JBS (JBSS32) registra prejuízo de US$ 102 milhões no 2T26
A JBS (JBSS32) reportou um prejuízo de US$ 102 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), contra um lucro de US$ 528 milhões no mesmo trimestre do ano passado.
O Ebitda ajustado (IRFS) saiu de US$ 1,754 bilhão para US$ 1,429 bilhão no mesmo comparativo.
Em comunicado, a JBS destacou sua receita líquida, que atingiu o valor recorde US$ 23,9 bilhões no segundo trimestre deste ano, crescimento de 14% em relação ao mesmo período de 2025, refletindo o forte desempenho de sua plataforma global diversificada de proteínas.
De abril a junho, o Ebitda ajustado chegou a US$ 1,257 bilhão, e a maioria das unidades de negócio da companhia apresentou melhora sequencial de rentabilidade, apesar dos desafios persistentes no segmento de carne bovina nos Estados Unidos.
“Voltamos a registrar receita recorde, refletindo a força de nosso portfólio diversificado entre geografias, proteínas e marcas. Apesar das diferentes condições de mercado ao redor do mundo, nossas equipes operacionais mantiveram o foco em execução, eficiência e alocação disciplinada de capital”, afirma o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni.
A alavancagem líquida encerrou o trimestre em 3,10 vezes. A JBS mantém uma posição robusta de liquidez, com prazo médio da dívida superior a 15 anos e custo médio de 5,7% ao ano.
“Temos uma estrutura de capital sólida e liquidez adequada para atravessar os diferentes ciclos de nossas operações. O foco permanece na maximização do retorno dos investimentos já realizados”, diz Guilherme Cavalcanti, CFO Global da JBS.
O fluxo de caixa livre foi positivo em US$ 130 milhões, melhora de US$ 185 milhões em relação ao segundo trimestre de 2025. O avanço foi impulsionado por iniciativas de gestão do capital de giro, incluindo desconto de recebíveis, adiantamentos de clientes relacionados às exportações no Brasil e evolução da conta de fornecedores.
O desempenho do trimestre refletiu os benefícios da plataforma operacional diversificada da JBS, com resultados sólidos em aves, suínos e operações internacionais ajudando a compensar a pressão persistente na indústria de carne bovina na América do Norte.
JBS sente impactos de maior oferta de frango e despesas não recorrentes
O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, destacou que a produção de frango cresceu tanto nos Estados Unidos quanto no México por maior produtividade e menor impacto dos casos de gripe aviária, o que pressionou os preços.
“O que acontece é que tem mais frango nos Estados Unidos, as commodities tiveram preços mais baixos… menos gripe aviária, a produtividade foi maior”, afirmou Tomazoni.
Questionado se a indústria vai reduzir a produção em reação à queda nos preços, ele evitou fazer projeções.
Tomazoni deixará o cargo após 14 anos de atuação na companhia, incluindo oito anos como CEO global da JBS. Durante a gestão do executivo, a companhia tornou-se uma empresa de alimentos mais diversificada e global, com a receita crescendo de cerca de US$ 50 bilhões para US$ 86,2 bilhões.
Na Seara, unidade brasileira de frangos e suínos que engloba também produtos de maior valor agregado, o Ebitda ajustado no segundo trimestre foi de US$380 milhões, recuo de 2,9%.
Já a receita total da empresa somou um recorde de US$23,9 bilhões, impulsionado pela unidade de carne bovina, que cresceu para US$7,77 bilhões, apesar de margens negativas, uma vez que o aumento do preço do boi gordo superou a velocidade da alta da carne.
A alavancagem líquida encerrou o segundo trimestre em 3,1 vezes (dívida líquida/Ebitda ajustado), ante 2,27 vezes no mesmo período de 2025, “ligeiramente acima da meta financeira de longo prazo da companhia”.
A empresa informou ainda que, em agosto, ampliou sua linha de crédito rotativo de US$3,5 bilhões para US$4,2 bilhões, reduzindo, ao mesmo tempo, o custo total da operação. Com esse aumento, a liquidez total da JBS elevou-se para US$7,7 bilhões.
Novo CEO projeta melhora em bovinos
A JBS considera que deverá haver uma melhora na oferta de gado nos Estados Unidos até o final do primeiro semestre de 2027, com uma reabertura para entrada de animais mexicanos para engorda em território norte-americano, à medida que uma questão sanitária relacionada a um parasita está sendo equacionada.
Nesse contexto, o presidente da JBS USA, Wesley Bastista Filho — anunciado nesta segunda-feira como futuro CEO global da empresa a partir de 2027 — acredita que vai melhorar a oferta de gado no ano que vem.
“A gente espera que vai ter gado pronto para abate nos EUA por causa da abertura no primeiro trimestre, segundo trimestre de 2027”, disse.
Ele ressaltou a abertura gradual das exportações de gado do México para os EUA a partir de Estados não infectados pelo parasita. “Vai abrir um ponto de entrada no final do mês. E mais dois pontos nos meses seguintes, se não tiver nenhum percalço”, afirmou.
Além da barreira para exportações de animais mexicanos, a oferta de gado nos EUA está restrita pelo baixo rebanho de vacas matrizes, que impacta no número de bezerros e por sua vez na produção de carne.
“Traz um equilíbrio de volta para o mercado, ou seja, um dos dois problemas se resolve, obviamente tem ainda a questão de vacas…”, afirmou.
Com relação à nova oferta de gado mexicano para os EUA, Batista Filho disse que deve ser um volume relevante, considerando que antes dos embargos sanitários, há cerca de dois anos, aproximadamente 5% dos animais abatidos nos EUA nasciam no México.