Minério de ferro é coisa do passado? Vale (VALE3) deve se beneficiar com ‘metal esquecido’, diz BTG
O minério de ferro disparou mais de 4% nesta quarta-feira (7), atingindo o valor mais alto em meses: US$ 118,46 a tonelada. A alta do metal foi impulsionada pela esperança de aumento da demanda na China após a promessa de Pequim de afrouxar a política monetária este ano.
A Vale (VALE3) costuma reagir bem às altas do minério de ferro. No entanto, o BTG Pactual avalia que um outro metal pode ser favorável para a companhia ao longo de 2026. “Nas últimas semanas houve uma ação favorável nos preços para um metal esquecido: o níquel“, destaca o banco em relatório.
Segundo os analistas, o níquel tem sido visto pelos investidores como o “filho-problema” da Vale por anos. Durante vários trimestres nos últimos anos, as unidades de níquel da empresa operaram com EBITDA negativo e o negócio vinha queimando caixa de forma sequencial.
Porém, o preço do metal deu um salto, passando de cerca de US$ 14 mil a tonelada para mais de US$ 18 mil, uma alta de mais de 25% em um mês.
“Embora esse movimento tenha passado despercebido em nossas conversas recentes com investidores, trata-se de um desenvolvimento significativo e que pode continuar acompanhando as tendências”, diz o BTG.
Por que o níquel entrou no radar?
Nos últimos meses, a atenção do mercado se voltou para a revisão de requisitos de mineração na Indonésia — país responsável por mais de 50% da oferta global de níquel —, enquanto investidores tentam estimar quanto minério e capacidade downstream (processamento, refino e transformação do metal em produtos finais ou semiacabados) serão aprovados para 2026.
A proposta da APNI (Associação de Mineradores de Níquel da Indonésia) de limitar as exportações, proibindo embarques a partir de 2025, aumentou expectativas de desaceleração da oferta — ainda que o efeito dependa de decisões políticas.
Apesar disso, a demanda por aço inoxidável e baterias de veículos elétricos deve permanecer firme, mantendo os preços sustentados mais por precaução do que por restrições reais de oferta.
Impacto na Vale
O banco estima que a unidade de metais básicos da Vale, que cobre a exploração de níquel, deve contribuir com cerca de 15% a 20% do EBITDA consolidado da empresa. Além disso, o base assume um EBITDA de cerca de US$ 3 bilhões para o segmento em 2026.
Com o recente salto nos preços do níquel e do cobre, essa marcação a mercado poderia gerar uma alta de 8% no EBITDA consolidado, o que é considerado bastante relevante pelo BTG, uma vez que o EBITDA apenas da unidade de metais básicos superaria os US$ 4 bilhões.
“Se os preços se mantiverem nesses níveis e a administração continuar entregando resultados e revertendo a performance da unidade, acreditamos que há um caso claro para uma reavaliação do valor da Vale. Faz pouco sentido a Vale ser negociada apenas como uma empresa de minério de ferro, se quase 20% de sua receita vem de metais básicos e com potencial de crescimento, enquanto seus pares globais operam com múltiplos muito maiores”, afirmam os analistas.
Apesar do passado de desconfiança do mercado em relação à unidade de metais básicos, o banco avalia que as condições agora estão muito melhores do que o esperado e acima do que está precificado nas ações. Em projeções, se a unidade de metais básicos gerar US$ 4 bilhões em EBITDA e for negociada a 6,5x EBITDA — o limite inferior do grupo de pares — isso poderia desbloquear cerca de 20% de valorização em valor de mercado apenas por esse efeito de reavaliação.
Além disso, o programa de eficiência da Vale já gerou US$ 240 milhões/ano em economia no negócio de níquel, impulsionado por reduções em despesas gerais e administrativas, custos operacionais e investimentos. Considerando o custo total do níquel, a Vale já reduziu 16% em 2025 em relação a 2023, excluindo efeitos de subprodutos, que aumentariam ainda mais a redução.
Hora de comprar?
O BTG Pactual reitera a recomendação de compra da Vale (VALE), com preço-alvo das ADRs para o final de 2026 em US$ 15 — um potencial de valorização de 6%.
“A Vale superou problemas históricos, como desafios institucionais, Brumadinho, Samarco e instabilidade operacional, e está recuperando a confiança dos investidores. A história de resultados por base operacional é a mais sólida que lembramos. Isso, combinado com fundamentos de minério de ferro, cobre e níquel mais fortes do que o esperado e sazonalidade favorável, sustenta uma visão positiva no curto prazo”, destaca o banco.