JBS (JBSS32) mira S&P 500 após listagem nos EUA, mas BTG prega cautela no curto prazo
A JBS (JBSS32) deve seguir avançando em sua agenda de reprecificação no mercado internacional após a listagem nos Estados Unidos, com potencial inclusão em índices acionários relevantes — mas o momento operacional ainda exige cautela, segundo relatório do BTG Pactual, após reunião com a companhia.
O banco destaca que a empresa já cumpriu etapas importantes sob a gestão do CFO Guilherme Cavalcanti, como a redução do custo da dívida e o alongamento do perfil de vencimentos.
Agora, o foco passa a ser a reprecificação das ações, com a entrada em índices como o Russell já no curto prazo e, mais adiante, no S&P 500.
A inclusão no principal índice americano, no entanto, ainda depende de fatores como aumento do free float, histórico mínimo de listagem nos EUA e valor de mercado. Caso se concretize, o movimento pode atrair cerca de US$ 3 bilhões em fluxos passivos para o papel.
O banco mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 110 para o BDR. Dentre os frigoríficos, a JBS é a única ação que tem recomendação de compra pelo BTG.
Pressão em margens limita tese de curto prazo
Apesar dos avanços estruturais, o BTG avalia que a JBS pode ter menor potencial de geração de “alpha” — ou seja, de retorno acima do mercado — no curto prazo.
Isso porque as margens estão sob pressão em diferentes segmentos, refletindo o estágio do ciclo de proteínas.
Na operação de carne bovina nos Estados Unidos, o cenário segue desafiador, com margens negativas. A companhia espera continuidade no fechamento de capacidade no setor, mas não pretende reduzir sua própria operação, apostando na manutenção de escala para capturar a recuperação futura.
Além disso, fatores como seca em regiões produtoras e discussões sobre a reabertura da fronteira com o México adicionam incertezas à dinâmica de oferta.
No segmento de aves, a expectativa é de normalização após dois anos de margens elevadas.
A produção deve crescer cerca de 2% em 2026 no Brasil e nos EUA, o que tende a pressionar os preços. Embora a JBS acredite em um ajuste gradual, o BTG vê risco de uma queda mais acentuada, diante do aumento do plantel de matrizes e da maior oferta projetada.
Dividendos sustentam atratividade da JBS
Para o BTG, a principal força da JBS segue sendo a diversificação, que permite atravessar ciclos negativos e ainda gerar retorno ao acionista — como evidenciado pelo recente pagamento de US$ 1 bilhão em dividendos.
Embora o banco não veja a ação como a melhor oportunidade de ganho acima do mercado no curto prazo, considera que ela ainda oferece uma das propostas de valor mais atrativas do setor.