Lula pede a ministros ‘arrumação de discurso’ contra ‘traidores com interesses mesquinhos e rasteiros’
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou a subir o tom contra opositores e pediu aos presentes, na reunião ministerial desta quarta-feira (3), uma “arrumação de discurso” durante o período até as eleições de outubro. Foi o primeiro encontro do presidente com membros do primeiro escalão após as trocas ocorridas por causa da desincompatibilização dos antecessores que disputarão cargos nas eleições 2026.
“Vou dizer em alto e bom som. Estão tentando trair o Brasil, com interesses mesquinhos e rasteiros em nome de uma disputa eleitoral. É preciso uma arrumação de discurso para todo mundo, ninguém tem de ter medo, baixar a cabeça”, afirmou o presidente na fala inicial do encontro ministerial no Palácio do Planalto.
Lula voltou a citar a nova ameaça comercial dos Estados Unidos e o fato de o país propor nova tarifa, de 25%, contra produtos brasileiros, para atacar os opositores. Sem citar seu principal adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), que se reuniu com o presidente Donald Trump antes da nova taxação, Lula disse que foi pego de surpresa com a decisão dos estadunidenses.
“O mais triste é que tem brasileiros fomentando essa briga e, não vou dizer os nomes, dizendo que se taxar a gente vai prejudicar uma candidatura à Presidência da República. É de uma grosseria que, em qualquer outro país do mundo, em qualquer momento histórico, seria chamada de traição da pátria“, afirmou.
Mais Trump, mais críticas
Antes de retomar as críticas ao presidente Trump, Lula classificou com um “paradoxo” o atual momento da política brasileira, já que, em, poucas vezes na história o País vive um momento positivo sem que haha percepção da população. Lula citou como exemplo a divulgação recente do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País, que chegou a 0,805, considerado muito alto e o maior da história do País.
Em seguida o presidente afirmou que “temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram a nós nesta semana“, para criticar o presidente dos Estados Unidos e o secretário de Estado daquele País, Marco Rubio, principalmente do ponto de vista comercial. Ele relembrou as negociações após o tarifaço do ano passado, revertido pela Justiça dos Estados Unidos, e a surpresa com a nova tarifa, de 25%, anunciada esta semana, que depende do aval do Senado local.
Sobre Marco Rubio, Lula repetiu que o secretário não gosta da América Latina e muito menos do Brasil e o chamou de um “latino-americano frustrado”. O presidente pediu ao líder do governo no Senado, Jacques Wager (PT-BA) que responda aos ataques feitos por Rubio ao Brasil e a países da América Latina que não alinhados politicamente ao governo Trump.
“Ele falou ontem no Senado que está feliz porque estão conseguindo fazer a América Latina muito próxima aos Estados Unidos. Já sabemos que, muito antes dele, esse país foi vitima de golpe, em 1964, articulado com apoio de embaixadores dos Estados Unidos”, disse. “Queremos fortalecer nossa relação institucional com os Estados Unidos”.
Ainda sobre Trump, Lula repetiu a fala do ano passado, dita logo após o tarifaço, e afirmou que o presidente dos Estados Unidos foi eleito democraticamente e ele respeita decisão dos estadunidenses, assim como espera ser respeitado. “Eu não fui eleito imperador da América Latina e muito menos ele foi eleito imperador do mundo”.
O presidente voltou a cobrar uma ação dos cinco países membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para “manter a paz e não fomentar a guerra. Até porque as guerras que acontecem são decisões unilaterais”, disse. “Ou é a paz, ou é nada. E queremos paz”, completou.
Sobre as questões comerciais e as tarifas, Lula disse aos “comerciantes brasileiros” que os Estados Unidos têm direito de não querer os produtos brasileiros “Se eles não querem comprar, vamos vender para quem quer comprar e não vamos ficar reclamando“. Lula voltou a defender o multilateralismo e disse que mudou de ideia e irá à reunião do G7, prevista para entre 15 e 16 de junho em Paris (França).