Fim da era do dinheiro barato? Janus Henderson aposta em títulos de curto prazo
Os investidores deveriam ampliar a exposição a títulos de renda fixa de curto prazo nos próximos anos, segundo avaliação da gestora global Janus Henderson. Em relatório, a casa afirma que mudanças estruturais na economia mundial podem sustentar um ambiente de inflação, volatilidade e juros mais elevados, reduzindo a atratividade dos títulos de longo prazo.
“Observamos uma convergência de forças estruturais e cíclicas, juntamente com dinâmicas de mercado favoráveis, criando um cenário positivo para exposições de menor duração no médio prazo”, diz o documento assinado pelos analistas John P Kerschner, Daniel Siluk e Michael Contopoulos.
De acordo com a gestora, fatores como o envelhecimento populacional em economias desenvolvidas, o aumento dos déficits fiscais na Europa e Estados Unidos e o avanço da desglobalização tendem a pressionar os rendimentos dos títulos soberanos de longo prazo.
Na visão da Janus Henderson, essas tendências representam uma ruptura com o ciclo de mais de cinco décadas de valorização dos mercados de renda fixa.
“A volatilidade de mercado pode provocar períodos de desempenho inferior, e mudanças nas condições econômicas ou choques externos podem desafiar a tese subjacente. Mesmo assim, nosso cenário-base permanece claro: acreditamos que a renda fixa de curta duração representa uma alocação atraente que os investidores deveriam considerar ativamente”, aponta.
O documento destaca que governos de países desenvolvidos enfrentam um cenário de maior necessidade de gastos públicos, impulsionado por despesas com previdência, saúde e defesa. Ao mesmo tempo, a reorganização das cadeias globais de produção e o aumento de barreiras comerciais podem elevar custos e contribuir para pressões inflacionárias persistentes.
Nesse contexto, a Janus Henderson considera que o prêmio adicional oferecido pelos papéis de vencimento mais longo não compensa adequadamente o risco de novas altas nas taxas de juros. A análise aponta que títulos de curto prazo historicamente apresentaram melhor relação entre retorno e risco, medida pelo índice Sharpe, em comparação com segmentos mais longos da curva.
“Com diversas forças apontando para juros estruturalmente mais altos e múltiplas fontes de volatilidade capazes de provocar movimentos bruscos nas taxas, vemos pouco motivo para perseguir rendimento adicional através de prazos mais longos.”
A gestora também chama atenção para a composição dos principais índices de renda fixa, fortemente concentrados em títulos públicos, crédito corporativo e papéis hipotecários, todos sensíveis à trajetória dos juros. Segundo o relatório, esse perfil pode aumentar a vulnerabilidade dos investidores caso os rendimentos dos títulos soberanos continuem subindo.
Entre as alternativas recomendadas estão títulos corporativos de curta duração, ativos securitizados e instrumentos de taxa flutuante, como determinadas operações de crédito privado. Esses ativos poderiam oferecer proteção adicional em um cenário de manutenção ou elevação das taxas básicas de juros pelos bancos centrais.
A Janus Henderson afirma ainda que investidores institucionais na Europa e nos Estados Unidos já vêm reduzindo a duração média de suas carteiras e tratando a estratégia como uma mudança estrutural, e não apenas uma decisão tática de curto prazo.
Para a gestora, os títulos de menor vencimento continuam aptos a cumprir funções tradicionais da renda fixa, como geração de renda, preservação de capital e diversificação de portfólio.