Magazine Luiza (MGLU3): O que fez o Citi elevar a recomendação para as ações?
O Citi elevou a recomendação para as ações da Magazine Luiza (MGLU3) de venda para neutra, mas cortou o preço-alvo de R$ 7 para R$ 6,50, citando que a forte queda dos papéis da varejista ao longo do ano já incorporou boa parte dos riscos relacionados ao cenário de juros elevados e à desaceleração do consumo.
Apesar de reduzido, o novo valor ainda representa um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 22% frente à cotação do último fechamento, de R$ 5,34. Acompanhe o tempo real.
Em relatório, o banco norte-americano destacou que as ações MGLU3 acumulam recuo de quase 40% desde o início de janeiro.
Para os analistas, o mercado já precificou um ambiente de Selic alta por mais tempo e uma demanda mais fraca em categorias relevantes para a companhia, como eletrodomésticos e eletrônicos.
“Agora, vemos uma relação entre risco e retorno mais equilibrada”, afirmou o Citi ao justificar a elevação da recomendação.
Entre os fatores positivos, a casa citou a disciplina da varejista no controle de gastos, pontuando que as despesas gerais e administrativas cresceram abaixo da inflação em 10 dos últimos 13 trimestres, o que sinaliza maior eficiência.
“Operacionalmente, observamos alguns desenvolvimentos favoráveis: primeiro, o reforço estratégico da empresa em lojas físicas de maior margem. Depois, as despesas cresceram abaixo da inflação, reforçando a disciplina”, disse o banco.
O peso da Copa do Mundo
Segundo o Citi, a Magazine Luiza tem se reposicionado em direção às lojas físicas, segmento que apresenta margens mais elevadas e no qual a varejista possui “vantagens competitivas consolidadas”.
O banco, inclusive, até projeta uma aceleração das vendas físicas no segundo trimestre (2T26). A expectativa é que a Copa do Mundo impulsione a demanda por televisores e produtos relacionados ao esporte.
“Elevamos nossa estimativa de crescimento das lojas físicas e projetamos uma aceleração sequencial no 2T26, impulsionada pelo torneio de futebol, que deve naturalmente impulsionar o consumo de eletrônicos”, afirmou a casa.
“Dada a oferta de serviços das lojas, esperamos que essa composição de receita também seja favorável para as grandes redes”, prosseguiu.
Desafios permanecem no e-commerce e na alavancagem
Apesar da melhora na recomendação, o Citi mantém uma visão cautelosa para a varejista em relação ao ambiente competitivo do comércio on-line (e-commerce).
O banco continua projetando contração do volume bruto de mercadorias (GMV) no 2T26, especialmente no marketplace, cuja operação deve registrar queda anual de aproximadamente 5%.
Outro ponto de atenção é o nível de endividamento. Segundo o relatório, a relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado da Magalu ultrapassou 3 vezes nos primeiros três meses deste ano (1T26), o que mantém a empresa mais vulnerável em um ambiente de custo de capital elevado.
“Embora a administração tenha enfatizado a disciplina do balanço patrimonial, taxas de juros mais altas naturalmente representam uma desvantagem considerável para a MGLU”, ressaltou o Citi, que também revisou para baixo suas estimativas de resultados.
A projeção de lucro para 2026 foi reduzida de R$ 273 milhões para R$ 113 milhões, refletindo, de acordo com a casa, números abaixo do esperado no 1T26.
“Desafios persistem no e-commerce, onde a concorrência continua se intensificando, bem como na alavancagem. Ainda assim, com as ações da MGLU sendo negociadas a menos de 10 vezes o lucro por ação projetado para 2027, vemos uma relação risco-retorno mais equilibrada”.