Log (LOGG3): Ações recuam quase 5% após balanço do 4T25; o que dizem os analistas?
As ações da Log Commercial (LOGG3) operam em forte queda nesta quinta-feira (12), um dia após a companhia divulgar que teve lucro líquido de R$ 78,6 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), um recuo de 21,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Por volta das 12h24 (horário de Brasília), os papéis da empresa, que são negociados fora do Ibovespa, caíam aproximadamente 4,77%, cotados a R$ 26,71. Acompanhe o tempo real.
O que diz o BTG Pactual
Apesar da queda no lucro, a Log Commercial reportou crescimento anual de 17% na receita líquida, que atingiu R$ 65 milhões no 4T25.
Embora tenha classificado os números como “sólidos”, o BTG Pactual destacou, em relatório, que o FFO (fluxo de caixa operacional) permaneceu pressionado pelas despesas com juros, fechando próximo de zero (-R$ 1 milhão).
A própria companhia apontou que o balanço foi, em parte, impactado pela elevação das taxas. “Com a Selic mais alta, tivemos despesas maiores”, disse o diretor financeiro, Rafael Saliba.
“Com essa perspectiva de queda dos juros (este ano), vemos melhora da liquidez de nossos ativos e até expectativa de preços melhorando um pouco. Nosso portfólio nos permite trabalhar com uma projeção de retorno muito favorável nos novos projetos”, afirmou o executivo.
Entre outubro e dezembro, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da Log foi de R$ 48 milhões, o que representa avanço de 14% frente ao 4T24, mas 4% abaixo das projeções do BTG.
No consolidado de 2025, o Ebitda atingiu recorde de R$ 602 milhões, enquanto o lucro líquido totalizou R$ 363 milhões, dentro do guidance.
“Os resultados ficaram, no geral, em linha com nossas expectativas. Reafirmamos nossa recomendação de compra para a Log, apoiada por seu forte momento operacional e um mercado aquecido, implicando bons retornos na reciclagem de ativos”, escreveu o BTG, que possui preço-alvo de R$ 26 para as ações, 3,2% abaixo do preço atual.
Projetos e ocupação
O banco ainda destacou que a companhia entregou três projetos no 4T25, com 98,4 mil m² de área, sendo 88% pré-locados com ticket médio de R$ 23 por m² ao mês – o que equivale a um retorno sobre o custo de 14%.
Além disso, a taxa de vacância do portfólio da empresa ficou em 3,1%, enquanto o aluguel dos mesmos clientes avançou 2,7%, impulsionado pela renegociação de contratos.
Visão do BBI
O Bradesco BBI também classificou o trimestre como “sólido”, citando o acordo vinculante da companhia para vender 12 ativos por cerca de R$ 1,05 bilhão, no maior desinvestimento da empresa feito até hoje.
“Enxergamos o impacto do resultado como positivo para a tese. O anúncio da venda dos empreendimentos reforça a disciplina da Log em monetizar projetos com margens expressivas, ao mesmo tempo em que acelera a desalavancagem esperada para o início de 2026”, afirmou o banco em relatório.
“O desempenho operacional permanece robusto, sustentado pela forte demanda por galpões de alta qualidade, renegociação de contratos e crescimento consistente do aluguel médio”, disse a casa.
Segundo o BBI, embora não haja espaço para dividendos extraordinários no curto prazo, a estrutura de capital da companha segue saudável e as ações negociam com “valuation atrativo“, em 0,7 vez o múltiplo P/VP.