Brasil

Money Times 10 anos: desemprego e inflação caem, mas dívida dispara; veja o que mudou na economia brasileira entre 2016 e 2026

01 out 2026, 7:05
A palavra PIB (Produto Interno Bruto) escrita em cubos de madeira com dinheiro real brasileiro em amarelo, bandeira verde do Brasil. Língua Portuguesa do Brasil
(Imagem: Andrzej Rostek/ Getty Images)

Quando o Money Times entrou no ar pela primeira vez, o momento estava longe de ser favorável para o lançamento de um novo portal de notícias de economia. Em 2016, o país enfrentava uma recessão e ainda curava as feridas de um tumultuado processo de impeachment.

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Nesses dez anos, o Money Times se consolidou como um dos principais veículos especializados em finanças, investimentos e negócios do país, com mais de 5 milhões de visitas mensais no site e mais de 500 mil seguidores nas redes sociais.

Os principais indicadores também mostram uma economia mais saudável em vários aspectos ao longo desse período. A inflação está mais comportada e o crescimento voltou ao campo positivo.

Mas nem tudo melhorou: a dívida pública aumentou, o dólar ficou mais caro e os juros continuam em níveis que lembram justamente os tempos mais turbulentos da economia.

Na comemoração dos dez anos do Money Times — e às vésperas de mais uma eleição presidencial polarizada —, vale a pena revisitar alguns números da economia para entender o quanto o país mudou e quais desafios permanecem no horizonte.

1 – PIB

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Há dez anos, o Brasil atravessava uma das piores crises econômicas de sua história. Em 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 3,6%, encerrando dois anos consecutivos de forte recessão.

Já para 2026, a expectativa do mercado é de um crescimento de 1,86%, de acordo com as projeções do último relatório Focus do Banco Central. Não chega a ser um ritmo considerado forte para os padrões de um país emergente, mas representa uma mudança significativa em relação ao cenário de dez anos atrás.

Em valores, o total das riquezas do país saltou de R$ 6,3 trilhões em 2016 para R$ 12,7 trilhões em 2025, segundo o IBGE. Mas o avanço real da economia, descontados os efeitos da inflação, é bem menor do que o salto nominal sugere.

2- Desemprego

O mercado de trabalho talvez seja o indicador que apresentou a maior evolução em dez anos. Em 2016, a taxa média de desemprego chegou a 11,5% da população economicamente ativa, um reflexo direto da forte queda da atividade econômica do período.

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Em 2026, o indicador está em 5,3%, próximo dos menores níveis já registrados pela série da PNAD Contínua do IBGE.

É difícil apontar um único fator para a melhora. Analistas destacam a recuperação da atividade econômica após a recessão, a expansão do setor de serviços e transformações ocorridas no mercado de trabalho ao longo da década, incluindo a reforma trabalhista aprovada em 2017 e o avanço dos aplicativos de transporte e de entrega.

3 – Inflação

O fantasma da inflação também assustou menos no comparativo, ainda que tenha ficado acima da meta durante boa parte dos últimos dez anos.

Depois de encerrar 2016 em 6,29%, o IPCA – índice oficial de inflação – deve fechar 2026 próximo de 4,99%, segundo as estimativas do mercado.

4- Juros

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A persistência da inflação acima da meta obriga o Banco Central a manter os juros altos. Ao longo dos últimos dez anos, o Brasil chegou a ter uma taxa Selic de apenas 2% ao ano. Mas o contexto era totalmente atípico em razão da pandemia.

A fotografia comparada da última década mostra que voltamos praticamente à estaca zero. Ou melhor, à estaca dos dois dígitos. Em dezembro de 2016, o Banco Central estava no início de um ciclo de corte de juros, mas a Selic encerrou o ano em 13,75% ao ano.

Dez anos depois, o país está em um novo processo de redução da taxa básica de juros, que deve encerrar 2026 em 13,50% ao ano, de acordo com a estimativa atual dos analistas.

A coincidência revela uma característica persistente da economia brasileira: a dificuldade de conviver com taxas de juros mais baixas de forma sustentável.

5- Dólar

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No câmbio, a diferença é mais visível. Em 2016, o dólar encerrou o ano próximo de R$ 3,25 e em queda, em meio ao alívio dos mercados após a crise envolvendo o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

De lá para cá, porém, a moeda norte-americana voltou a ganhar força em vários momentos, como na pandemia. Nas máximas do governo Lula, o câmbio chegou a superar os R$ 6,20, mas no ano passado registrou forte queda.

A projeção atual do mercado é que o dólar encerre este ano na casa de R$ 5,20. Na comparação com o fim de 2016, isso representa uma valorização próxima de 60% frente ao real.

6- Dívida pública

Se emprego e inflação contam uma história de melhora, as contas públicas apontam para outra realidade: somos um país mais endividado.

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A dívida bruta do governo saiu de 69,5% para 82,5% do PIB. Em valores nominais, isso significa um salto de R$ 4,37 trilhões para R$ 10,9 trilhões em apenas uma década.

O rápido crescimento da dívida nos últimos anos transformou a questão fiscal em uma das principais preocupações de analistas, investidores e agentes do mercado.

O filme continua

A fotografia dos últimos dez anos revela um Brasil que superou a recessão, reduziu o desemprego e conseguiu conter a inflação. Ao mesmo tempo, os números indicam que o país não se livrou de antigos dilemas. Mas o filme continua.

Se em 2016 a prioridade era voltar a crescer, em 2026 o desafio é equilibrar as contas públicas sem colocar em risco os avanços da última década. E o Money Times seguirá acompanhando de perto as transformações da economia brasileira, como faz desde 2016.

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Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista
Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

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