do governo. Por outro lado, houve revisão para baixo dos gastos das famílias e das vendas finais para compradores privados domésticos, sugerindo perda de dinamismo da demanda interna.

PCE ainda mantém cautela no Fed

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Apesar do conjunto de indicadores mais benigno, a inflação ainda não saiu completamente do radar da autoridade monetária. O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), medida preferida do Fed para monitorar a inflação, avançou 4,6% no primeiro trimestre, enquanto o núcleo do indicador permaneceu em 4,4%, patamares ainda bem acima do objetivo de 2%.

De acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group, a expectativa é de que o Fed irá manter as taxas de juros inalteradas no atual patamar que é intervalo entre 3,50% e 3,75%. No entanto, a projeção não é unanimidade. Enquanto 68,5% aguardam a manutenção, outros 31,5% esperam por uma alta de 0,25 pontos percentuais levando a taxa para o intervalo de 3,75% a 4%.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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