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Jojo Wachsmann: O Brasil é um grande lençol de elástico

22/01/2021 - 9:05
Coluna Vitreo
Seventy miles… (Imagem: Reprodução)

Bom dia, pessoal!

Depois de arrefecer o otimismo ontem (21), os mercados inverteram para o negativo. As Bolsas europeias abriram no vermelho hoje, acompanhadas pelos futuros americanos. O Brasil tem se descolado do mundo devido aos seus problemas internos, que parecem não acabar nunca.

Provavelmente, o que testemunhamos em termos de aprofundamentos das discussões políticas e ruídos fiscais deve nos acompanhar por mais algum tempo, prejudicando a performance dos ativos de risco locais. A ver…

Augustinho tinha razão

Adaptamos a referência de Augustinho, de “A Grande Família”, para dar título ao Transparência Radical de hoje. O Brasil é um grande lençol de elástico: quando você ajeita de um lado, ele solta de outro. Mal pudemos comemorar o início da vacinação em território nacional que já aparecem um milhão de outros problemas — é como um lençol de elástico mesmo.

Em São Paulo, seguindo o Plano Nacional de Imunizações, mais de 110 mil pessoas foram vacinadas. Trata-se do Estado mais avançado neste quesito.

O problema? Faltam insumos provenientes da China e da Índia para a continuidade da produção do imunizante. Ao que tudo indica, pelo menos a Índia havia liberado os 2 milhões de doses da AstraZeneca para o Brasil, dado que ficou feia a represália pela falta de alinhamento dos Brics no último encontro relacionado ao comércio mundial (o Brasil votou com os EUA).

Em relação à China, o governador de São Paulo, Doria, e o ex-presidente Temer estão intervindo diretamente para aprimorar os prognósticos de recebimentos de insumos. Hoje, temos vacinas para imunizar menos de 2% da população.

Em outra frente, o risco fiscal fica cada vez mais forte. O auxílio emergencial insiste em não sumir de nossas vidas. Os dois favoritos às presidências das casas legislativas brasileiras se mostraram a favor da extensão do auxílio — Arthur Lira até deu um número mágico, afirmando que “o mercado” aceitaria algo entre R$ 20 bilhões e R$ 50 bilhões por seis meses.

A própria equipe de Guedes sinalizou não descartar a hipótese. Vai ser um problema para o governo por conta da perda de sua imagem como defensor da austeridade e das reformas.

A discussão vai rolar por bastante tempo, de forma muito parecida com as intermináveis 70 milhas de “The Good, the Bad and the Ugly” (filme que não cansa de nos inspirar, já que foi assunto do Diário de Bordo de ontem).

Contenha o otimismo: hora de contar votos

Vacinação China
O governo chinês parece estar testando milhões de pessoas em Pequim e em algumas outras cidades (Imagem: Reuters/Aly Song)

O otimismo quanto ao lançamento das vacinas contra o coronavírus e ao início do governo de Joe Biden foi prejudicado por um aumento nas infecções na China, onde a doença estava (aparentemente) sob controle. O governo chinês parece estar testando milhões de pessoas em Pequim e em algumas outras cidades — pediu, inclusive, à população que evite viajar durante o feriado do Ano Novo Lunar, em fevereiro.

Paralelamente, o mercado começou a contar a quantidade dos votos e o tempo para a aprovação do pacotão de Biden — ainda que tenhamos batido recorde de fechamento na Nasdaq e no S&P 500, a força da alta já estava bem comprometida.

Em dia de votação no Senado para decidir a nomeação de Yellen para a Secretaria do Tesouro, os mercados ficam atentos sobre como o pacote de estímulos será aprovado. Adicionalmente, há bastante expectativa em torno de um plano de infraestrutura.

Havia grandes esperanças de movimentação em infraestrutura na era Trump, mas pouco aconteceu, com exceção da prorrogação da Lei de Transporte de Superfície por mais um ano. Agora, com a pequena maioria que os democratas têm no Senado, os gastos com infraestrutura provavelmente serão uma das medidas menos controversas e podem ser implementados.

Se não for trilhão, nem conto mais

Na Europa, em encontro do Banco Central da Europa (BCE), a autoridade monetária manteve sua taxa de refinanciamento em 0% ao ano, a taxa de depósitos em -0,5% e a taxa de empréstimo marginal em 0,25%.

Em fala posterior à decisão, a presidente da instituição, Christine Lagarde, reafirmou sua política expansionista, como esperado, informando que as taxas continuarão no nível atual ou até por mais tempo.

Reafirmou também a permanência do programa de compra de títulos no montante atual de 1,85 trilhão de euros — sim, é uma loucura.

Ao mesmo tempo, na Ásia, o Banco do Japão também manteve a taxa de juros em -0,1%, e os juros de títulos do governo com vencimento em dez anos em 0%. O mundo dos juros zerados ou negativados segue forte… Parece ter vindo para ficar.

Anote aí!

Vacinas, CoronaVac, Governo de São Paulo
O Butantan decide se colocará mais 4,8 milhões de doses da CoronaVac em uso emergencial (Imagem: Reuters/Amanda Perobelli)

A agenda do dia está bem carregada no exterior. No Brasil, vale ficar de olho apenas na Receita Federal, que promete dar uma maior sensibilidade do tamanho da arrecadação por taxações e impostos do governo — em meio às discussões fiscais, indicadores como este ganham importância.

Fora isso, chegam hoje as vacinas da Índia e o Butantan decide se colocará mais 4,8 milhões de doses da CoronaVac em uso emergencial.

Na Europa, o que tinha de mais relevante já foi divulgado agora pela manhã: os Índices de Gestores de Compras (PMI, na sigla em inglês) da manufatura, de serviços e composto — o indicador resume se as condições de mercado, conforme vistas pelos gerentes de compras, estão se expandindo, permanecendo as mesmas ou se contraindo.

No caso, o da manufatura e o de serviços vieram acima do esperado, enquanto o composto veio levemente abaixo.

Ainda lá fora, os EUA entregam uma agenda bem pesada. Entre os destaques apontamos: PMIs de serviços, da manufatura e composto, venda imobiliária, estoque de gás natural e de petróleo, produção de combustíveis e relatórios Baker Hughes para o setor petroleiro — os indicadores relacionados com commodities poderão impactar o Brasil.

Muda o que na minha vida?

Mercado não tem ideologia. O que importa é o dinheiro.

Vocês devem se lembrar que, antes das eleições, havia um temor de que os democratas pudessem representar uma guinada rumo a mais regulações e impostos, ainda que sob a liderança de um político moderado. Contudo, desde a eleição de Biden até sua posse, parece que os agentes esqueceram esse medo, mesmo com maioria democrata no Senado e na Câmara. O que aconteceu?

Bem, em grande parte, o mercado de ações foi impulsionado pela expectativa de um mega plano de estímulo (US$ 1,9 trilhão). A indicada à Secretaria do Tesouro, Janet Yellen — que terá sua nomeação decidida hoje no Senado, vale lembrar — disse que o foco atual de Biden é o alívio para as famílias americanas atingidas pela pandemia do coronavírus, e não o aumento de impostos, e pode demorar um bom tempo até que essa discussão ressurja.

Ademais, também houve apoio dos líderes empresariais dos EUA, sinalizando que o diálogo aberto seguirá para novos impostos e novas iniciativas verdes. No final do dia, em termos líquidos, o mercado parece ter verificado mais benefícios do que malefícios do resultado das eleições de 2020 — sem o peso da volatilidade do Twitter e dos atritos diplomáticos, que eram muitos.

Money talks, bullshit walks.

Fique de olho!

A edição do Diário de Bordo de ontem está cinematográfica.

O tema foi uma das maiores obras do cinema: a trilha sonora L’Estasi dell’Oro, do saudoso compositor e maestro Ennio Morricone.

Nela, o Jojo falou sobre como O Êxtase do Ouro o inspirou a escrever esse DB, que é quase um conselheiro para quem está aberto para investir em grandes oportunidades para o futuro.

Se esse é o seu caso, o Jojo lembrou que você precisa se inscrever para a série “O Seu Novo Dinheiro”.

Uma outra coisa bem legal que esse Diário de Bordo trouxe foi o resumo da posse do Joe Biden à presidência dos Estados Unidos e sua relação com o fundo Canabidiol, da Vitreo, e o resumo da live Vitreo Ao Vivo dessa semana, que teve como tema “Os Melhores Fundos”.

Quem participou dessa live junto com o Jojo foi o Bruno Mérola e a Ana Westphalen, que trouxeram comentários bastante importantes para os investidores que se interessam por esse tipo de alocação.

No #umfundopordia, o Jojo falou sobre produtos bastante interessantes entrando na casa, que são o Gávea Macro Plus II FIC FIM e o Gávea Macro FIC FIM, que certamente poderão ajudar muito na estratégia de investimento de nossos clientes.

E, para fechar essa edição com chave de ouro, diversas dúvidas foram respondidas no “Pergunte ao Jojo”, e uma nova funcionalidade bem bacana foi incluída para os investidores de produtos de previdência.

Como sempre, o Diário de Bordo está com muito conteúdo de valor, compartilhado com muito cuidado pelo Jojo. Você não pode perder.

Para acessar a publicação na íntegra e saber tudo o que foi dito por ele lá, clique no botão abaixo.

[EU QUERO LER O DIÁRIO DE BORDO]

Um abraço,

Jojo Wachsmann

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Última atualização por Lucas Eurico Simões - 22/01/2021 - 9:05

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