Guerra

Irã adverte a Marinha dos EUA a se manter afastada de Ormuz após Trump dizer que EUA ajudarão navios encalhados

04 maio 2026, 4:54 - atualizado em 04 maio 2026, 4:24
Estreito de Ormuz
(Estreito de Ormuz, via satélite. Foto: Jacques Descloitres/ Wikimedia Commons)

O Exército do Irã advertiu nesta segunda-feira (4) as forças dos Estados Unidos a não entrarem no Estreito de Ormuz depois que o presidente Donald Trump disse que os o país começaria a ajudar a libertar navios presos no Golfo pela guerra EUA-Israel contra o Irã.

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Trump deu poucos detalhes do plano para ajudar navios e suas tripulações que ficaram “retidos” na importante via marítima e estão ficando sem comida e outros suprimentos, mais de dois meses após o início do conflito.

“Dissemos a esses países que iremos guiar seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis restritas, para que possam seguir livremente e de forma eficaz com seus negócios”, disse Trump em uma publicação em rede social neste domingo (3).

O comando unificado das forças armadas do Irã respondeu advertindo as forças dos EUA a se manterem fora do estreito.

Suas forças “responderão duramente” a qualquer ameaça, acrescentou, dizendo a navios comerciais e petroleiros que evitem qualquer movimentação sem coordenação com o Exército iraniano.

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“Temos dito repetidamente que a segurança do Estreito de Hormuz está em nossas mãos e que a passagem segura de embarcações precisa ser coordenada com as forças armadas”, disse Ali Abdollahi, chefe do comando unificado das forças, em comunicado.

“Advertimos que quaisquer forças armadas estrangeiras, especialmente o agressivo Exército dos EUA, serão atacadas se pretenderem se aproximar e entrar no Estreito de Hormuz.”

O Comando Central dos EUA disse que apoiaria o esforço com 15 mil militares, mais de 100 aeronaves baseadas em terra e no mar, além de navios de guerra e drones.

“Nosso apoio a essa missão defensiva é essencial para a segurança regional e a economia global, ao mesmo tempo em que mantemos o bloqueio naval”, disse o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, em comunicado.

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Centenas de navios e até 20 mil marinheiros não conseguiram atravessar o estreito durante o conflito, segundo a Organização Marítima Internacional.

Logo após os comentários de Trump, a agência Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido disse que um petroleiro relatou ter sido atingido por projéteis desconhecidos no estreito.

A agência informou que toda a tripulação estava segura no incidente, ocorrido a 78 milhas náuticas ao norte de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, mas poucos detalhes estavam disponíveis de imediato.

O Irã vem bloqueando quase todo o transporte marítimo do Golfo, exceto o seu próprio, há mais de dois meses, fazendo os preços da energia dispararem.

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Algumas embarcações que tentaram atravessar o estreito relataram ter sido alvo de tiros, e o Irã apreendeu vários outros navios. No mês passado, os EUA impuseram seu próprio bloqueio a navios provenientes de portos iranianos.

O governo Trump vem buscando ajuda de outros países para formar uma coalizão internacional a fim de garantir a navegação no estreito. O Centcom disse que o esforço mais recente combinará “ação diplomática com coordenação militar”.

Não ficou imediatamente claro quais países a operação dos EUA ajudaria ou como ela funcionaria. Ela não necessariamente incluirá navios da Marinha dos EUA escoltando embarcações comerciais, disse o repórter do Axios Barak Ravid em uma publicação nem rede social.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

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Trump ameaçou que qualquer interferência na operação dos EUA “terá de ser tratada com firmeza”.

Irã analisa resposta dos EUA sobre proposta de paz

Os mercados acionários tiveram leve alta nesta segunda-feira, enquanto os preços do petróleo bruto pouco se alteraram, após terem voltado a ultrapassar US$ 100 por barril na semana passada em meio à incerteza sobre quando e como o conflito será resolvido.

Ontem, o Irã disse ter recebido uma resposta dos EUA à sua mais recente proposta de negociações de paz, um dia após Trump afirmar que provavelmente rejeitaria a proposta iraniana porque “eles não pagaram um preço alto o suficiente”.

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Trump, respondendo a perguntas de repórteres, disse ainda na noite de ontem que as conversas estavam indo “muito bem”, sem dar mais detalhes.

A mídia estatal iraniana disse que Washington havia enviado sua resposta à proposta de 14 pontos do Irã por meio do Paquistão, e que Teerã estava agora analisando-a. Não houve confirmação imediata de Washington ou Islamabad sobre a resposta dos EUA.

“Neste estágio, não temos negociações nucleares”, citou a mídia estatal o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei.

O comentário foi uma aparente referência à proposta do Irã de deixar de lado as negociações sobre questões nucleares até depois do fim da guerra e após os adversários concordarem em suspender bloqueios opostos à navegação no Golfo.

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Os Estados Unidos e Israel suspenderam sua campanha de bombardeios contra o Irã há quatro semanas, e autoridades dos EUA e do Irã realizaram uma rodada de negociações. Mas as tentativas de estabelecer novas reuniões fracassaram até agora.

Proposta do Irã vs exigências de Washington

A proposta de adiar as negociações sobre questões nucleares para uma fase posterior parece entrar em conflito com a exigência reiterada de Washington de que o Irã aceite restrições rigorosas ao seu programa nuclear antes que a guerra possa terminar.

Washington quer que Teerã abra mão de seu estoque de mais de 400 kg de urânio altamente enriquecido, que os Estados Unidos dizem poder ser usado para fabricar uma bomba.

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O Irã afirma que seu programa nuclear é pacífico, embora esteja disposto a discutir algumas limitações em troca da suspensão de sanções. Já havia aceitado tais restrições em um acordo de 2015 do qual Trump se retirou.

Embora repita que não tem pressa, Trump enfrenta pressão interna para quebrar o controle do Irã sobre o Estreito de Hormuz, que bloqueou 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás e elevou os preços da gasolina nos EUA.

O Partido Republicano de Trump corre o risco de reação negativa dos eleitores devido aos preços mais altos nas eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro.

A mídia iraniana disse que a proposta de 14 pontos de Teerã inclui a retirada das forças dos EUA de áreas próximas, o fim do bloqueio, a liberação de ativos congelados, o pagamento de compensações, a suspensão de sanções, o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a criação de um novo mecanismo de controle para o estreito.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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