Lula lamenta ausência de Tarcísio em evento federal e critica governador por Casa Paulista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante a visita nesta quarta-feira (25) à fábrica de trens da montadora chinesa CRRC, em Araraquara (SP). Segundo o presidente, ele não pensa nos partidos dos governadores e sim se a população dos Estados necessita de projetos do governo federal.
“Eu lamento profundamente que o governador não esteja aqui. Ele poderia falar o que ele quisesse, agradecer ou não agradecer, porque é um investimento de quase R$ 7 bilhões para São Paulo. Não é pouca coisa não, um investimento de R$ 7 bilhões para gerar emprego, trazer tecnologia e modernidade”, declarou Lula.
Lula ainda atacou Tarcísio por causa do Casa Paulista que, segundo o presidente, foi feito pelo governador para suprimir o nome do Minha Casa, Minha Vida e tem a participação do governo federal ocultada. O presidente prometeu que, nas eleições deste ano, a população saberá qual gestor realiza políticas sociais. O petista disse ainda que não houve presidente que fez mais investimentos em São Paulo e nas outras unidades federativas do que ele.
“(Tarcísio) só conte a verdade: o governo federal, no Casa Paulista, coloca R$ 155 mil e eu (paulista) coloco R$ 20 mil. Aí pode me xingar a vontade”, disse Lula, ao se referir aos valores financiados por cada governo nas moradias populares.
O presidente citou ainda que alguns paulistas são “arrogantes” e acham que não existe pobreza no Estado.
“O povo de São Paulo, muitas vezes, é induzido, por um pouco de arrogância de alguns, e acha que não tem pobreza. São Paulo é o Estado que recebe mais Bolsa Família no Brasil, na periferia de São Paulo tem muita pobreza. Se você só pega do aeroporto para os condomínios, não tem”, declarou o petista.
Outra autoridade a discursar no evento foi o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante. Ele disse que havia feito um acordo com o governador de São Paulo que previa a presença dele no evento.
“O acordo era que (Tarcísio) viria aqui reconhecer e agradecer. Está faltando aqui uma assinatura nessa cerimônia e seria muito bom que essa relação republicana fosse de duas mãos”, disse Mercadante.
O presidente do BNDES também elogiou a economia chinesa e disse que o pensamento liberal do estado mínimo está “superada”.
“A China era um país subdesenvolvido há 40, 50 anos. Essa visão ocidental de Estado mínimo, e que o Estado não pode participar e que só o mercado resolve é uma visão superada. É só olhar o que está acontecendo nos Estados Unidos, Europa e na América Latina. Nós precisamos de uma relação criativa entre Estado e mercado. O BNDES é um ótimo exemplo disso e a China é extremamente exitosa nisso”, disse Mercadante.