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Corte no guidance pesa e ações da Lojas Renner tombam mais de 10% após balanço; o que fazer com LREN3 agora?

07 ago 2026, 10:57 - atualizado em 07 ago 2026, 11:35
Lojas Renner LREN3 balanço 1T24 primeiro trimestre 2024
Ações da Lojas Renner lideram as perdas do Ibovespa desde o início do pregão, mesmo com crescimento de quase 50% no lucro na base anual (Foto: Flávya Pereira/Money Times)

As ações da Lojas Renner (LREN3) operaram em forte queda e figuraram entre as maiores perdas do Ibovespa (IBOV) nesta sexta-feira (7) e da B3 após a frustração dos investidores e analistas com os números do segundo trimestre (2T26).

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Por volta de 10h40 (horário de Brasília), LREN3 desepencava 11,05%, a R$ 11,99, sendo a maior queda do IBOV e a segunda pior ação negociada na B3.

Os papéis também figuravam como os mais negociados da bolsa brasileira, com cerca de 18,7 mil negócios e giro financeiro de R$ 334,5 milhões.



A varejista de moda registrou lucro líquido de R$ 404,6 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amorização) ajustado consolidado ficou em R$ 844,6 milhões, queda de 5,3%, refletindo principalmente o desempenho mais fraco da operação de serviços financeiros.

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A receita líquida de varejo somou R$ 3,689 bilhões, alta de 1,1% na comparação anual, enquanto as vendas em mesmas lojas (SSS) cresceram 0,5%.

Na categoria de vestuário, principal negócio da companhia, a receita avançou 2,5%, com crescimento de 1,5% nas vendas em mesmas lojas. Já o GMV digital cresceu 13,1%, alcançando R$ 837,6 milhões e participação recorde de 16,9% nas vendas do varejo.

Junto com o balanço, a varejista revisou para baixo sua projeção de crescimento da receita líquida para este ano, reduzindo o guidance de 9% a 13% para um intervalo entre 4% e 8%.

Segundo a companhia, a revisão reflete um desempenho de vendas abaixo do esperado no trimestre, influenciado por um ambiente macroeconômico e competitivo mais desafiador.

Reação negativa já esperada

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Para os analistas, a Lojas Renner apresentou resultados “fracos”, com números abaixo do esperado pelo mercado e balanço acompanhando de uma revisão negativa relevante no guidance da companhia.

Com isso, XP, JP Morgan e BTG Pactual já esperavam uma forte reação negativa das ações.

“O corte do guidance e os sinais de enfraquecimento da demanda devem prevalecer sobre a resiliência apresentada nas margens”, afirmaram os analistas do JP Morgan.

O banco ainda avaliou que as mensagens do resultado não são animadoras: vendas nas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) do varejo apenas de 0,5%, abaixo da estimativa do banco de 2,9% e queda de 22% no resultado da Realize na base anual.

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A desaceleração do SSS frente ao trimestre anterior – queda de 2,5 pontos percentuais do 1T26 para 2T26 –– também chamou a atenção dos analistas da XP. “Diferentemente de seus pares, o SSS da Lojas Renner ficou abaixo das nossas estimativas novamente”, afirmaram Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer.

“Embora todos os pares da Lojas Renner tenham mencionado dinâmicas desafiadoras no trimestre, principalmente associadas à Copa do Mundo, a LREN3 apresentou a desaceleração t/t mais acentuada”, acrescentraram.

O SSS do varejo de C&A (CEABE3) teve alta de 4,1% no 2T26 na base anual e de Riachuelo (RIAA3) avanço 7,8% na comparação anual.

O Itaú BBA também considerou a geração de caixa como outro “ponto fraco” do trimestre. “Um aumento de seis dias nos estoques foi parcialmente compensado por uma elevação significativa de 13 dias no prazo médio de pagamento a fornecedores, sugerindo que não houve problemas relevantes de financiamento com fornecedores no período”, avaliaram os analistas.

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Pedro Pinto e Flávio Meireles, do Bradesco BBI, destacaram que o fraco desempenho de vendas e o corte nas projeções minam a credibilidade da tese de investimento, ofuscando o bom controle de margens e despesas.

“O 2T26 reforça que a empresa está cada vez mais sensível ao cenário macroeconômico, o que deve aumentar o ceticismo do mercado”, escreveram os analistas em relatório a clientes.

Corte do guidance

Para o Itaú BBA, o corte no guidance deve pressionar as ações no curto prazo, já que a revisão acontece no primeiro ano em que a Renner divulga as suas projeções.

“A forte deterioração do ritmo de crescimento, um mês de julho ainda desafiador e o aumento das incertezas para o segundo semestre de 2026 e para 2027 reduzem naturalmente a confiança nas projeções futuras e devem levar a revisões para baixo das estimativas”, avalia a equipe de analistas liderada por Rodrigo Gastim.

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“Tão importante quanto a magnitude do corte no guidance é entender o que motivou essa revisão, principalmente se ela já incorpora fatores mais estruturais, como o aumento da concorrência, a pressão do comércio transfronteiriço (cross-border) ou um ambiente macroeconômico mais fraco”, acrescentou a equipe do BBA.

É hora de vender LREN3?

Após o balanço, o Santander cortou o preço-alvo das ações LREN3 de R$ 19 para R$ 17,50 no final de 2027, o que ainda implica em um potencial de valorização de 41% sobre o preço de fechamento de ontem. A recomendação de compra, porém, foi mantida.

“Mesmo após o trimestre decepcionante, acreditamos que a Renner mantém vantagens operacionais relevantes e oferece um shareholder yield de aproximadamente 12% nos próximos 12 meses”, afirmaram os analistas do banco.

Para o BTG Pactual, a varejista segue oferencendo dividendos atraentes, o que sustenta a recomendação de compra para as ações. Contudo, o banco avalia que falta catalisadores de curto prazo.

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“O ambiente macroeconômico continua desafiador, com cortes de juros mais lentos do que o esperado, elevado endividamento das famílias, impactos da Copa do Mundo sobre o consumo e aumento da concorrência de plataformas internacionais pressionando a demanda — fator que, em nossa visão, deverá ser o principal tema de atenção nos próximos meses”, destacaram Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.

Já o Itaú BBA coloca em dúvida de como a revisão para baixo dos lucros deve afetar a disposição da Renner em distribuir dividendos. “Será necessário avaliar se esse reajuste compromete a capacidade da companhia de sustentar um dividend yield atrativo, que tem sido um dos principais pilares de sustentação para as ações”, diz o relatório.

Confira as recomendações e preços-alvo para LREN3 dos bancos citados:

Banco/CorretoraRecomendação Preço-alvoPotencial de valorização*
Bradesco BBINeutro R$ 17,0026,11%
BTG PactualCompra R$ 20,0048,37%
Itaú BBACompra R$ 18,0033,53%
JP MorganNeutro
SantanderCompra R$ 17,5029,82%
XPCompra R$ 22,0063,20%

*potencial de valorização sobre o preço de fechamento anterior. Em 07/08/26, LREN3 fechou cotado a R$ 13,48.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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