Lucro da ISA Energia (ISAE4) dispara 246% no 3º tri com efeito contábil
A transmissora ISA Energia (ISAE4), teve lucro líquido de R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre, mais de três vezes o registrado um ano antes, impulsionado pela contabilização de um descruzamento de participações societárias acertado com a Axia Energia (AXIA3), segundo balanço divulgado nesta terça-feira.
Excluindo esse efeito extraordinário, o lucro líquido pró-forma da companhia cresceu 14%, para R$625 milhões.
O lucro operacional medido pelo Ebitda atingiu R$ 3,19 bilhões no período, alta de 259% no comparativo anual, enquanto o indicador pró-forma aumentou 41%, para R$1,25 bilhão.
Segundo executivos da ISA, os números recorrentes do trimestre foram positivamente impactados pela entrada em operação de novos projetos de linhas e subestações de energia e pela consolidação de um novo grande ativo, além do reajuste tarifário e de controle de custos.
De acordo com o CEO, Rui Chammas, o desempenho trimestral refletiu o aumento das receitas, em função da entrada em operação de novos projetos de linhas e subestações de energia e da consolidação de um novo grande ativo, além do reajuste tarifário e de controle de custos.
O executivo afirmou que a ISA Energia continua estudando participar dos próximos leilões do setor elétrico, mas está cautelosa, diante de seu atual patamar de endividamento e de um cenário ainda incerto para custo do capital para os próximos anos.
A transmissora encerrou o mês de setembro com dívida líquida de R$17 bilhões, um aumento de 20% frente ao encerramento de 2025, enquanto a companhia executa grandes investimentos para construção de novos ativos. Mas o índice de alavancagem caiu nesse mesmo período, de 3,63 vezes para 3,5 vezes, já refletindo ingressos maiores de receita.
“A dívida dos projetos aparece antes. Primeiro vem a dívida, depois vem a energização. Então, conforme as energizações vão vindo, você materializa aquilo que as pessoas esperam, o crescimento da receita, o crescimento do lucro líquido”, disse Chammas.
A diretora financeira Silvia Wada classificou o endividamento da companhia como “confortável”, observando que boa parte da dívida está atrelada ao IPCA, índice que também corrige a receita, o que confere um “head natural” às operações.
A ISA Energia continua crescendo a carteira de reforços e melhorias em sua rede existente de transmissão. Esses projetos, que são autorizados pela reguladora Aneel e geram receitas adicionais para a companhia, somam hoje R$7,6 bilhões em investimentos previstos para execução nos próximos anos.
Sobre leilões, a ISA identificou oportunidades “interessantes” na próxima licitação de lotes de transmissão, no início de 2027, mas ainda não tomou uma decisão sobre entrar efetivamente na disputa pelos projetos, disse o CEO.
No caso do certame de baterias — segmento no qual a ISA já tem experiência, sendo responsável pela operação do primeiro sistema de grande escala no Brasil –, a participação da empresa também segue em estudo.
Segundo a diretora financeira, a ISA não concorda com o entendimento da Aneel de que as transmissoras podem participar do leilão, mas deverão seguir condições de seus contratos de concessão, o que implicaria reverter parte das receitas obtidas com a nova atividade para modicidade tarifária.
“Colocando modicidade tarifária, você está praticamente inviabilizando… É até contrário à busca de modicidade, porque você estaria diminuindo a competição. Mas a gente tem outro entendimento e deve trabalhar nesse tema”, disse Wada.