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Juros futuros longos disparam até 30 pontos-base com comunicado ‘dovish’ do Copom

18 jun 2026, 12:53 - atualizado em 18 jun 2026, 12:53
Juros selic copom fed
(Imagens: iStock/Andrii Yalanskyi)

A curva de juros futuros opera em alta nos vértices intermediários e longos em reação à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

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Ontem (17), o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. Essa foi a terceira redução consecutiva do Banco Central, em linha com o esperado pelo mercado. A decisão do colegiado foi unânime.

O BC destacou piora marginal das projeções de inflação, aumento das incertezas no cenário externo – com atenção especial às tensões no Oriente Médio – e passou a enfatizar o “ajuste total” do ciclo de política monetária, em vez do ritmo de cortes.

Na leitura de economistas e analistas, o corte não altera a direção do ciclo, mas altera sua “elasticidade”, com o espaço para continuidade mais estreito e mais dependente dos dados.

Sendo assim, parte do mercado avalia que o comunicado manteve a “porta aberta” para novos cortes na Selic, na contramão do tom adotado pelos principais bancos centrais ao redor do mundo.

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A leitura de um Copom mais ‘dovish’ favorece o recuo das taxas de Depósito Interfinanceiros (DIs) de curto prazo.

A taxa de DI para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, por exemplo, chegou a cair 11 pontos-base, a 14,205% ante 14,320% do fechamento anterior, na mínima intradia. Por volta de 12h30, a taxa de DI operava a 14,255%.

Já os juros futuros intermediários e longos, que já estavam pressionados, avançam com a “rolagem” do horizonte relevante do BC para o primeiro trimestre de 2028 já na próxima decisão, em agosto. No comunicado,

Os vértices também refletem a postura mais conservadora do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos). O gráfico de pontos (dot plot), atualizado trimestralmente no Resumo de Projeções Econômicas (SEP, na sigla em inglês), apontou para uma alta de 25 pontos-base dos juros até dezembro.

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A taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, avançou 19 pontos-base nas primeiras horas do pregão, a 14,875% ante 14,385% do fechamento anterior.

Já a taxa de DI para janeiro de 2035, de longo prazo, saltou 30 pontos-base na máxima intradia, a 14,710% ante 14,405% do fechamento da última quarta-feira (17).

Fed mais conservador

Como o esperado, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Essa foi a quarta manutenção consecutiva, em uma decisão unânime.

O destaque, porém, foi a coletiva de imprensa, a primeira de Kevin Warsh no comando do Fed. Durante o pronunciamento, o novo presidente indicou que o BC poderá promover mudanças em sua estratégia de comunicação com o mercado, incluindo a realização de coletivas de imprensa e outros instrumentos de orientação aos investidores.

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Warsh também revelou que não enviou uma projeção para o dot plot, por considerar que a ferramenta não é particularmente útil para a condução da política monetária. Segundo ele, as projeções foram feitas “a lápis, com uma grande borracha”, sugerindo que os dirigentes reconhecem a elevada incerteza do cenário.

Ele ainda anunciou a criação de cinco grupos de trabalho, abordando as comunicações do Fed, seu balanço patrimonial, sua dependência de fontes de dados, produtividade e empregos, e as “estruturas” de inflação do BC.

Após a decisão e as falas de Warsh, o mercado adiantou a aposta de elevação nos juros. No fechamento de ontem (17), os agentes financeiros observavam 66,3% de chance de o Fed elevar os juros em setembro, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. Antes da decisão, dezembro era o mês mais provável para um ajuste para cima dos juros.

Já hoje (18), a probabilidade de alta nos juros estavam em 74,4%, por volta de 12h30 (horário de Brasília).

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As falas de Warsh também tiveram reflexo nos juros projetados para os títulos do Tesouro, os Treasuries. O rendimento dos título de 2 anos, mais sensível à política monetária, chegou a subir 16 pontos-base, atingindo a máxima intradia a 4,220% na reta final do pregão de ontem (17), no maior nível desde fevereiro de 2025.

Nesta quinta-feira, o rendimento do Treasury de 2 anos mantém ritmo de alta, ainda na máxima intradia de mais de um ano. Pela manhã, o yield atingiu 4,217%, ante 4,163% do fechamento anterior.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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