Lojas Renner (LREN3): UBS BB rebaixa ação e passa tesoura no preço-alvo; o que impactou a tese?
O UBS BB rebaixou a recomendação de Lojas Renner (LREN3) de compra para neutra, passando a tesoura também no preço-alvo, que caiu de R$ 18 para R$ 13,50, o que implica um potencial de alta de aproximadamente 17% ante o último fechamento.
A atualização ocorre após a companhia divulgar os resultados do segundo trimestre e revisar as projeções (guidance), com o crescimento da receita para 2026 cortado de 9% a 13% para de 4% a 8%, enquanto as estimativas do UBS BB estão em 4,4%.
A equipe de analistas liderada por Vinicius Strano reduziu as estimativas de lucro líquido ajustado e lucro por ação (LPA) excluindo créditos tributários, de R$ 1,6 bilhão e R$ 1,7 bilhão, em 2026 e 2027, para R$ 1,4 bilhão e R$ 1,5 bilhão, respectivamente. As estimativas de LPA passaram de R$ 1,59 e R$ 1,75 para R$ 1,46 e R$ 1,59.
“Embora a forte posição de caixa líquido da Lojas Renner e os retornos aos acionistas por meio de dividendos e recompras de ações ofereçam uma proteção para os papéis, ainda não vemos evidências convincentes de que a companhia consiga acelerar significativamente os ganhos de participação de mercado e sustentar uma performance superior à do setor”, avaliam os analistas.
O UBS BB pondera ainda que ventos contrários setoriais e macroeconômicos podem limitar o potencial de uma recuperação significativa das ações no curto prazo.
Faltam catalisadores visíveis
Na visão do UBS BB, a Lojas Renner permanece líder clara do mercado de vestuário brasileiro, com 12% de participação de mercado, bem à frente dos concorrentes.
No entanto, apesar de sua escala, capacidade logística e R$ 1,2 bilhão em caixa líquido, a produtividade das lojas apresentou melhora limitada, com um crescimento da receita por metro quadrado e lucro bruto por metro em cerca de 2% em termos reais.
O banco vê essa resiliência de forma positiva, considerando a menor penetração de crédito, a desvalorização cambial e o aumento da concorrência do e-commerce e de empresas cross-border.
No entanto, embora as vantagens estruturais tenham ajudado a defender a economia das lojas, transformá-las em ganhos mais fortes de participação de mercado ou em um desempenho superior sustentado provavelmente exigirá catalisadores mais visíveis do que o banco identificou atualmente.
2T26 da Lojas Renner
A Lojas Renner registrou lucro líquido de R$ 404,6 milhões no segundo trimestre de 2026, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. Junto com o balanço, a varejista revisou para baixo sua projeção de crescimento da receita líquida para este ano, reduzindo o guidance de 9% a 13% para um intervalo entre 4% e 8%.
Segundo a companhia, a revisão reflete um desempenho de vendas abaixo do esperado no trimestre, influenciado por um ambiente macroeconômico e competitivo mais desafiador.
A Renner afirmou que a Copa do Mundo teve impacto mais intenso do que o previsto sobre o fluxo de clientes nas lojas físicas e o padrão de consumo, enquanto o maior endividamento das famílias, a redução mais lenta dos juros e o aumento da concorrência — incluindo plataformas internacionais de cross-border — também pressionaram as vendas.
Apesar disso, a empresa manteve inalteradas as demais projeções para o ciclo entre 2026 e 2030, incluindo a expectativa de crescimento da receita entre 9% e 13% ao ano de 2027 em diante.
A receita líquida de varejo somou R$ 3,689 bilhões, alta de 1,1% na comparação anual, enquanto as vendas em mesmas lojas (SSS) cresceram 0,5%. Na categoria de vestuário, principal negócio da companhia, a receita avançou 2,5%, com crescimento de 1,5% nas vendas em mesmas lojas. Já o GMV digital cresceu 13,1%, alcançando R$ 837,6 milhões e participação recorde de 16,9% nas vendas do varejo.
Mesmo com um crescimento mais fraco da receita, a companhia preservou a rentabilidade. O lucro bruto do varejo cresceu 1,8%, para R$ 2,121 bilhões, enquanto a margem bruta avançou 0,4 ponto percentual, para um recorde de 57,5% em um segundo trimestre.
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