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IRB (IRBR3): 3 motivos para empresa fechar 2023 com lucro de R$ 114 mi, o 1º em quatro anos

29 mar 2024, 14:08 - atualizado em 29 mar 2024, 15:29
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(Re)início: IRB (IRBR3) volta ao lucro em 2023 , após três anos consecutivos de prejuízos e desconfiança do mercado (Imagem: Facebook/ IRB)

O IRB(Re) (IRBR3) fechou 2023 com lucro líquido consolidado de R$ 114,2 milhões. Este é o primeiro resultado anual positivo desde 2019, quando a resseguradora lucrou R$ 1,2 bilhão. Desde então, a companhia aterrorizou analistas e investidores com a descoberta de fraudes contábeis bilionárias, fake news envolvendo o megainvestidor Warren Buffett, disputa entre comprados e vendidos e uma ciranda de prejuízos.

Como se sabe, tudo começou em fevereiro de 2020, quando a gestora Squadra informou, em carta aos clientes, que mantinha posição short nas ações do IRB, isto é, apostava em sua queda, já que suspeitava que os lucros normalizados apresentados pela resseguradora seria significativamente menores que os lucros contábeis reportados.

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A carta detonou uma violenta batalha entre a diretoria do IRB, a PwC (então auditoria independente da companhia), acionistas minoritários, Squadra e órgãos de fiscalização do mercado, como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Após a troca do comando da companhia, investigações internas descobriram fraudes contábeis recorrentes.

A operação para salvar o IRB e estancar sua forte queima de caixa envolveu dois aumentos de capital (em julho de 2020 e setembro de 2022), que totalizaram R$ 3,5 bilhões. O fortalecimento do caixa da resseguradora também passou pela venda de ativos, como seu edifício-sede no Rio de Janeiro, redução de funcionários, reestruturação de dívidas e até a chegada de personalidades do mundos dos investimentos, como Luiz Barsi, conhecido como o “rei dos dividendos” e um dos maiores investidores individuais do país.

Enquanto arrumava a casa, o IRB apresentou uma sucessão de prejuízos: R$ 1,5 bilhão em 2020; R$ 683 milhões em 2021; e R$ 630 milhões em 2022. Assim, o lucro líquido consolidado de R$ 114,2 milhões registrado no ano passado tem tudo para ser festejado pela empresa e pelos acionistas.

IRB(Re) (IRBR3): “Revisão abrangente da carteira” sustenta lucro de 2023

No release de resultados divulgado neste quinta-feira (28), a companhia destacou algumas medidas que contribuíram para o desempenho positivo dos últimos 12 meses. Segundo a empresa, uma “estratégia de revisão abrangente nos contratos e pulverização dos riscos, resultou em uma carteira mais qualificada com maior rentabilidade.”

O primeiro fator que contribuiu para que o IRB voltasse ao lucro, após três prejuízos consecutivos, foi a reversão dos resultados de subscrição (underwriting). Em 2023, essa linha do balanço ficou positiva em R$ 155 milhões, ante perdas de R$ 1,4 bilhão no ano retrasado. O underwriting é o processo de análise de riscos de um contrato de resseguro.

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Quando ele não segue critérios rigorosos, induz a resseguradora a fechar contratos com maior probabilidade de ocorrência de sinistros ou precificação inadequada da sinistralidade, gerando perdas e prejuízos maiores que os normais.

Este foi um dos grandes problemas identificados pelas investigações internas e pela nova direção da companhia, após a denúncia da Squadra em 2020. A antiga diretoria minimizava riscos na subscrição dos contratos, acumulando perdas que eram, depois, lançadas de modo incorreto no balanço.

Segundo o release de resultados divulgado ontem (28), o IRB conseguiu importantes avanços na revisão dos contratos. Para que o underwriting total fechasse positivo, a companhia reverteu perdas de R$ 101 milhões com subscrição de contratos de resseguro patrimonial em 2022 para ganhos de R$ 169,1 milhões em 2023.

No segmento de resseguros de vida, as perdas caíram de R$ 232 milhões para R$ 94,9 milhões na mesma comparação. No mercado de resseguros rurais, o déficit de R$ 949,9 milhões foi convertido em superávit de R$ 216 milhões. As perdas com subscrição de contratos no setor de aviação caíram para R$ 53,2 milhões no ano passado, ante R$ 121,6 milhões no ano retrasado.

Sinistralidade do IRB apresenta queda expressiva em 2023

O segundo fator que contribuiu para o lucro de 2023 foi a queda da sinistralidade para 55,2% no quarto trimestre (4T23). A taxa é 38,6 pontos percentuais inferior à do mesmo período de 2022, e 18,8 pontos menor que a do 3T23. No acumulado de 2023, a sinistralidade ficou em 70%, um alívio e tanto, quando se lembra que, em 2022, ela foi de 104,3% – isto é, os pagamentos a clientes que acionaram os contratos de resseguro eram maiores que os prêmios gerados.

De acordo com a empresa, a queda na sinistralidade reflete “a limpeza da carteira”, com a exclusão e não renovação de contratos problemáticos ou deficitários. Um exemplo foi a operação de LPT (Loss Portfolio Transfer) referente ao escritório de Londres e realizada no 4T23.

Essa medida gerou um efeito positivo de R$ 174 milhões na linha de sinistro, compensando a perda de R$ 165 milhões na linha de prêmio ganho. “Excluindo-se o impacto do LPT, a sinistralidade seria de 62%”, explicou a companhia no release de resultados.

O terceiro fator que explica o lucro de 2023 é a preservação de clientes interessantes. Segundo o IRB, no último ano, conseguiu-se renovar 83% dos contratos de interesse, “seguindo a estratégia de diluição de riscos e concentração no Brasil e na América Latina, onde o IRB detém liderança e expertise.”

Veja o release de resultados do IRB (IRBR3) referentes ao 4T23 e a 2023, primeiro ano de lucro, após três prejuízos consecutivos:

Diretor de Redação do Money Times
Ingressou no Money Times em 2019, tendo atuado como repórter e editor. Formado em Jornalismo pela ECA/USP em 2000, é mestre em Ciência Política pela FLCH/USP e possui MBA em Derivativos e Informações Econômicas pela FIA/BM&F Bovespa. Iniciou na grande imprensa em 2000, como repórter no InvestNews da Gazeta Mercantil. Desde então, escreveu sobre economia, política, negócios e finanças para a Agência Estado, Exame.com, IstoÉ Dinheiro e O Financista, entre outros.
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Ingressou no Money Times em 2019, tendo atuado como repórter e editor. Formado em Jornalismo pela ECA/USP em 2000, é mestre em Ciência Política pela FLCH/USP e possui MBA em Derivativos e Informações Econômicas pela FIA/BM&F Bovespa. Iniciou na grande imprensa em 2000, como repórter no InvestNews da Gazeta Mercantil. Desde então, escreveu sobre economia, política, negócios e finanças para a Agência Estado, Exame.com, IstoÉ Dinheiro e O Financista, entre outros.
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