Apple (AAPL34): Com 25 anos de casa, John Ternus sucede Tim Cook sob pressão de aplicar IA nos produtos e descobrir o ‘novo iPhone’
John Ternus assumiu nesta terça-feira (1) o cargo de CEO da Apple (AAPL34), sucedendo Tim Cook após 15 anos à frente da companhia.
Cook, porém, não está se aposentando. Isso porque ele continuará como presidente do conselho da empresa de tecnologia. Durante sua gestão, o valor de mercado da Apple saltou de US$ 350 bilhões (R$ 1,8 trilhão) para mais de US$ 4 trilhões (R$ 20,7 trilhões).
Apesar de ser novo no cargo, Ternus já conta com 25 anos de casa. Formado em engenharia mecânica, o norte-americano começou na equipe de design de produto da Apple, pouco tempo antes do lançamento do iPod.
Ao longo da carreira, Ternus também assumiu o papel de vice-presidente de engenharia de hardware e se tornou um dos principais destaques no quesito desenvolvimento de novos dispositivos.
Ternus entra para o comando da big tech diante de desafios como a expansão da inteligência artificial, a pressão regulatória sobre a App Store, a administração do relacionamento com o governo de Donald Trump e o desafio de descobrir qual será o próximo grande produto da empresa além do iPhone.
As pedras no caminho
Em pouco mais de uma semana, no dia 9 de setembro, a Apple deve realizar seu evento anual em que divulga as novidades da companhia. Neste ano, e expectativa é que apresente a linha iPhone 18, além do primeiro iPhone dobrável.
Se o celular dobrável realmente for lançado, Ternus poderá dizer que começou com o “pé direito” como CEO, mesmo a tecnologia tendo sido desenvolvido durante a gestão de Cook.
Além dos smartphones, espera-se também que a empresa divulgue mais detalhes da Siri baseada em IA generativa, uma promessa que representa um passo importante para a estratégia de inteligência artificial da companhia.
O desafio com IA também inclui as dificuldades regulatórias de expandir suas capacidades na Europa e na China.
Outra questão relevante com a que o executivo terá de lidar é o relacionamento com o governo Trump. Cook foi um dos principais interlocutores da Apple junto ao governo dos Estados Unidos e ampliou investimentos da companhia no país, além de reforçar sua presença industrial local para atender às demandas do atual governo.
O presidente americano chegou a dizer, inclusive, que mantinha contato direto com o executivo para discutir temas relacionados à empresa. Embora Cook permaneça presente e possa continuar influente em Washington, Ternus também terá que construir sua própria relação com o ambiente político e regulatório.
Ao mesmo tempo, ele terá de enfrentar os impactos das mudanças regulatórias globais sobre a App Store. Diversos países, inclusive o Brasil, passaram a exigir que a empresa reduza as taxas cobradas na loja de aplicativos e permita lojas digitais de terceiros em seus dispositivos.
Nos EUA, o novo CEO também terá que acompanhar o processo antitruste movido pelo Departamento de Justiça contra a big tech. A ação, apresentada em 2024, acusa a Apple de manter práticas anticoncorrenciais no mercado de smartphones. Segundo a Bloomberg, as partes já iniciaram negociações para um possível acordo, mas ainda não chegaram a uma resolução.
*Sob supervisão de Maria Carolina Abe