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Jalles (JALL3) reporta prejuízo de R$ 50,9 milhões no 4T26 e ações desabam; o que dizem os analistas?

17 jun 2026, 11:37 - atualizado em 17 jun 2026, 11:37
jalles jall3
(Foto: Divulgação)

A Jalles (JALL3) registrou um prejuízo de R$ 50,9 milhões no quarto trimestre da safra 2025/2026 (4T26) após o fechamento de mercado ontem (16). Nesta quarta-feira (17), as ações reagiam com tombo 7,98% por volta de 10h45.

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Apesar de os números terem vindo próximos das expectativas dos analistas, o mercado repercute o resultado pressionado da companhia e um guidance para a safra 2026/27 que ficou abaixo do esperado por parte de algumas casas de análise.

Para a XP Investimentos, os resultados foram fracos, mas amplamente esperados. A receita líquida somou R$ 488 milhões, em linha com as estimativas da corretora, refletindo a estratégia da companhia de priorizar a comercialização de etanol e postergar vendas de açúcar.

Os volumes de açúcar atingiram 86 mil toneladas, ficando 24% abaixo da projeção da XP e recuando 53% na comparação anual. Em contrapartida, as vendas de etanol alcançaram 87 mil metros cúbicos, superando em 15% as estimativas da casa e avançando 5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O EBIT ajustado ficou em R$ 36 milhões, incluindo a liquidação de operações de hedge, em linha com o esperado pela XP, mas com queda de 61% na comparação anual, refletindo menor receita e menor diluição de custos.

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A corretora destacou ainda a geração de caixa livre para o acionista (FCFE), que atingiu R$ 182 milhões, acima da projeção de R$ 160 milhões. Os analistas da XP recomendam compra para ação, com preço-alvo de R$ 4,10.

Guidance decepciona parcialmente

O principal foco dos investidores, porém, está na safra 2026/27.

A Jalles projeta aumento de 10% na moagem de cana-de-açúcar em relação ao ciclo anterior, impulsionado por uma recuperação da produtividade agrícola e por uma área plantada ligeiramente maior.

No entanto, tanto XP quanto BTG Pactual avaliam que as projeções ficaram abaixo de suas estimativas.

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Segundo o BTG, a companhia espera um crescimento de 8,5% na produção total de ATR (Açúcar Total Recuperável), mas a projeção ficou cerca de 5% abaixo do que o banco tinha em seu modelo. Além disso, a empresa sinalizou um mix mais voltado para o etanol, elevando sua participação de 53,6% para 59% da produção.



A estratégia reflete a visão de que os preços do açúcar devem permanecer pressionados ao longo da safra. Com isso, a produção de açúcar projetada pela companhia ficou 22% abaixo da estimativa do BTG e aproximadamente 9% abaixo da previsão da XP.

A XP também chamou atenção para a expectativa de um TRS (teor de açúcar por tonelada de cana) mais fraco do que o projetado pela casa, o que contribuiu para uma visão mais conservadora para a produção de açúcar no próximo ciclo.

Após incorporar o guidance ao modelo, a XP estima uma possível revisão negativa de cerca de 3% em suas projeções de EBITDA ajustado.

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Hedge segue como principal trunfo

Se o guidance trouxe dúvidas, a política de hedge continua sendo um dos principais pontos positivos destacados pelos analistas.

De acordo com o BTG, a estratégia protegeu a companhia da queda dos preços do açúcar ao longo da safra passada e deve continuar oferecendo suporte no ciclo atual. A Jalles já fixou aproximadamente 85% da produção esperada de açúcar a preços significativamente superiores aos praticados atualmente no mercado.

O banco avalia que esse posicionamento é especialmente relevante em um momento em que tanto os preços do açúcar quanto os do etanol operam abaixo dos custos unitários de produção do setor.

Por outro lado, os analistas ressaltam que a recuperação da produtividade agrícola continua sendo a principal variável para uma melhora mais consistente na percepção do mercado sobre a companhia.

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“O retorno dos ganhos de produtividade que os investidores aguardam ainda precisa ser entregue”, destacou o BTG.

Diante desse cenário, o banco manteve recomendação neutra para as ações da Jalles (preço-alvo de R$ 5), enquanto os investidores seguem atentos aos sinais de recuperação operacional ao longo da safra 2026/27.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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