Magazine Luiza (MGLU3): Juros pesam no 1T26 e ações caem 8%; ‘No segundo trimestre a situação vai se reverter’, diz CEO
O Magazine Luiza (MGLU3) começou o ano de 2026 com um resultado negativo na última linha do seu balanço. A varejista teve prejuízo líquido ajustado de R$ 33,9 milhões, revertendo o lucro registrado um ano antes. Em reação, as ações operam em queda no pregão desta sexta-feira (8).
Frederico Trajano, CEO da companhia, abriu a teleconferência de resultados dizendo que o trimestre está muito em linha com os demais, mas reconheceu o impacto de um cenário macroeconômico que permanece desafiador.
“A taxa de juros continua alta, tínhamos expectativa de um início de ciclo mais ambicioso de redução. Enquanto os juros pressionam nossas despesas financeiras, procuramos continuar preservando margem bruta operacional e controle forte de despesas”, disse.
As vendas totais do Magalu, incluindo marketplace, caíram 5,6% na comparação anual, para R$ 15,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Enquanto lojas físicas se destacaram, o crescimento online passou por uma piora.
No trimestre, a companhia registrou crescimento de 6,9% nas lojas físicas (crescimento no conceito mesmas lojas de 6,4%) e da redução de 11,0% no e-commerce total.
Trajano enfatizou que a companhia permanece priorizando margens ao invés de crescimento e não pretende entrar, principalmente no online, na “guerra de preços” que continua acontecendo — a exemplo do movimento estratégico de nomes como o Mercado Livre.
“Temos visto nos balanços publicados no mercado a continuidade de uma irracionalidade que o Magalu não quer participar”, afirmou o CEO do Magazine Luiza.
A tônica da operação, segundo o executivo permanece sendo a racionalidade. Sem crescimento no online a qualquer custo, Trajano destacou o crescimento em loja e a manutenção do share (participação) de bens duráveis no trimestre.
“Acredito que no segundo trimestre a situação vai se reverter”, disse.
Por volta de 11h50 (horário de Brasília), as ações do Magazine Luiza caíam 8,82%, cotadas a R$ 7,24. Acompanhe o tempo real.
Peso dos juros no Magazine Luiza
O ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) teve início, mas não no ritmo inicialmente aguardado pelo mercado. O Comitê de Política Monetária (Copom) tem expressado cautela e monitorando dos efeitos do conflito no Oriente Médio, que pressionam a inflação e os juros.
O cenário pressiona as despesas financeiras do Magazine Luiza, conforme destacado na teleconferência de resultados. Apesar disso, Frederico Trajano afirmou ao mercado que ao longo dos próximos trimestres o ciclo de cortes deve continuar, ainda que em outro ritmo.
“As sinalizações são que os juros vão continuar caindo. Imagine que em algum momento o mercado vai ter que ser mais racional no online também, porque vai haver pressão para que isso aconteça. E para nós, temos aí segundo trimestre da virada, que é o tri que tem a Copa do Mundo, que sazonalmente é sempre muito positiva pra gente”, disse o CEO.
Trajano reforçou ainda a mensagem que o Magazine Luiza vem trazendo há vários trimestres, de aposta na multicanalidade e diversidade do portfólio do grupo, com as marcas Netshoes, KaBuM!, Época e outras impulsionando o desempenho.
O CFO do Magazine Luiza, Roberto Belissimo, reforçou durante a teleconferência que o prejuízo reportado pela companhia é resultado do impacto das despesas financeiras. “Mesmo, assim entregamos também uma posição de caixa aqui muito sólida”, disse o executivo.
O Magalu reportou geração de caixa operacional nos últimos 12 meses de R$ 2 bilhões, influenciada pelo resultado operacional e pela evolução do capital de giro. A companhia encerrou o primeiro trimestre deste ano com uma posição de caixa líquido ajustado de R$ 1,2 bilhão, e uma posição de caixa total de R$ 6,2 bilhões.
Trimestres melhores à frente
Apesar do tom misto em relação aos resultados dos primeiros meses de 2026 e a avaliação de números fracos por parte de analistas do mercado, Frederico Trajano passou a mensagem de otimismo e expectativa de trimestres melhores à frentes.
Nos próximos 5 anos, Trajano vê uma mudança no cenário macroeconômico e, no que diz respeito à juros, mais favorável para a companhia.
O CEO reforçou o novo ciclo estratégico que a companhia está agora, após encerrar o ciclo de cinco anos que focou na criação do ecossistema. Em continuidade dessa construção, agora a companhia foca em Inteligência Artificial (IA) para potencializar os resultados, operação e contato com o consumidor.
Como exemplos do novo ciclo, Trajano cita o lançamento do WhatsApp da Lu, que já gerou mais de 9 milhões de conversas, com conversão 3x maior do que no aplicativo e se consolidou como um canal relevante para a companhia.
De acordo com ele, esse canal tem ajudado em categorias em que a companhia tem tido dificuldades de crescer nos últimos anos, devido à decisão de se preservar da guerra do e-commerce.
O segundo exemplo é a abertura da última loja da companhia, a Galeria Magalu. O espaço reúne o Magalu, a Netshoes, a KaBuM!, Época Cosméticos e Estante Virtual em um só lugar. De acordo com os dados apresentados, em menos de quatro meses já é a terceira maior loja da empresa.
A abertura de loja está no radar da companhia para este ano. A companhia não divulga guidance de quantas, mas afirma que no segundo semestre estão previstas a abertura, além da transformação de duas lojas existentes em uma Galeria Magalu e outra no modelo da localizada na Marginal Tietê, que reúne as marcas e um modelo de outlet.
Para esse ano, a Copa do Mundo se materializa como um evento promissor para a companhia, tanto em categoria de bens duráveis quanto outras categorias e a Netshoes, com artigos esportivos.