Lavvi (LAVV3) recua na bolsa após prévia do 1T26, mas papéis chamam atenção dos bancos; é hora de comprar ou vender?
Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações da construtora e incorporadora Lavvi (LAVV3) operam em queda nesta quinta-feira (16) em reação à prévia operacional do primeiro trimestre de 2026 (1T26), divulgada na véspera. Entre analistas, a leitura é mista.
Por volta das 15h21 (horário de Brasília), os papéis da companhia recuavam 2,15% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 14,99. Acompanhe a movimentação em tempo real.
Entre janeiro e março deste ano, a Lavvi registrou R$ 433 milhões em vendas brutas, um recuo de aproximadamente 3,5% em relação aos R$ 448 milhões apurados no mesmo intervalo de 2025.
Sem lançamentos realizados no período, todo o volume comercializado teve sua origem do estoque.
Os distratos (cancelamentos), por sua vez, somaram R$ 97,6 milhões, um aumento de 69,5% frente aos R$ 57,6 milhões reportados um ano antes.
Com isso, as vendas líquidas totalizaram R$ 325 milhões, uma queda de 14% na comparação anual e cerca de 13% abaixo das projeções do BTG Pactual, que classificou os resultados como “fracos”.
“A Lavvi divulgou números operacionais fracos, já que a ausência de lançamentos resultou em um desempenho de vendas abaixo das nossas expectativas”, afirmou o banco, em relatório.
De fato, a velocidade de comercialização consolidada da construtora, medida pelo índice VSO, ficou em 11% no trimestre, contra 15% registrados no mesmo intervalo de 2025.
Consumo de caixa e expectativa de recuperação
O BTG também chamou atenção para o consumo de caixa de R$ 70 milhões no trimestre, ante R$ 46,6 milhões observados um ano antes, refletindo principalmente a aquisição de terrenos.
Entre janeiro e março, a companhia garantiu a opção de compra de quatro terrenos e escriturou outros dois, encerrando o período com um potencial de R$ 10,4 bilhões em VGV (valor geral de vendas) na visão 100% — ou R$ 7,5 bilhões considerando apenas sua participação.
Apesar disso, o banco vê espaço para melhora à frente, já que a empresa se prepara para lançar o projeto “Hípica Santo Amaro“, localizado em São Paulo, no segundo trimestre, que pode ser o maior de sua história. A estimativa é de cerca de R$ 1 bilhão em VGV apenas na primeira fase.
“Esperamos aceleração dos lançamentos nos próximos trimestres, tanto na marca Lavvi, focada em médio e alto padrão, quanto na Novvo, voltada ao segmento econômico”, destacou o BTG, que mantém recomendação de compra para as ações LAVV3.
O preço-alvo para os papéis é de R$ 23, o que representa potencial valorização de aproximadamente 53% frente à cotação atual.
O 1T26 da Lavvi, segundo o Itaú BBA
O Itaú BBA, por sua vez, classificou os resultados como “neutros”, apontando que, apesar da ausência de lançamentos — já esperada —, as vendas líquidas foram positivamente sustentadas pelo giro de estoque, em linha com as projeções.
“Mantemos a confiança na perspectiva para 2026, dado que a construtora continua se beneficiando de um pipeline de projetos diferenciados e de elevada qualidade”, disse o banco, em relatório.
“Embora o segmento de médio e alto padrão enfrente um cenário mais desafiador, a execução de excelência da Lavvi deverá sustentar vendas sólidas”, acrescentou.
Segundo a instituição, os distratos elevados, de R$ 98 milhões, foram parcialmente ligados a unidades do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e a ajustes no projeto “Saffire”, sem indicar problemas relevantes de crédito imobiliário.
O Itaú BBA também apontou que a queima de caixa veio como esperado e foi impulsionada pela expansão do banco de terrenos, na mesma linha de análise do BTG.
O banco possui recomendação outperform (equivalente à compra) para as ações LAVV3, com preço-alvo de R$ 20, o que indica potencial de alta de cerca de 33%.