Juros Futuros

Título do Tesouro dos EUA de curto prazo atinge maior nível em mais de um ano com Warsh

17 jun 2026, 18:19 - atualizado em 17 jun 2026, 18:32
(Imagem: alexsl/ iStock)

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, de curto prazo renovaram as máximas do ano na tarde desta quarta-feira (17) em reação à primeira reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) sob o comando de Kevin Warsh.

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Em destaque, o yield (rendimento) do título de 2 anos, considerado mais sensível à política monetária, bateu máxima intradia a 4,229%, no maior nível desde fevereiro de 2025, ante o ajuste anterior 4,047%.

Já o rendimento do título de 10 anos, a principal referência para os empréstimos do governo norte-americano, subiu mais de 8 pontos-base, para 4,501%, na máxima intradia.

O movimento foi impulsionado pela atualização das projeções do Fed, revisado trimestralmente, para os principais indicadores macroeconômicos e as mudanças na postura do BC sob o comando de Warsh.

Como o esperado, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Essa foi a quarta manutenção consecutiva, em uma decisão unânime.

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A primeira mudança, porém, foi vista no comunicado da decisão do Fed com a exclusão do forward guidance, com a retirada do trecho em que o Fomc afirmava que avaliaria a “magnitude e o momento de ajustes adicionais” na taxa de juros.

Já durante a coletiva de imprensa, o Warsh indicou que o BC poderá promover mudanças em sua estratégia de comunicação com o mercado, incluindo a realização de coletivas de imprensa e outros instrumentos de orientação aos investidores.

“Acho que os mercados funcionam melhor quando reagem aos dados que chegam. Funcionam menos eficientemente quando tentam responder à pergunta de como o Federal Reserve reagirá a essas informações”, afirmou.

Ele também revelou que não enviou uma projeção para o dot plot, por considerar que a ferramenta não é particularmente útil para a condução da política monetária. Segundo ele, as projeções foram feitas “a lápis, com uma grande borracha”, sugerindo que os dirigentes reconhecem a elevada incerteza do cenário.

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No gráfico de pontos (dot plot), o Comitê apontou para uma nova alta de 25 pontos-base nos juros até dezembro, além de elevar as estimativas para a inflação, medida pelo índice de gastos com consumo (PCE), de 2,7% para 3,6% em 2026.

Após a decisão e as falas de Warsh, o mercado adiantou a aposta de elevação nos juros. Agora, os agentes financeiros veem 66,3% de chance de o Fed elevar os juros em setembro, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. Antes da decisão, dezembro era o mês mais provável para um ajuste para cima dos juros.

E no Brasil?

A disparada dos rendimentos dos Treasuries também apagou boa parte do alívio na curva de juros brasileira acumulado nos últimos dias com a perspectiva de fim da guerra no Oriente Médio, com a expectativa de inflação e juros nos EUA elevados por mais tempo – o que pode ‘dificultar’ o caminho do Banco Central do Brasil no curto prazo.

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, bateu máxima intradia a 14,355% ao ano, uma alta de 10 pontos-base ante o ajuste anterior. A taxa de DI encerrou a 14,320%, ante 14,255% nesta quarta-feira.

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Já a taxa de DI para janeiro de 2029, que tem apresentado forte volatilidade neste ano, chegou a saltar 36 pontos-base, a 14,700% e encerrou a sessão a 14,685% ante 14,405% do ajuste anterior.

Por aqui, o mercado ficou à espera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo a última atualização, as Opções do Copom precificavam 79% de chance de o Comitê cortar os juros em 25 pontos-base, o que levaria a Selic para 14,25% ao ano, sendo a última redução do BC até dezembro.

O que são os Treasuries?

Os Treasuries são os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, ou seja, títulos da dívida do governo norte-americano.

Em linhas gerais, os Treasurys são considerados o investimento mais seguro do mundo, pelo fato de o governo dos EUA nunca ter dado calote na história e ainda ser o emissor da moeda — no caso o dólar.

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Assim como os títulos do Tesouro brasileiro, os Treasuries possuem diferentes vencimentos, sendo os mais relevantes os de 2, 10 e 30 anos.

Ou seja, ao comprar Treasuries o investidor empresta dinheiro para o governo dos Estados Unidos, com a perspectiva de receber algum retorno financeiro nesses períodos, dada uma taxa negociada diariamente.

Essas taxas, também chamadas de yields (rendimentos) variam de acordo com a perspectiva dos investidores para a trajetória da taxa de juros da maior economia do planeta. Hoje, a faixa atual dos juros está entre 3,50% a 3,75% ao ano.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
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