Multiplan

Lucro líquido da Multiplan (MULT3) sobe 73,3% no 3T26, para R$ 383,2 milhões

29 out 2026, 17:57 - atualizado em 29 out 2026, 17:59
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(Imagem: Divulgação/Multiplan)

A Multiplan (MULT3) registrou lucro líquido de R$ 383,2 milhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), alta de 73,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida avançou 37%, para R$ 846 milhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 37,3%, para R$ 598,2 milhões.

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O resultado foi impulsionado, em parte, pela venda de uma participação de 9,33% no Park Shopping Barigui, concluída em agosto, por R$ 250 milhões. A operação elevou a receita com venda de imóveis e contribuiu para o avanço das linhas de receita e Ebitda. Sem essa contribuição, o Ebitda de propriedades — indicador que exclui a venda de imóveis — foi de R$ 479,6 milhões, alta de 8,6% na comparação anual.

Também contribuíram para o resultado o crescimento real de 3,1% do aluguel nas mesmas lojas (SSR), além da alta de 17,5% na receita de estacionamento e de 9,6% na receita de serviços.

A companhia também informou crescimento de 70% no fluxo de caixa operacional (FFO), que chegou a R$ 405,3 milhões no trimestre. O lucro por ação subiu 73,1%, para R$ 0,78.

Venda de ativos e expansão das receitas

A receita bruta somou R$ 891,9 milhões, aumento de 34,4% sobre o 3T25. Além dos R$ 250 milhões da venda de participação no Park Shopping Barigui, a receita imobiliária contou com contribuições dos projetos Lake Victoria e Lake Eyre. No total, a receita de venda de imóveis chegou a R$ 288,3 milhões, alta de 209,4%.

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As demais receitas também avançaram. A receita de estacionamento cresceu 17,5%, para R$ 99,6 milhões, favorecida pelo aumento do fluxo de veículos, por reajustes tarifários e por mudanças na participação da companhia em ativos. A receita de serviços subiu 9,6%, para R$ 47 milhões, com contribuição de taxas de administração e corretagem.

Já a receita de locação aumentou 2,8%, para R$ 443,6 milhões — recorde para um terceiro trimestre, segundo a empresa. O resultado inclui R$ 429,7 milhões provenientes dos shopping centers, alta de 2,6%, e R$ 13,9 milhões das torres corporativas, avanço de 10,3%.

A Multiplan atribuiu o crescimento dos aluguéis dos shoppings às expansões entregues recentemente, ao reajuste de contratos pelo IGP-DI e à aquisição de participação adicional no BarraShopping. Esses fatores foram parcialmente compensados pela venda de participações minoritárias em ativos como Park Shopping São Caetano, BH Shopping e Park Shopping Barigui.

O aluguel nas mesmas lojas (SSR) cresceu 4,3% no trimestre. Descontado o efeito de 1,2% do reajuste pelo IGP-DI, o avanço real foi de 3,1%.

Vendas aceleram ao longo do trimestre

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As vendas dos lojistas nos shoppings da companhia totalizaram R$ 6,4 bilhões, crescimento de 5,9% ante o 3T25. O ritmo aumentou no decorrer do período: as vendas subiram 4,3% em julho, 5,4% em agosto e 8,1% em setembro.

Entre os destaques de crescimento estiveram Morumbi Shopping, com alta de 23,4%; Village Mall, com 17,3%; Parque Shopping Maceió, com 11,1%; New York City Center, com 9,2%; e Park Shopping São Caetano, com 8,5%. No Morumbi Shopping, a empresa relaciona o desempenho à sexta expansão, inaugurada em março.

Houve recuos em alguns empreendimentos. As vendas do Barra Shopping caíram 2,9%, impactadas pelo fechamento temporário de uma loja âncora durante obras. No Park Shopping, a queda foi de 2,3%, em meio às obras de expansão. O Barra Shopping Sul recuou 1,4%, afetado por fechamentos temporários de operações e por uma base de comparação mais forte.

As vendas nas mesmas lojas (SSS) avançaram 3,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O segmento de serviços teve o melhor desempenho, com alta de 12,6%, apoiada pelo crescimento das vendas de cinema. Artigos diversos subiram 5,5%, enquanto vestuário recuou 1,6% e artigos para o lar e escritório caíram 7,3%. Nos nove primeiros meses do ano (9M26), o SSS cresceu 4,1%.

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A taxa média de ocupação dos shoppings ficou em 96%, ante 96,3% um ano antes. A inadimplência líquida permaneceu negativa em 1%, embora menos negativa que os 1,9% registrados no 3T25. O custo de ocupação dos lojistas foi de 13% das vendas, ligeiramente abaixo do registrado um ano antes e da média dos últimos cinco terceiros trimestres, de acordo com a companhia.

NOI supera R$ 500 milhões

O resultado operacional líquido (NOI) alcançou R$ 509 milhões, aumento de 2,2% sobre o 3T25 e recorde da companhia para um terceiro trimestre. A margem NOI ficou em 91,6%, ante 94,1% no mesmo período do ano anterior.

O NOI mostra quanto os empreendimentos geram com suas operações depois das despesas diretamente ligadas a eles — como custos de manutenção e operação —, mas antes de itens corporativos, financeiros e impostos. Isso ajuda a avaliar a capacidade dos shoppings de produzir resultado operacional, sem misturar esse desempenho com a estrutura de financiamento da companhia.

A redução da margem ocorreu apesar do crescimento das receitas operacionais, em um trimestre no qual as despesas de propriedades aumentaram 50,3%, para R$ 46,9 milhões. A empresa atribuiu a alta à base de comparação mais baixa do ano anterior, a maiores provisões e à adição de áreas locáveis após expansões. Ainda assim, essas despesas representaram 8,4% das receitas de propriedades.

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A companhia destacou que, em uma janela de cinco anos, as despesas de propriedades caíram 41,7% em termos reais, após ajuste pelo IPCA, para R$ 149,6 milhões nos 12 meses encerrados em setembro de 2026.

As despesas gerais e administrativas (G&A) subiram 5,2%, para R$ 49,3 milhões, em linha com a inflação indicada pela empresa. Como proporção da receita líquida, porém, recuaram para 5,8%, ante 7,6% no 3T25. A remuneração baseada em ações foi de R$ 15,5 milhões, alta de 5%.

Expansões, investimentos e projetos imobiliários

A Multiplan investiu R$ 122,7 milhões em capex no trimestre, 35,4% acima do 3T25. Desse total, R$ 72 milhões foram destinados a expansões, principalmente no ParkShopping e no BarraShopping. Outros R$ 50,7 milhões foram alocados em revitalizações, tecnologia, inovação digital e outros itens.

Nos nove meses, o capex totalizou R$ 368,9 milhões, aumento de 2,3% na comparação anual. Os investimentos em expansões chegaram a R$ 241,7 milhões. A empresa informou que as expansões do Park Shopping e do Barra Shopping deverão acrescentar quase 11 mil metros quadrados de área bruta locável.

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A companhia também ressaltou o desempenho da sexta expansão do Morumbi Shopping, inaugurada em março. O projeto apresentou retorno anualizado sobre o custo de construção de 11,9%, calculado a partir da receita de locação incremental dos dois primeiros trimestres completos de operação.

A Multiplan estimou, em caráter ilustrativo, que o desempenho das áreas preexistentes poderia adicionar 6,6 pontos percentuais ao retorno, levando a um yield combinado potencial de cerca de 18,5%. A empresa ressalva que essa estimativa depende de hipóteses e não constitui projeção de desempenho.

No negócio imobiliário, o Lake Victoria gerou R$ 10,2 milhões em receita no trimestre e tinha 79,8% das unidades vendidas em setembro, com VGV vendido de R$ 455 milhões. O Lake Eyre gerou R$ 26,4 milhões em receita e tinha 78% das unidades vendidas, equivalentes a R$ 300,7 milhões em VGV. Em agosto, a companhia lançou o Lake Baikal, terceira fase do projeto Golden Lake, em Porto Alegre. A etapa prevê duas torres residenciais, VGV estimado de R$ 400 milhões e entrega prevista para 2030.

O banco de terrenos inclui potencial preliminar para 137,3 mil metros quadrados de área locável adicional em expansões, além de áreas privativas para venda e áreas computáveis adicionais para projetos futuros. A empresa ressalta que os estudos podem ser revistos conforme a legislação, os parâmetros construtivos e a viabilidade econômico-financeira.

Dívida líquida cai e alavancagem recua

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A dívida bruta somava R$ 5,37 bilhões no fim de setembro, alta de 6,2% em relação a junho. O aumento refletiu principalmente a emissão, em agosto, de um certificado de recebíveis imobiliários (CRI) de R$ 300 milhões, remunerado a 96,5% do CDI e com vencimento em 2034. Segundo a companhia, a operação alongou o perfil da dívida.

O caixa encerrou setembro em R$ 926,6 milhões, alta de 82,8% na comparação trimestral. Com isso, a dívida líquida caiu 2,3%, para R$ 4,44 bilhões. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses, recuou de 1,93 vez em junho para 1,76 vez em setembro, terceira queda trimestral consecutiva.

O custo médio da dívida bruta caiu pelo terceiro trimestre seguido, para 14,16% ao ano, 52 pontos-base abaixo do nível de junho. A maior parte da dívida estava atrelada ao CDI. A empresa informou que o caixa cobria 2,5 vezes as amortizações programadas até o fim de 2027.

No trimestre, as principais saídas de caixa indicadas foram R$ 122,7 milhões em investimentos, R$ 13,2 milhões em amortizações programadas, R$ 110,3 milhões em juros e R$ 126,3 milhões em desembolsos líquidos de impostos relativos a juros sobre capital próprio.

Aplicativo e relacionamento com clientes

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O aplicativo Multi teve aumento de 16% nas sessões no trimestre, na comparação anual. A utilização de funcionalidades para carregamento de veículos elétricos cresceu 260%; os acessos às opções de reserva de cinema aumentaram 160%, e as reservas de restaurantes, 62%.

O volume financeiro de vendas (GMV) associado ao programa de relacionamento cresceu cerca de 30% em setembro. Os resgates de benefícios aumentaram 64% no trimestre. A categoria Platinum passou a estar disponível em 17 dos 20 shoppings da companhia.

A empresa também informou avanços em inteligência artificial, ferramentas digitais para lojistas e iniciativas sociais e de sustentabilidade. Entre as ações citadas no relatório estão o apoio a comunidades afetadas por chuvas em Ribeirão Preto, atividades esportivas e campanhas sociais promovidas em shopping centers.

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Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025 e 2026, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. A cobertura atual é de empresas abertas na bolsa de valores, com foco em blue chips. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025 e 2026, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. A cobertura atual é de empresas abertas na bolsa de valores, com foco em blue chips. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

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