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Diretor do Banco Central faz alerta para agro; “desaceleração forte”

24 set 2026, 15:47
Paulo Pichetti, diretor do Banco Central
Paulo Pichetti, diretor do Banco Central (Imagem: Youtube do Banco Central)

O Banco Central espera uma forte desaceleração da agropecuária em 2027, em meio aos efeitos do clima, ao endividamento elevado dos produtores rurais e ao aumento dos preços dos insumos.

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A avaliação foi feita nesta quinta-feira (24) pelo diretor de Política Econômica, Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Paulo Picchetti, durante a coletiva de imprensa da apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM) de setembro.

“Se vocês olharem a contribuição da agricultura, vocês vão ver uma desaceleração forte”, afirmou Picchetti.

Segundo o diretor, parte desse movimento está relacionada aos efeitos climáticos sobre a produtividade das lavouras. Mas o clima não explica tudo.

“Em parte tem a ver com os efeitos do clima, em parte tem a ver com outros elementos que a gente está chamando a atenção no relatório, que têm a ver com o endividamento elevado dos produtores rurais e aumento do preço dos insumos”, disse.

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A piora esperada para o setor ocorre em meio à perspectiva de uma desaceleração mais ampla da economia brasileira. O BC reduziu de 2% para 1,8% sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e estima avanço de apenas 1,4% em 2027.

El Niño entra na conta

Na apresentação, Picchetti também chamou atenção para um estudo do BC que tenta mensurar os impactos de fenômenos climáticos, como El Niño e La Niña, sobre a produtividade agrícola.

O exercício econométrico analisa diferentes culturas e regiões do país e, segundo o diretor, aponta efeitos negativos sobre a produtividade de algumas lavouras, principalmente milho, algodão e arroz.

Para a soja, entretanto, o resultado é menos claro. Picchetti explicou que os efeitos positivos e negativos observados em diferentes regiões tendem a se compensar.

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O diretor ressaltou ainda que o estudo mede a produtividade, ou seja, a produção em relação à área plantada, e não permite estimar os efeitos dos fenômenos climáticos sobre o tamanho da área cultivada.

A avaliação sobre o agro ajuda a explicar por que o BC espera que a perda de força da economia continue no próximo ano. Segundo Picchetti, a desaceleração já observada na atividade está relacionada aos efeitos da política monetária restritiva.

“Isso tem a ver com a perspectiva de uma desaceleração gradual que está respondendo à política monetária, que está em um ciclo de calibração”, afirmou.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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