Bolsa brasileira segue ‘moderadamente atrativa’ para o 2ºsemestre, diz Itaú BBA; veja recomendações
Com uma visão “moderadamente construtiva” para o mercado de ações brasileiro no segundo semestre de 2026, o Itaú BBA atualizou sua carteira de recomendações, Brazil Buy List.
O banco de investimentos mantém a preferência por grandes empresas com qualidade e boa geração de rendimento aos acionistas. Empresas do setor elétrico e financeiro permanecem como os principais nomes do portfólio.
Entre as teses da carteira, estão infraestrutura e bond proxies, que reúne as principais recomendações de “compra”, com empresas com taxas internas de retorno (IRRs) reais de dois dígitos, receitas corrigidas pela inflação e geração de caixa previsível para navegar os próximos seis a 12 meses. Permanecem na carteira Equatorial (EQTL3), Axia Energia (AXIA3) e Multiplan (MULT3).
Entres as companhias de cíclicas de qualidade, que dependem do ciclo doméstico, mas ainda apresentam qualidade, assimetria em valuation, retorno e fundamentos, os destaques são BTG Pactual (BPAC11), Bradesco (BBDC4) e Direcional (DIRR3), que substitui a Cyrela (CYRE3).
No critério de oportunidades de reinvestimentos, que possuem boas oportunidades de crescer reinvestindo seus lucros, beneficiadas por tendências estruturais de longo prazo e eventual queda de juros, a Rede D’Or (RDOR3) permanece, enquanto a GPS (GGPS3) deixa a carteira.
O banco também ampliou a exposição à empresas exportadoras e de commodities, que podem se beneficiar com uma alta do dólar. Entram na carteira Petrobras (PETR4), Gerdau (GGBR4) e Embraer (EMBJ3), no lugar de PRIO (PRIO3) e Suzano (SUZB3).
A projeção para a carteira é de um retorno total atualizado (TRR) de cerca de 22%, que considera um cenário sem reprecificação dos múltiplos das ações. Desse total, cerca de 8,3% viria do carry, composto por dividendos e recompras de ações, enquanto aproximadamente 13,4% seria resultado do crescimento dos lucros das companhias.
Precificação desigual
O BBA avalia que os ativos brasileiros seguem precificados de forma desigual: a renda fixa embute o cenário mais pessimista, enquanto o câmbio reflete a visão mais otimista. A Bolsa ocupa uma posição intermediária, com maior pessimismo concentrado nas empresas domésticas (26,6%), abaixo de exportadoras (41,5%) e financeiras (42,3%).
Para o Itaú BBA, empresas de qualidade continuam atrativas. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) médio subiu para 26%, enquanto o múltiplo preço/lucro caiu de 21,1 vezes, em 2020, para 12,3 vezes, movimento que reflete o ambiente de juros elevados e não uma piora dos fundamentos das companhias.
O banco também vê o Brasil como uma alternativa de diversificação entre os mercados emergentes. Enquanto o ETF EWZ, que reúne ações brasileiras negociadas em Nova York, não tem exposição ao setor de tecnologia, o ETF de mercados emergentes EEM concentra 40,8% de sua carteira nesse segmento.
| Ação | Empresa | Setor | Peso no Portfólio | Recomendação | Preço-Alvo | Exclusão (Ação) | Exclusão (Empresa) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| EQTL3 | Equatorial | Energia Elétrica | 10% | Compra | 53,3 | – | – |
| AXIA3 | Axia Energia | Energia Elétrica | 10% | Compra | 50,3 | – | – |
| MULT3 | Multiplan | Shoppings | 10% | Compra | 37,0 | – | – |
| DIRR3 | Direcional | Construção | 5% | Compra | 16,4 | CYRE3 | Cyrela |
| BPAC11 | BTG Pactual | Bancos | 15% | Compra | 63,2 | – | – |
| BBDC4 | Bradesco | Bancos | 10% | Compra | 22,0 | – | – |
| PETR4 | Petrobras | Óleo e Gás | 15% | Compra | 64,0 | PRIO3 | PRIO |
| GGBR4 | Gerdau | Mineração e Siderurgia | 10% | Compra | 27,0 | SUZB3 | Suzano |
| EMBJ3 | Embraer | Bens de Capital | 5% | Compra | 90,0 | GGPS3 | GPS |
| RDOR3 | Rede D’Or | Saúde | 10% | Compra | 50,0 | – | – |