IPCA deve registrar deflação em agosto, mas alívio pode ser temporário; veja o que esperar
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve registrar deflação em agosto, puxado principalmente pela queda nas contas de luz. Apesar do alívio no índice cheio, a inflação de serviços e a perspectiva de uma retomada dos preços dos alimentos ainda exigem atenção.
O dado será divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As projeções de Daycoval, Santander e UBS variam entre queda de 0,31% e 0,26%, com média de deflação de 0,28%.
Em julho, o IPCA avançou 0,07%, acumulando alta de 4,39% em 12 meses, abaixo do esperado.
Energia, alimentos e passagens devem puxar índice para baixo
O principal vetor de queda deve ser a energia elétrica residencial, beneficiada pelos descontos temporários decorrentes do bônus de Itaipu. O movimento já havia aparecido no IPCA-15 de agosto, que recuou 0,40%.
O Daycoval, que prevê deflação de 0,31%, também espera contribuições negativas dos alimentos, especialmente dos produtos in natura, além das passagens aéreas, da gasolina e do etanol.
“Os preços dos alimentos devem se manter em terreno deflacionário, sobretudo pela queda sazonal dos itens in natura”, afirma o banco. A instituição ressalta, porém, que esse comportamento benigno já vem perdendo força.
Com isso, o Daycoval projeta que a inflação acumulada em 12 meses desacelere de 4,4% para 4,2%. O UBS trabalha com uma leitura um pouco mais alta, de 4,27%, após queda mensal de 0,28%.
Deflação não encerra preocupações com os preços
Apesar do número negativo esperado, parte do alívio deve ser temporária. O desconto nas contas de luz não representa uma redução permanente das pressões inflacionárias, enquanto a queda dos alimentos pode perder força nos próximos meses.
O Daycoval prevê que os preços da alimentação voltem a acelerar a partir do último trimestre. A instituição também alerta para o risco de um evento climático adverso intenso, como o El Niño, afetar os preços no segundo semestre. A projeção do banco para o IPCA ao final de 2026 é de 5%.
A maior atenção, porém, estará nos serviços. O Santander espera que os núcleos — medidas que retiram itens mais voláteis e ajudam a mostrar a tendência da inflação — permaneçam estáveis. Segundo o banco, o resultado deve ficar “em linha com a melhora observada nas últimas divulgações”.
Já o Daycoval adota uma leitura mais cautelosa. O banco prevê leve aceleração dos serviços, com pressão dos itens mais sensíveis à atividade econômica, apesar do alívio vindo das passagens aéreas.
Para a instituição, os serviços subjacentes devem registrar “alta importante”, com destaque para os serviços automotivos, e interromper a trajetória de arrefecimento, “configurando desafio relevante para o Banco Central”.
Assim, embora a deflação de agosto reforce o processo de desinflação no curto prazo, a composição do indicador será mais importante do que o número cheio.
Uma nova melhora dos núcleos e dos serviços fortaleceria uma leitura mais favorável para os preços. Caso essas medidas continuem pressionadas, o resultado negativo pode ser interpretado apenas como um alívio pontual.