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Boa Safra (SOJA3): Escassez de sementes joga a favor e Citi eleva preço-alvo; ação sobe quase 7%

01 set 2026, 11:38
boa safra soja3
(Foto: Divulgação)

As ações da Boa Safra (SOJA3) subiam 6,96% por volta de 11h13 desta terça-feira (1º), após o Citi elevar o preço-alvo para os papéis da companhia de R$ 6,90 para R$ 7,50.

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Apesar da revisão positiva, o banco manteve a recomendação neutra para a empresa. Na avaliação dos analistas Gabriel Barra e Pedro Gama, a perspectiva operacional está melhorando, mas a alavancagem elevada e as incertezas relacionadas à demanda ainda recomendam cautela.

O Citi atualizou suas projeções após os resultados do segundo trimestre de 2026 e a revisão de suas estimativas macroeconômicas. Segundo o banco, a Boa Safra está priorizando a recuperação das margens em vez do crescimento de volumes ao longo deste ano.



A companhia manteve deliberadamente a produção próxima ao nível das vendas do ano passado e internalizou cerca de 90% de sua capacidade de 280 mil big bags. A estratégia busca reduzir estoques excedentes, preservar a qualidade das sementes, diminuir as taxas de descarte e melhorar a diluição dos custos fixos.

Escassez de sementes favorece Boa Safra

Um dos principais fatores positivos para a tese é a escassez de sementes no mercado. De acordo com o Citi, o excesso de chuvas durante a colheita da soja restringiu a oferta, enquanto concorrentes reduziram os volumes diante das limitações de capital de giro.

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Essa combinação deve favorecer um ambiente mais saudável para preços e margens, beneficiando a Boa Safra.

A recente valorização da soja também pode ajudar a destravar as compras de sementes no segundo semestre. O Citi acredita que o humor dos produtores melhorou marginalmente e espera uma evolução da carteira de pedidos, considerando que as aquisições tendem a se concentrar a partir de agosto.

Até o fim do segundo trimestre, porém, a carteira de pedidos de sementes de soja apresentava queda na comparação anual. O banco atribui o recuo à volatilidade nos preços e na disponibilidade de fertilizantes, além da oferta restrita de crédito no país.

Os produtores também continuam pressionados pelos custos dos fertilizantes e pelos riscos de produtividade associados ao El Niño. Esse cenário pode limitar a adoção de sementes de maior tecnologia, como aquelas submetidas ao tratamento de sementes industrial, conhecido como TSI.

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Em contrapartida, a receita proveniente de outras culturas continua avançando, o que, segundo os analistas, demonstra o sucesso da estratégia de diversificação da companhia.

Inadimplência e alavancagem exigem cautela

O Citi também chamou atenção para a evolução das contas a receber. Os recebíveis vencidos da Boa Safra cresceram 188% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as provisões para perdas esperadas aumentaram 86%.

Os números refletem as dificuldades enfrentadas por produtores rurais e distribuidores de insumos agrícolas. A administração da companhia informou, entretanto, que já recebeu R$ 99 milhões dos R$ 213 milhões em recebíveis vencidos após o encerramento do segundo trimestre.

O banco pondera ainda que a Boa Safra diversificou sua base de clientes nos últimos anos para reduzir a exposição a grandes contas.

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Mesmo com esses atenuantes e a melhora esperada para as margens, a alavancagem permanece como um ponto de atenção. O Citi estima que o indicador encerre 2026 em aproximadamente três vezes, próximo ao limite de 3,5 vezes previsto nos covenants financeiros da companhia.

Esse risco ajuda a explicar por que o banco elevou o preço-alvo, mas ainda não recomenda a compra das ações.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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