Política

Javier Milei vê equipe econômica desmanchar, 16 dias antes da posse na Argentina

24 nov 2023, 16:27 - atualizado em 29 nov 2023, 16:23
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Serra elétrica desdentada: até agora, Javier Milei, futuro presidente da Argentina, só mutilou a própria equipe econômica (Imagem: Divulgação/ Javier Milei)

A 16 dias da posse como novo presidente da Argentina, o anarcocapitalista Javier Milei vê sua equipe econômica se desmanchar em meio a intrigas e caneladas. Entre ontem (23) e hoje, abandonaram o barco Emilio Ocampo, que comandaria o Banco Central, e Carlos Rodríguez, que chefiaria o conselho econômico do futuro governo.

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Para piorar, Luis Caputo, nome mais cotado para o Ministério da Economia, também estaria de saída, segundo o jornal argentino La Nación. Caputo ganhou projeção nacional, ao ser ministro da Economia e presidente do Banco Central, durante o governo de Maurício Macri (2015-2019), e assessorava Milei há cerca de um ano, por meio de sua consultoria Anker Latinoamérica.

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De acordo com o La Nación, o clima no gabinete de transição de Milei se deteriorou rapidamente, desde que o ultraliberal derrotou o peronista Sergio Massa no segundo turno da eleição presidencial, no último domingo (19). O jornal argentino afirma que a briga por poder entre os assessores mais próximos já causou “múltiplos traumatismos”, em meio “à desordem, ruídos e vários colaboradores feridos”.

A primeira baixa ocorreu ontem, quando Emilio Ocampo desistiu de presidir o Banco Central da Argentina (BCRA) no futuro governo. Principal ideólogo da dolarização da economia e da extinção do BCRA, Ocampo bateu de frente com Luis Caputo, cotado para o Ministério da Economia.

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Equipe econômica de Javier Milei bate cabeça

O motivo do embate foi a divergência de ambos sobre o valor das Letras de Liquidez (Leliqs), título público emitido pelo Banco Central e usado como lastro, pelos bancos privados, para aplicações financeiras de pequenos investidores pessoa física. Enfrentando uma inflação acumulada de quase 130% neste ano, a remuneração das Leliqs está entre 200% e 250% ao ano e é uma das principais tábuas de salvação da classe média e dos mais ricos.

Segundo o La Nación, Ocampo acredita que é possível liquidar o Banco Central, ao cancelar seus ativos com seus passivos (a base monetária e os títulos de dívida). Para que a conta feche, o economista afirma que as Leliqs valham US$ 40 bilhões.

Caputo, por sua vez, estima que esses títulos valham bem menos – apenas US$ 5 bilhões. Por isso, propõe uma outra solução para as Leliqs. Para piorar tudo, enquanto Ocampo trabalhava às claras na campanha de Milei e era o principal defensor da dolarização, Caputo atuaria nos bastidores e torpedeava o economista, segundo o La Nación.

Por último, quando aceito a missão de Milei de comandar o Banco Central, Ocampo impôs, como condição para participar do futuro governo, que o ministro da Economia escolhido pelo presidente eleito fosse totalmente alinhado às suas ideias – algo que, nem de longe, pode-se dizer de Caputo.

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Luis Caputo, um quase ministro da Economia da Argentina?

À medida que o nome do ex-ministro de Macri ganhava força para titular da Economia, Ocampo recuava e via o desalinhamento como sinal de que Milei não cumpriria o combinado. Ao mesmo tempo, segundo outro jornal argentino, o Clarín, os banqueiros locais faziam uma oposição crescente a Ocampo, já que são contra a dolarização.

A ironia é que, após a renúncia de Ocampo, o próprio Caputo deu sinais de que não pretende integrar o gabinete de Milei. O La Nación afirma que o desembarque ainda não é oficial, mas a equipe do futuro presidente dá como certa a saída do quase ministro da Economia, que deve alegar motivos pessoais e profissionais para não aceitar o convite.

Outra baixa na equipe econômica é o de Carlos Rodríguez, convidado em maio por Milei para chefiar o conselho econômico do governo, caso o anarcocapitalista vencesse. Na quarta-feira (22), Rodríguez deu uma longa entrevista ao canal de televisão TN em que praticamente sacramentou sua saída.

Na conversa, Rodríguez criticou duramente o plano de dolarização, afirmando que o futuro governo não tem dos dólares necessários para abandonar o peso. Para obtê-los, o economista afirma que a Argentina teria que contrair uma nova dívida, o que, no limite, levaria o presidente ultraliberal a aumentar impostos para quitá-la.

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Carlos Rodríguez sai atirando da equipe de Milei

Além disso, Rodríguez se queixou de que, desde que Milei venceu a eleição, não foi procurado pelo futuro presidente e, portanto, sente-se excluído da elaboração dos planos para combater a inflação galopante que atropela os argentinos e joga 40% da população na pobreza.

Na manhã desta sexta-feira (24), Rodríguez oficializou sua renúncia à chefia do conselho econômico do futuro governo, numa curta mensagem em sua conta no X (antigo Twitter).

“Por meio da presente, comunico minha decisão irrevogável de encerrar toda relação formal, real ou presumida, de assessoramento em matéria econômica na La Libertad Avanza [a coligação de partidos que elegeu Milei].  Creio que serei muito mais útil à causa da liberdade, se puder opinar livremente, sem que minhas ideias tenham que estar associadas a um partido político ou a uma pessoa”, afirmou.

A dificuldade de Milei definir a equipe econômica começa a causar calafrios no mercado argentino e nos agentes econômicos locais. Por ora, o anarcocapitalista parece mais perto da anarquia, do que do capitalismo.

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Diretor de Redação do Money Times
Ingressou no Money Times em 2019, tendo atuado como repórter e editor. Formado em Jornalismo pela ECA/USP em 2000, é mestre em Ciência Política pela FLCH/USP e possui MBA em Derivativos e Informações Econômicas pela FIA/BM&F Bovespa. Iniciou na grande imprensa em 2000, como repórter no InvestNews da Gazeta Mercantil. Desde então, escreveu sobre economia, política, negócios e finanças para a Agência Estado, Exame.com, IstoÉ Dinheiro e O Financista, entre outros.
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