JP Morgan vê no IRB(Re) (IRBR3) potencial para forte pagadora de dividendos; ações caem após 4T25
As ações do IRB(Re) (IRBR3) recuavam cerca de 2% com o mercado reagindo ao balanço do quarto trimestre de 2025 divulgado na véspera. A resseguradora teve lucro líquido de R$ 143 milhões, aumento de 27% e um pouco abaixo do consenso da Bloomberg de R$ 148 milhões.
No entanto, outras linhas do balanço não foram tão bem avaliadas pelo mercado, que ainda tem no radar a volta da distribuição de dividendos pela companhia – ainda a ser ratificada pelo conselho.
Na avaliação do JP Morgan, os lucros vieram em linha com as estimativas, entretanto, a linha de receita decepcionou, com queda de 16% nos prêmios emitidos em relação ao ano anterior e de 5% nos prêmios ganhos.
A equipe de analistas liderada por Guilherme Graspan afirma que o índice de sinistralidade ficou em 52%, uma queda de 12,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior, sendo 37% no Brasil e 75% no exterior. O índice comercial também surpreendeu positivamente, ficando em 16%, com queda de 5 pontos percentuais no custo de aquisição de seguros patrimoniais e de responsabilidade civil em relação ao trimestre anterior.
“Os pessimistas argumentariam que o índice de sinistralidade é insustentável neste nível e que os prêmios estão diminuindo, enquanto os otimistas argumentariam que outras despesas foram ligeiramente maiores neste trimestre, atingindo R$ 34 milhões (contra R$ 10 milhões no 4T25) – o comunicado menciona custos com avaliação de risco e cartas de crédito”, ponderam os analistas.
A redução de 16% nos prêmios decepcionou o JP Morgan, justificando a visão negativa sobre o resultado.
“Dito isso, ainda acreditamos que a IRB pode ser uma forte pagadora de dividendos – a administração deve enviar uma proposta de distribuição de dividendos para a assembleia de acionistas em março, a ser deliberada”, diz o banco.
Disciplina na seleção de risco
Para o BTG Pactual, o IRB(Re) pegou o rumo para 2026 com ainda mais força, após um trimestre que refletiu a disciplina na seleção de risco, bem como o impacto positivo de uma menor incidência.
A equipe de analistas do banco, liderada por Eduardo Romsan, pondera que os custos de retrocessão impactaram a receita bruta, enquanto o índice de sinistralidade melhorou sequencialmente, encerrando 2025 em um nível saudável.
Tendo em dívida índices confortáveis e com as perdas acumuladas agora totalmente compensadas, o BTG vê o IRB preparado para apresentar uma proposta de dividendos para aprovação em março.
O banco permanece acompanhando a recuperação da resseguradora, que trilha um caminho construtivo, ainda que não linear, dada a volatilidade típica do setor.
“Ainda assim, a tendência subjacente permanece positiva, apoiada pela melhora na qualidade da subscrição, por uma posição de capital mais forte e por uma execução consistente por parte da administração. A avaliação segue atrativa e reiteramos nossa recomendação de compra”, diz o BTG.
O Safra pondera que o lucro teve ajuda dos sinistros, mas vê o balanço como neutro para as ações.
“A queda nos sinistros novamente ajudou a melhorar os números de underwriting, e também observamos que a redução dos níveis de retenção — intenção que a companhia vinha mencionando nos últimos trimestres — se concretizou no quarto trimestre”, dizem os analistas Daniel Vaz e equipe.
Por outro lado, os prêmios emitidos seguiram em ritmo lento, limitando o potencial de lucro para 2026 e fazendo com que a avaliação atual da companhia não pareça um ponto de entrada atraente.
Os analistas do banco recordam ainda que o IRB recebeu nesta semana duas intimações de recursos em processos arbitrais que, somados, chegam a R$ 330 milhões em disputa.
“Embora não seja possível avaliar o desfecho potencial, a notícia adiciona um risco adicional à tese. Reiteramos nossa recomendação Neutra”, dizem os analistas.
Hora de comprar IRB(Re)?
| Banco/Corretora | Recomendação | Preço-alvo |
|---|---|---|
| JP Morgan | Compra (Overweight) | — |
| BTG Pactual | Compra | R$ 60,00 |
| Safra | Neutra | R$ 61 |