ITUB4, BBDC4, BBSA3, SANB11: Duas apostas e dois papéis para evitar na temporada de 2T26, segundo analistas
A temporada de resultados dos bancões se aproxima, enquanto investidores fazem suas apostas para os ganhadores e perdedores.
Entre analistas, a visão é de que haverá dois grupos: de um lado, Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4). O primeiro já vem de uma sequência de anos de resultados fortes. Já o banco de Osasco parece ter se encontrado, após números fracos na safra de 2021 a 2024.
Do outro, Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11) terão cifras mais apagadas. Enquanto um sofre com a inadimplência do agronegócio, que dá sinais de piora, os calotes também não dão sossego para a filial espanhola.
Mas nem só de más notícias vive o setor. Para o Citi, será uma temporada heterogênea, ou seja, com números resilientes, apesar de tudo.
Já o Goldman Sachs sustenta que os bancos devem ter resultados ‘moderados’, com preocupações quanto à qualidade dos ativos. Além disso, os analistas esperam crescimento dos empréstimos e receitas menores, além de preocupações com a qualidade dos ativos.
E os dados do Banco Central dão um spoiler: até maio, os números mostravam um aumento de 40 pontos-base nos empréstimos inadimplentes do varejo desde março.
Por outro lado, a inadimplência rural também subiu 40 pontos-base em relação ao trimestre anterior, o que provavelmente depende de resoluções regulatórias antes da normalização.
O Bank of America vai na mesma linha ao dizer que o crescimento do crédito deverá permanecer moderado, limitando a aceleração da receita líquida de juros, enquanto as despesas com provisões provavelmente permanecerão elevadas em meio à incerteza macroeconômica.
Por outro lado, os indicadores de qualidade dos ativos permanecem amplamente sob controle, em parte devido ao programa de renegociação do governo (Desenrola).
Bradesco, uma surpresa
O Bradesco quase encostou nos R$ 22, mas viu a ação voltar para R$ 18 após a piora do sentimento do mercado. Essa queda, no entanto, pode abrir uma oportunidade para o banco. Analistas veem o banco entregando fortes resultados no segundo trimestre.
Para o Goldman Sachs, o banco terá alta na receita líquida de juros e pode se beneficiar do crescimento do crédito, embora pressionado pela margem de mercado. Os custos também serão controlados.
Já o Bank of America vê o lucro subir mais 7%, para R$ 7,1 bilhões, com ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 16,1%, alta de 30 pontos-base e décimo trimestre consecutivo de melhora do indicador.
Segundo os analistas, a melhora será sustentada pelo forte crescimento do crédito e pela qualidade controlada dos ativos.
“Esperamos que o Bradesco continue a ganhar participação de mercado, com o crescimento do crédito acelerando para 9%, impulsionado por PMEs, financiamento de automóveis e empréstimos para folha de pagamento de pessoas físicas”, diz.
Por outro lado, diz o BofA, a elevada taxa Selic deverá continuar a pressionar o endividamento das famílias, enquanto a inadimplência de grandes empresas poderá levar a maiores despesas com provisões no trimestre.
Para a XP, haverá forte crescimento das receitas, enquanto a qualidade dos ativos permanecerá administrável, apesar de alguns pontos de pressão.
A expansão será concentrada, principalmente, em empréstimos para pequenas e médias empresas, apoiados por instituições financeiras estrangeiras, financiamento de veículos e antecipação de recebíveis.
O Bradesco ainda deverá manter a cautela em meio a uma economia ainda frágil, reduzindo a exposição ao crédito ao consumidor sem garantia e aos empréstimos para empresas.
O banco também deverá ampliar as receitas com tarifas, impulsionado pelo desempenho da operação de seguros – uma das joias da instituição -, que segue em linha com as projeções.
A XP afirma ainda que, apesar de uma base de comparação mais difícil, a inflação deverá ajudar, impulsionando a atividade dos mercados de capitais de dívida (DCM, Debt Capital Markets), dos consórcios, dos investidores de alta renda e dos gastos com cartões.
Já a inadimplência da carteira de crédito e o custo de crédito deverão permanecer estáveis. As despesas operacionais também devem seguir sob controle, em linha com o plano de eficiência.
Os analistas projetam lucro de R$ 6,9 bilhões para o Bradesco, alta de 15%, e ROE de 15,8%, avanço de 1,3 ponto percentual.
| Lucro | Variação anual | ROE | Variação anual | |
| XP | R$ 6,9 bi | 15% | 15.9% | 1,3 pp |
| BofA | R$ 7 bi | 16% | 16.1% | 1,5 PP |
| Goldman Sachs | R$ 6,9 bi | 15% | 14.6% | 1,23 pp |
| JPMorgan | R$ 7 bi | 16% | ||
| Bloomberg | R$ 6,8 BI | 15% |
Itaú, mais do mesmo?
Para o Itaú, os resultados serão mais moderados, o que não necessariamente quer dizer resultados ruins. Segundo o Goldman Sachs, o lucro crescerá ‘somente’ 7%, com alta modesta de 3% nas receitas com margem de cliente.
Mas a grande questão no Itaú é sua capacidade de ser resiliente mesmo em momentos ruins da economia, com a expectativa de que a qualidade dos ativos permaneça sob controle e as provisões e o custo de risco, estáveis.
No entanto, na visão do banco, as despesas operacionais provavelmente aumentarão (+4% em relação ao trimestre anterior e +3% em relação ao ano anterior), limitando a eficiência.
Com isso, o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) pode cair para 24,3%, ante 24,8% no primeiro trimestre, embora permaneça como o mais alto entre os bancos.
O Bank of America espera que o crescimento da carteira de empréstimos permaneça sólido, impulsionado por empréstimos hipotecários e empréstimos com desconto em folha do setor privado.
Por outro lado, a receita líquida de juros (NII) dos clientes poderá enfrentar dificuldades devido à menor margem de lucro líquida (NIM), à medida que as receitas operacionais estruturadas devem se concentrar no quarto trimestre.
Os analistas da XP também preveem crescimento da carteira de crédito, ainda impulsionado pelas pequenas e médias empresas (PMEs) e pela expansão contínua do crédito consignado privado, conhecido como crédito do trabalhador.
A demanda das grandes empresas deve permanecer fraca, assim como a oferta de crédito.
Em relação às receitas, a XP espera que a receita líquida de juros permaneça praticamente em linha com as projeções, já que os spreads dos clientes devem crescer juntamente com a receita financeira.
A qualidade dos ativos também deverá permanecer sob controle, embora a XP veja alguma pressão em carteiras específicas, especialmente PMEs, crédito consignado privado e financiamento de veículos.
Ao mesmo tempo, as provisões para grandes empresas devem continuar elevadas em um ambiente de juros altos.
| Lucro | Variação anual | ROE | Variação anual | |
| XP | R$ 12,3 bi | 8% | 24.3% | 0,90 ponto |
| BofA | R$ 12,6 bi | 10% | 24.8% | 1,8 ponto |
| Goldman Sachs | R$ 12,3 bi | 8% | 23.3% | 0,98 ponto |
| JPMorgan | R$ 12,5 bi | 9% | ||
| Bloomberg | R$ 12,7 bi | 11% |
Banco do Brasil, mais um trimestre difícil
Para o Banco do Brasil, analistas continuam céticos. O Bank of America até prevê lucro líquido de R$ 3,7 bilhões, queda de apenas 3% em relação ao ano anterior e de 7% em relação ao trimestre anterior.
Porém, o resultado antes de impostos pode ficar abaixo das estimativas devido a despesas com provisões maiores do que o esperado.
O crescimento do crédito, por sua vez, deverá permanecer em um dígito baixo, pressionado pela fraca concessão de empréstimos no setor rural e pela desaceleração do consumo.
Desde 2024, o banco vive um ciclo ruim devido à explosão da inadimplência no setor, que não para de crescer.
Dados mais recentes da Serasa mostram que o setor ainda sofre com os calotes. Segundo o estudo, a inadimplência da população rural foi de 8,8% no primeiro trimestre de 2026, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior e de 0,6 ponto percentual na comparação trimestral.
Nas projeções do BofA, as despesas com provisões podem ficar acima das expectativas, dado:
- a deterioração contínua da carteira rural, conforme previsto pelos dados mensais do BCB;
- o fato de os produtores aguardarem a medida provisória de renegociação da dívida rural para renegociar seus débitos.
Já as receitas de taxas devem permanecer fracas, crescendo abaixo da inflação, enquanto as despesas operacionais podem ser pressionadas por encargos de provisão.
A visão é parecida com a do Goldman Sachs, que vê as contingências legais elevando as despesas operacionais sequencialmente, sendo mais uma barreira para os lucros.
| Lucro | Variação anual | ROE | Variação anual | |
| BofA | R$ 3,6 bi | -3% | 7.7% | -1,30 pp |
| Goldman Sachs | R$ 3,5 bi | -6% | 8.4% | -1,06 pp |
| JPMorgan | R$ 3,5 bi | -6% | ||
| Bloomberg | R$ 3,9 bi |
Santander, recuo do lucro?
O Santander é outro banco que pode ter resultados mais fracos. Inclusive, já há um bom indicativo disso: o Grupo Santander Espanha divulgou seu resultado, com lucro líquido consolidado de R$ 3,6 bilhões para sua operação brasileira (queda de 3% no trimestre e alta de 3% no ano).
Segundo o BTG, trata-se de uma deterioração mais moderada do que a esperada, especialmente porque as provisões para perdas com crédito não aumentaram tanto quanto previsto, crescendo apenas 3% t/t.
Para o Bank of America, o banco lucrará R$ 3,9 bilhões (+6% em relação ao ano anterior e +2% em relação ao trimestre anterior).
Mesmo assim, os analistas citam riscos de queda nas estimativas devido a maiores despesas com provisões, puxadas pelo cenário macroeconômico mais fraco e por mudanças na política de baixa contábil.
Nos cálculos da XP, a carteira de crédito deve crescer entre 4% e 5% na comparação anual, em linha com as tendências observadas no primeiro trimestre.
A expansão deverá continuar sendo puxada pelos segmentos de maior renda, incluindo crédito imobiliário, cartões de crédito e financiamento de veículos, enquanto o crédito consignado permanece restrito.
“A fraca originação do INSS e os empréstimos consignados privados parecem insuficientes para compensar esse impacto negativo”, destaca a XP.
Para a corretora, as tendências da qualidade dos ativos devem continuar sob pressão.
Embora a inadimplência em estágio inicial tenha sido beneficiada por fatores sazonais, o volume de provisões deve aumentar na comparação trimestral devido às novas regras de baixa contábil, que afetam cartões de crédito e PMEs, além de alguma pressão adicional no segmento de atacado.
Com isso, o custo do risco deverá ser o principal obstáculo para o banco neste trimestre.
Do lado positivo, os analistas afirmam que as receitas com seguros e consórcios devem permanecer resilientes, compensando parcialmente a pressão sobre outras linhas de receita.
Já a retomada da atividade nos mercados de capitais, aliada à disciplina de custos e a uma alíquota de imposto ligeiramente menor, deverá oferecer suporte adicional.
A corretora projeta lucro de R$ 3,3 bilhões para o Santander, queda de 7,7%, com ROE de 14%, recuo de 2,4 pontos percentuais.
| Lucro | Variação anual | ROE | Variação anual | |
| XP | R$ 3,3 bi | -9% | 14% | -2,40 pp |
| BofA | R$ 3,8 bi | 6% | 16% | -0,40 pp |
| Goldman Sachs | R$ 3,3 bi | -9% | 16% | -2,40 pp |
| JPMorgan | R$ 3,6 bi | |||
| Bloomberg | R$ 4,1 bi |